Rendida ao seu Amor

Capítulo 5 — O Preço do Amor

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 5 — O Preço do Amor

A invasão à casa de Sofia foi um alerta sinistro. Ricardo Montenegro não era um homem que aceitava derrotas. Seu ódio por Gabriel, que ousara desafiá-lo, e sua determinação em construir seu império imobiliário, o levaram a tomar medidas ainda mais drásticas. A tranquilidade da vila foi substituída por uma atmosfera de medo e desconfiança.

Sofia sentia-se cada vez mais acuada. A luta para proteger sua comunidade, somada ao turbilhão de emoções que a relação com Gabriel lhe causava, a deixava exausta. Ela sabia que o amor entre eles, por mais puro e verdadeiro que fosse, era um amor proibido, um amor que poderia trazer consequências devastadoras para todos.

Gabriel, por sua vez, sentia-se impotente diante da crueldade de Montenegro. Ele tentava usar todos os seus recursos para proteger Sofia e a vila, mas sabia que o poder de Ricardo era vasto e suas conexões, perigosas. A cada dia que passava, o cerco se fechava, e o medo de perder Sofia o consumia.

Em uma noite chuvosa, enquanto os raios iluminavam o céu tempestuoso, Gabriel encontrou Sofia na praia, sob a chuva torrencial. Seus rostos estavam molhados, não apenas pela água, mas pelas lágrimas de angústia.

“Eu não aguento mais, Gabriel”, disse Sofia, a voz embargada. “Esse medo… essa incerteza… eu não sei se consigo continuar.”

Gabriel a abraçou com força, sentindo o corpo dela tremer. “Sofia, eu te amo. E eu não vou deixar que nada aconteça com você. Nem com a sua vila.”

“Mas a que custo, Gabriel?”, ela questionou, erguendo o rosto para encará-lo. “Nosso amor… ele está nos colocando em perigo. Talvez seja melhor… talvez seja melhor nos afastarmos.”

Gabriel sentiu seu coração se despedaçar. A ideia de se afastar de Sofia era insuportável, uma tortura inimaginável. Mas ele via a dor em seus olhos, o desespero que a consumia.

“Não diga isso, Sofia”, implorou ele, a voz rouca. “Eu não consigo viver sem você. Nosso amor é a única coisa que me dá força.”

“Mas e se esse amor nos destruir, Gabriel?”, ela sussurrou. “E se ele for o motivo da nossa própria ruína?”

Naquele momento, um barulho distante chamou a atenção deles. Eram as sirenes de carros de polícia se aproximando. Gabriel e Sofia se entreolharam, o pânico tomando conta de seus corações.

Ao chegarem à vila, encontraram um cenário de caos. A polícia, cumprindo uma ordem judicial baseada em denúncias forjadas por Montenegro, estava confiscando os barcos de pesca, os bens dos moradores, sob a alegação de que estavam construindo em área irregular. Os pescadores, desesperados, tentavam resistir, mas eram brutalmente contidos.

Sofia assistiu a tudo com horror. A sua luta, a luta da sua comunidade, parecia estar chegando ao fim. A ganância de Montenegro havia triunfado.

Gabriel, indignado, tentou intervir, mas foi impedido por um dos policiais. “Não se meta, senhor. É uma ordem judicial.”

Enquanto a polícia espalhava o caos, Montenegro apareceu, um sorriso sarcástico no rosto. Ele caminhou em direção a Sofia, que o encarava com ódio nos olhos.

“Eu avisei que você não podia me deter, garota”, disse ele, a voz fria e calculista. “Este lugar agora é meu.”

Sofia sentiu uma raiva avassaladora. Ela se soltou dos braços de Gabriel e avançou em direção a Montenegro, mas foi contida por ele.

“Não se preocupe, meu amor”, disse Montenegro, a voz debochada. “Eu não vou te machucar. Afinal, você é a irmã do meu… futuro sócio.”

Gabriel arregalou os olhos. “Sócio? Do que você está falando?”

“Seu querido irmão”, disse Montenegro, apontando para Gabriel, “sempre foi um homem de negócios. E agora, ele vai se juntar a mim. E juntos, vamos construir o maior complexo turístico da América Latina.”

Sofia e Gabriel se entreolharam, o choque estampado em seus rostos. Gabriel, o homem que lutou com todas as suas forças para proteger a vila, estava envolvido com Ricardo Montenegro?

“Isso é mentira!”, gritou Gabriel. “Eu nunca faria isso!”

“Ah, mas faria, meu caro”, retrucou Montenegro, com um sorriso cruel. “Seu amor por Sofia é grande, não é? E se eu lhe dissesse que, para salvá-la, você teria que assinar um contrato comigo? Um contrato que lhe daria uma parte da empresa, e a segurança para você e sua amada?”

Sofia sentiu o chão se abrir sob seus pés. Ela olhou para Gabriel, buscando uma explicação em seus olhos.

Gabriel, dilacerado, sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos. Ele havia sido forçado a tomar uma decisão impossível. Para proteger Sofia, ele teve que ceder à chantagem de Montenegro.

“Eu… eu tive que fazer isso, Sofia”, disse ele, a voz embargada. “Eu tive que escolher entre o meu amor por você e a sua vida. E eu escolhi você.”

Sofia sentiu uma dor profunda em seu peito. O homem que ela amava, o homem que ela acreditava ser seu salvador, a havia traído. O preço do amor deles havia sido alto demais.

Montenegro sorriu, satisfeito. Ele havia vencido. A vila de Sofia seria destruída, e o amor deles, manchado pela traição, seria o seu legado.

Sofia, desolada, olhou para Gabriel, o homem que ela amava, mas que agora, em seus olhos, era apenas um estranho. A chuva continuava a cair, lavando a praia, mas não conseguindo apagar a dor e a amargura que se instalaram em seus corações. O preço do amor havia sido pago, e as consequências seriam devastadoras.

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