Apaixonada pelo Chefe III

Capítulo 3 — Labirintos da Mente e Armadilhas do Coração

por Camila Costa

Capítulo 3 — Labirintos da Mente e Armadilhas do Coração

Os dias que se seguiram ao encontro no escritório de Helena foram uma tortura silenciosa. A presença de Rafael pairava sobre cada aspecto de seu trabalho, um espectador invisível que a observava em cada passo. Ela tentava se concentrar em seus projetos, em suas metas, em provar seu valor para si mesma. Mas a mente, essa traiçoeira, teimava em voltar para ele. Lembrava-se do toque de suas mãos, do calor de seu corpo, da intensidade de seus olhares. E pior, lembrava-se das palavras dele: "Eu ainda penso em você, Helena."

Será que ele realmente pensava nela? Ou era apenas um jogo, uma forma de recuperar o controle, de afirmar sua presença em sua vida? Helena lutava contra a esperança que, teimosa, tentava brotar em seu peito. Ela sabia que se deixasse essa esperança crescer, seria novamente vulnerável. E a vulnerabilidade, ela aprendera da maneira mais dolorosa, era um luxo que ela não podia mais se permitir.

No trabalho, ela mantinha uma postura profissional impecável. Era eficiente, dedicada, e se destacava em suas funções. Seus colegas a admiravam pela sua capacidade de lidar com a pressão e pela sua inteligência. Mas nos raros momentos em que cruzava com Rafael, um silêncio carregado se instalava, uma tensão palpável que só os dois pareciam sentir. Ele a cumprimentava com um aceno de cabeça, um sorriso educado, mas os olhos dele, ah, os olhos diziam outra coisa. Havia neles uma profundidade, uma saudade, um desejo que Helena fingia não perceber.

Uma noite, enquanto trabalhava até tarde no escritório, terminando um relatório importante, Helena sentiu a porta se abrir. Era Rafael. Ele segurava duas canecas fumegantes.

"Pensei que pudesse precisar de um café", ele disse, a voz surpreendentemente suave. Ele se aproximou de sua mesa e colocou uma caneca na sua frente. O aroma inebriante do café recém-passado encheu o ar.

"Obrigada, Rafael", Helena respondeu, um pouco surpresa. Ela o observou enquanto ele se sentava na cadeira à sua frente, as pernas cruzadas, o olhar fixo nela.

"Você tem trabalhado muito", ele comentou, o tom casual, mas o olhar intenso.

"É uma fase importante para a empresa", ela respondeu, tentando manter a distância. "E para mim."

"Eu sei. Você sempre foi dedicada. E talentosa." Ele fez uma pausa, como se buscasse as palavras certas. "Helena, eu sei que nós deveríamos manter uma distância profissional. Mas eu... eu não consigo evitar."

O coração de Helena deu um salto. Ela sentiu o sangue correr mais rápido pelas veias.

"Rafael, nós terminamos. Você escolheu outro caminho", ela disse, a voz firme, mas um pouco trêmula.

"Eu sei. E eu errei. Foi o maior erro da minha vida", ele confessou, a voz embargada. "Mas as coisas aconteceram. O trabalho, a pressão, o medo... eu me perdi. Me perdi de mim mesmo e, o pior, me perdi de você."

Helena o encarou. As palavras dele soavam sinceras, carregadas de arrependimento. Mas o que ela poderia fazer? Reabrir as feridas? Dar uma nova chance a um amor que já havia se provado frágil?

"O que você quer, Rafael?", ela perguntou, a voz baixa, quase um sussurro.

Ele a olhou nos olhos, e Helena viu neles a mesma paixão que um dia a consumiu.

"Eu quero você, Helena. Eu sempre quis você. Eu nunca deixei de te amar."

A confissão dele a atingiu como uma onda. Por um instante, ela se permitiu fantasiar. Fantasiar com um abraço apertado, com beijos apaixonados, com a chance de reconstruir o que fora destruído. Mas a razão, fria e calculista, a trouxe de volta à realidade.

"Rafael, isso é impossível", ela disse, a voz embargada de dor. "Você escolheu. Você seguiu em frente. E eu também tive que seguir."

"Seguiu em frente?", ele repetiu, um toque de ironia na voz. "Você me vê trabalhando aqui, nesse mesmo cliente, e acha que eu segui em frente? Helena, meu coração nunca saiu do Rio. Nunca saiu de perto de você."

Ela sentiu uma lágrima teimosa escapar. Era um misto de dor e de uma estranha euforia. A paixão que ela sentia por ele ainda estava ali, adormecida, mas viva.

"Eu não posso mais ser a sua segunda opção, Rafael", ela disse, a voz firme. "Eu não posso mais esperar enquanto você decide o que quer."

"Você nunca foi minha segunda opção, Helena. Você sempre foi a minha única opção. Eu fui um idiota. Um covarde. E agora estou aqui, tentando consertar o estrago que eu fiz." Ele estendeu a mão, tocando levemente a dela sobre a mesa. A eletricidade percorreu o corpo de Helena. "Me dê uma chance. Uma chance para provar que eu mudei. Que eu sei o que eu quero. E o que eu quero é você."

Helena olhou para a mão dele, sentindo o calor de seus dedos. O café em sua caneca esfriava, assim como a frieza que ela tentava manter em seu coração. As palavras dele eram tentadoras, mas o medo ainda era maior. O medo de se entregar novamente e ser magoada.

"Eu não sei, Rafael", ela sussurrou, a voz trêmula. "Eu não sei se consigo confiar em você de novo."

"Eu sei que é difícil", ele disse, apertando levemente a mão dela. "Mas pense em nós. Pense em tudo o que tivemos. Não vale a pena tentar salvar isso?"

Helena fechou os olhos. Ela podia sentir o cheiro do café, o calor da mão dele, a presença dele ali, tão perto. Ela se lembrou dos momentos felizes, das risadas, dos planos. E se ele estivesse falando a verdade? E se ele realmente tivesse mudado?

Ela respirou fundo. A decisão era dela. E, pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que tinha o controle.

"Precisamos de tempo, Rafael", ela disse, a voz um pouco mais firme. "Precisamos pensar. E eu preciso ter certeza."

Ele assentiu, um leve sorriso de esperança surgindo em seus lábios. "Eu entendo. Eu vou te dar o tempo que você precisar. Mas eu não vou desistir de você, Helena. Não mais."

Ele se levantou, soltando sua mão. Helena sentiu o vazio imediato. Ele se despediu com um olhar profundo e saiu do escritório, deixando-a sozinha com seus pensamentos e o café esfriando.

Naquela noite, Helena mal dormiu. A conversa com Rafael a desestabilizara completamente. Ela estava dividida entre o medo do passado e a esperança de um futuro. A mente, um labirinto de dúvidas e desejos, a mantinha em constante conflito. Ela se perguntava se estava sendo tola em considerar uma nova chance, ou se estaria perdendo a oportunidade de uma vida por medo.

Os dias seguintes foram um jogo de xadrez emocional. Helena e Rafael se viam, conversavam, mas mantinham uma cautela profissional. A tensão entre eles era palpável. Os colegas comentavam sobre a proximidade deles, as fofocas começavam a circular. Helena tentava ignorar, focando em seu trabalho. Mas o coração, teimoso, continuava a bater mais forte a cada vez que o via.

Um sábado à tarde, Helena decidiu sair para caminhar pela Avenida Paulista, buscando clareza. O sol brilhava, as pessoas passeavam, e ela se sentia um pouco mais leve. De repente, ela o viu. Rafael. Ele estava conversando animadamente com um grupo de amigos, rindo, parecendo despreocupado. Por um instante, Helena sentiu uma pontada de ciúmes, misturada com a dor de não ser parte daquele círculo. Ela se virou para ir embora, mas ele a viu.

"Helena!", ele a chamou, o sorriso desaparecendo. Ele se desculpou com os amigos e veio em sua direção.

"Oi, Rafael", ela disse, tentando soar casual.

"O que você está fazendo aqui?", ele perguntou, o olhar fixo no dela.

"Dando uma volta. Precisava de um ar", ela respondeu.

Ele a encarou por um instante, um olhar de compreensão. "Eu sei. Eu também preciso de um ar, às vezes." Ele hesitou. "Você quer tomar um café? Ou um sorvete? Algo... fora do trabalho."

Helena pensou. Era um risco. Um grande risco. Mas, naquele momento, a necessidade de se reconectar com ele, de entender seus sentimentos, era maior do que o medo.

"Tudo bem", ela disse, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios. "Um sorvete."

Enquanto caminhavam lado a lado, em meio à multidão, Helena sentiu um misto de apreensão e excitação. Ela sabia que estava entrando em um território perigoso, em um labirinto de emoções complexas. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que estava no comando. O coração, antes aprisionado pelo medo, agora batia com a promessa de um novo começo, uma nova chance, um novo amor. O desafio seria navegar por esse labirinto sem se perder novamente.

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