Rendida ao seu Amor
Capítulo 13 — O Jogo de Sofia
por Ana Clara Ferreira
Capítulo 13 — O Jogo de Sofia
A manhã seguinte trouxe consigo uma mudança sutil, porém palpável, na atmosfera da mansão Vasconcelos. Rafael, antes complacente com as manipulações de sua mãe, agora exibia uma postura firme, um muro de proteção erguido em torno de Isabella e de seus próprios sentimentos. Doña Sofia, percebendo a revolta em seu filho e a presença inabalável de Isabella, sentiu o terreno sob seus pés tremer. O medo de perder o controle, de ver seus planos meticulosamente traçados desmoronarem, a impulsionou a uma nova ofensiva, mais sutil e perigosa.
Sentada em sua poltrona de couro na biblioteca, um sorriso enigmático brincava em seus lábios enquanto folheava um álbum de fotografias antigas. Rafael entrou, o semblante sério. Ele sabia que sua mãe não o deixaria em paz.
"Bom dia, mãe", disse ele, a voz desprovida de emoção.
"Bom dia, meu querido filho", respondeu Sofia, o tom afetado. "Imaginei que viria me ver. Sabe, essas lembranças me trouxeram uma saudade imensa. Lembro-me de quando você era um menino inocente. Tão puro." Ela olhou para ele, um brilho calculista em seus olhos. "E lembro-me de quando Isabella entrou em nossas vidas. Tão jovem, tão… ambiciosa."
Rafael a encarou, a paciência se esgotando. "Não comece com isso, mãe."
"Ah, meu filho, não é começar. É apenas recordar. E a memória é uma coisa traiçoeira, não é? Principalmente quando se trata de sentimentos. Você tem certeza, Rafael, de que o que sente por Isabella é amor? Ou é apenas um capricho do passado, uma ilusão?"
"É amor, mãe. E você sabe disso. Você tentou nos separar com suas mentiras, mas não conseguiu."
Sofia fechou o álbum com um baque suave. "Mentiras? Ah, meu filho. Eu apenas apresentei fatos. Fatos que você, em sua juventude, não soube interpretar. E Isabella… ela sempre soube como jogar o jogo. Ela sempre soube como seduzir você com suas promessas vazias."
"Isabella nunca me prometeu nada além de amor", retrucou Rafael, a voz tensa. "E foi você quem me fez acreditar no contrário."
"E se eu lhe dissesse, Rafael, que há algo que você ainda não sabe sobre Isabella? Algo que pode mudar completamente a sua perspectiva?" Sofia se levantou, aproximando-se dele com uma falsa preocupação. "Coisas que aconteceram quando ela estava longe, em sua 'busca por si mesma'."
Rafael a observou desconfiado. Ele conhecia sua mãe bem o suficiente para saber que ela era uma mestre em plantar sementes de dúvida. "O que você quer dizer?"
"Eu digo que o mundo é um lugar perigoso, meu filho. E que as pessoas, mesmo aquelas que amamos, podem nos surpreender. Há rumores, Rafael. Rumores sobre o envolvimento de Isabella com outros homens. Um homem de negócios influente, que a ajudou a se reerguer financeiramente."
O sangue de Rafael gelou. Ele se lembrou das palavras de sua mãe anos atrás, das "provas" que ela havia apresentado. A dúvida, uma serpente fria, começou a rastejar em seu peito. "Isso é mentira."
"É o que você quer acreditar, meu filho", disse Sofia, a voz doce como mel. "Mas eu tenho meus contatos. Pessoas que viram. Pessoas que ouviram. Se você quiser saber a verdade, eu posso te mostrar. Posso te dar as provas que você precisa para ter certeza. Para não ser enganado novamente."
Rafael sentiu um nó na garganta. A imagem de Isabella ao lado de outro homem, uma imagem que ele tentara apagar de sua mente, começou a se formar novamente. Ele olhou para sua mãe, para o brilho de triunfo em seus olhos, e a raiva o dominou.
"Você é desprezível, mãe", disse ele, a voz carregada de repulsa. "Você não tem limites. Não vai me enganar de novo." Ele se virou e saiu da biblioteca, deixando Sofia sozinha com seus pensamentos sombrios.
Enquanto isso, Isabella estava nos jardins, desfrutando de um momento de paz. Ela sabia que Sofia não a deixaria em paz, mas esperava que Rafael a protegesse. De repente, ela sentiu uma presença. Era Miguel, o antigo amigo de Rafael, que agora trabalhava como capataz na fazenda.
"Senhorita Isabella", disse Miguel, a voz respeitosa, mas com um toque de preocupação. "Tenho que te avisar. Dona Sofia anda fazendo perguntas. Perguntas sobre seus negócios, sobre seus contatos no exterior."
Isabella sentiu um arrepio. "Ela está tentando nos separar de novo, não é?"
"Acho que sim, senhorita. Ela não desiste fácil. E ela tem influência. Ela pode virar muita gente contra a senhorita." Miguel olhou para os lados, como se temesse ser ouvido. "Eu não confio nela. Nem um pouco. Mas tenho que ser cauteloso."
Isabella agradeceu a Miguel e voltou para a mansão, o coração pesado. Ela sabia que Sofia era perigosa, mas não imaginava que ela pudesse ser tão implacável. Ela sabia que precisava conversar com Rafael, alertá-lo sobre os planos de sua mãe.
Encontrou Rafael em seu escritório, o semblante fechado. "Rafael, precisamos conversar."
Ele se virou, o olhar ainda carregado da tensão da conversa com Sofia. "O que foi, Bella?"
"Sua mãe está tentando nos separar novamente", disse Isabella, a voz firme. "Miguel acabou de me avisar. Ela está espalhando boatos sobre mim, sobre meus negócios. Ela quer te convencer de que eu não sou digna do seu amor."
Rafael suspirou, passando a mão pelos cabelos. "Eu sei. Ela tentou falar comigo hoje. Tentou plantar dúvidas em minha mente."
"E você acreditou nela?" A voz de Isabella era um fio de esperança misturada com medo.
Rafael a olhou nos olhos, a intensidade em seu olhar dissipando todas as dúvidas. "Nunca, Bella. Eu te conheço. Eu sei o tipo de mulher que você é. E eu sei que minha mãe é uma manipuladora. Eu nunca mais vou cair nas armadilhas dela."
Ele a puxou para perto, abraçando-a com força. "Eu te amo, Isabella. Mais do que tudo. E não vou deixar nada nem ninguém nos separar."
Isabella retribuiu o abraço, sentindo um alívio imenso. Ela sabia que a luta contra Sofia seria longa e difícil, mas ter Rafael ao seu lado, com a confiança renovada, a fazia sentir que poderiam superar qualquer obstáculo.
"Mas ela não vai desistir", disse Isabella, o tom sério. "Precisamos estar preparados."
"Eu sei", concordou Rafael. "Vamos mostrar a ela que o nosso amor é mais forte do que qualquer jogo que ela queira jogar."
Naquela noite, enquanto as estrelas pontilhavam o céu escuro, Isabella e Rafael se entreolharam, uma promessa silenciosa em seus olhos. Sofia havia iniciado seu jogo, mas eles estavam mais unidos do que nunca. As cicatrizes do passado ainda existiam, mas agora serviam como um lembrete da força que haviam encontrado um no outro. E juntos, eles estavam prontos para enfrentar qualquer desafio que viesse, determinados a provar que o amor, quando verdadeiro, é capaz de superar as mais sombrias maquinações. A batalha pela alma de Rafael estava em andamento, e Isabella sabia que sua presença era a âncora que o impedia de ser arrastado pelas correntes da manipulação materna.