Amor à Primeira Vista

Amor à Primeira Vista

por Valentina Oliveira

Amor à Primeira Vista

Por Valentina Oliveira

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Capítulo 1 — O Encontro Sob a Chuva de Verão

O ar denso e úmido de dezembro em Salvador pairava sobre a cidade como um manto pegajoso. O sol, implacável, castigava as ruas de paralelepípedos, fazendo o asfalto exalar um vapor preguiçoso. Mas, como sempre em terras baianas, a natureza guardava uma surpresa. No meio da tarde, o céu, antes de um azul vibrante, tingiu-se de um cinza ameaçador. E então, as primeiras gotas grossas, pesadas, começaram a cair, prelúdio de uma chuva de verão torrencial.

Ana Clara observava a tempestade se formar do vidro embaçado da cafeteria "Sabor do Mar". O aroma de café fresco misturava-se ao cheiro terroso da chuva batendo no concreto. Ela tomou um gole do seu cappuccino, sentindo o calor reconfortante descer pela garganta. Tinha vinte e sete anos, cabelos castanhos em cascata que teimavam em fugir do coque improvisado, e olhos verdes que refletiam uma mistura de inteligência e uma melancolia velada. Formada em arquitetura, Ana Clara trabalhava em um escritório renomado no centro histórico, um refúgio de beleza e tradição que ela amava profundamente.

Sua vida, nos últimos tempos, parecia ter entrado em um ritmo previsível, quase monótono. Os projetos eram desafiadores, sim, mas a paixão de antes, aquela faísca que a fazia sonhar com linhas e formas, parecia ter se esvaído em meio às planilhas e reuniões intermináveis. E o amor? Ah, o amor… era um capítulo em branco, com poucas anotações, nenhuma história cativante para contar. Um recente e doloroso término a deixara mais cautelosa, com o coração encolhido em uma armadura sutil, mas eficaz.

Um estrondo violento de trovão fez as janelas tremerem. A chuva agora caía com fúria, transformando as ruas em rios temporários. Foi nesse momento que a porta da cafeteria se abriu com um tilintar de sinos, e ele entrou.

Leonardo.

Ana Clara sentiu o ar lhe faltar nos pulmões. Era como se o tempo tivesse parado, a chuva lá fora silenciada, o burburinho dos outros clientes sumido. Ele era alto, moreno, com traços fortes e um sorriso que parecia iluminar o ambiente mesmo na penumbra do dia chuvoso. Usava uma camisa de linho branca, levemente amarrotada, e as gotas de chuva em seus cabelos escuros brilhavam como pequenos diamantes. Seus olhos, de um azul profundo e intenso, cruzaram os dela, e naquele instante, algo irreversível aconteceu.

Não era apenas atração física, embora ele fosse inegavelmente bonito. Era uma sensação avassaladora, um reconhecimento profundo, como se a alma dele fosse familiar à dela. Uma corrente elétrica percorreu seu corpo, fazendo-a tremer levemente.

Leonardo hesitou por um instante, seus olhos fixos nos de Ana Clara. Parecia igualmente pego de surpresa, um lampejo de admiração, talvez até de espanto, cruzando seu olhar. Ele deu um passo à frente, afastando-se do fluxo da chuva que entrava pela porta, e então, com um aceno discreto para a atendente, dirigiu-se ao balcão.

Ana Clara desviou o olhar, o coração batendo descompassado contra as costelas. Tentou se concentrar na paisagem chuvosa, mas seus pensamentos giravam em torno dele. Quem era aquele homem? De onde viera? O que a fizera sentir-se daquela maneira tão intensa, tão subitamente?

Ela pegou seu celular, fingindo uma distração, mas suas mãos tremiam. A tela parecia um borrão. Tentou encontrar um fio de normalidade em sua rotina, mas a imagem daquele homem, do seu olhar, estava gravada em sua mente.

"Com licença", uma voz grave e gentil soou perto dela.

Ana Clara ergueu os olhos, o coração saltando. Era ele. Leonardo estava parado ao lado de sua mesa, um sorriso tímido nos lábios.

"Desculpe incomodar", ele disse, a voz ligeiramente rouca. "É que… a chuva está muito forte e parece que a cidade vai parar. Você se importaria se eu me sentasse aqui um instante? Os outros lugares estão todos ocupados."

Ana Clara sentiu um calor subir pelo pescoço. A chuva, que antes era apenas um pano de fundo, agora parecia conspirar a seu favor.

"Claro, por favor", ela respondeu, tentando soar o mais natural possível, embora sua voz soasse um pouco trêmula. "Sente-se. É um dilúvio mesmo."

Ele sorriu, e o sorriso dele era ainda mais bonito de perto. Sentou-se na cadeira à sua frente, posicionando a bolsa de couro no chão. O silêncio pairou entre eles por um breve momento, um silêncio carregado de uma eletricidade palpável. Ana Clara sentiu-se observada, e quando olhou para ele, encontrou seus olhos fixos nos dela.

"Eu sou Leonardo", ele disse, estendendo a mão.

Ana Clara aceitou o aperto, e a sensação de sua pele contra a dele foi eletrizante. "Ana Clara. Prazer."

"O prazer é meu, Ana Clara", ele respondeu, mantendo seu olhar por mais um instante do que o socialmente esperado. "Você parece… familiar. Já nos vimos antes?"

Ana Clara sorriu levemente, o coração aquecido por aquela pergunta. "Não que eu me lembre. Talvez seja o clima. Salvador tem essa magia de nos fazer sentir que conhecemos as pessoas há uma vida inteira."

Leonardo concordou com a cabeça, pensativo. "Verdade. Mas com você é diferente. É como se eu estivesse procurando por você há muito tempo."

As palavras dele a pegaram de surpresa, desarmando as poucas defesas que ela havia erguido. Um rubor se espalhou por suas bochechas.

"Eu… eu não sei o que dizer", ela murmurou, baixando o olhar para a xícara de café.

"Não diga nada", ele a interrompeu suavemente. "Apenas aceite que às vezes a vida nos presenteia com encontros inesperados. E este, para mim, parece um presente."

A chuva continuava a cair lá fora, mas dentro da cafeteria, um novo sol parecia ter nascido. Ana Clara, que se sentia tão resignada à monotonia, de repente se viu imersa em um turbilhão de emoções. Aquele homem, Leonardo, com seu olhar penetrante e sua presença magnética, havia quebrado a rotina, invadido seus pensamentos e, de alguma forma inexplicável, tocado seu coração. Ela sabia, naquele exato momento, que sua vida jamais seria a mesma. A tempestade lá fora era apenas um prelúdio da tempestade que acabara de começar dentro dela.

Os minutos seguintes se desenrolaram em conversas leves, mas carregadas de uma intimidade surpreendente. Descobriram afinidades em gostos musicais, paixão por viagens e um certo desencanto com a superficialidade do mundo moderno. Leonardo era arquiteto paisagista, com um estúdio em uma cidade vizinha, mas passava alguns dias em Salvador para um projeto de restauração de um antigo casarão histórico.

"Você trabalha com arquitetura, certo?", ele perguntou, percebendo a atenção com que ela descrevia um projeto que estava desenvolvendo.

Ana Clara assentiu, um pouco surpresa. "Sim. Sou arquiteta. Como você sabia?"

"Seu olhar quando fala sobre isso. Há uma paixão genuína. E também… eu vi seu crachá no seu bolso", ele disse, rindo discretamente.

Ela sorriu, sentindo-se um pouco boba. "Ah, claro."

"É um trabalho lindo", Leonardo continuou, sério agora. "Transformar espaços, dar nova vida a eles. Eu admiro muito."

"E você, o que o traz para Salvador?", ela perguntou, curiosa.

"Um projeto. Um casarão antigo, cheio de histórias. Estou restaurando os jardins. Sabe, a arquitetura de uma casa se estende para além das paredes, não é? O jardim é uma extensão da alma dela."

"Exatamente!", Ana Clara exclamou, sentindo uma conexão ainda mais forte. "As pessoas às vezes esquecem disso. Um espaço bem planejado, seja interno ou externo, tem o poder de transformar a vida de quem o habita."

Leonardo concordou com a cabeça, seus olhos azuis brilhando de interesse. "Você entende. Poucos entendem."

A chuva começou a diminuir, transformando-se em um chuvisco fino. O céu, ainda nublado, já mostrava sinais de clareza. A tempestade física estava passando, mas a tempestade emocional que havia se instalado em Ana Clara estava apenas começando.

"Parece que a chuva está indo embora", Leonardo disse, olhando pela janela. "E com ela, minha desculpa para incomodar."

Um pequeno aperto surgiu no peito de Ana Clara. Ela não queria que aquele momento terminasse.

"Foi um prazer conversar com você, Leonardo", ela disse, tentando disfarçar a pontada de decepção.

"O prazer foi todo meu, Ana Clara", ele respondeu, levantando-se. Por um instante, seus olhares se encontraram novamente, e Ana Clara sentiu a mesma eletricidade de antes. "Eu… não queria que isso fosse apenas um encontro casual de uma tarde chuvosa."

Ele pegou um guardanapo de papel e uma caneta da mesa. Escreveu algo rapidamente.

"Aqui", ele disse, entregando o guardanapo a ela. "Meu número. Me ligue. Queria muito te conhecer melhor, Ana Clara. Se você permitir, é claro."

Ana Clara pegou o guardanapo, sentindo a textura do papel e a energia que emanava dele. "Eu… eu te ligarei."

Ele sorriu, um sorriso genuíno e esperançoso. "Ótimo. Até mais, Ana Clara."

E com um último olhar, Leonardo saiu da cafeteria, desaparecendo na luz fraca do fim de tarde, deixando para trás um rastro de perfume amadeirado e um coração disparado.

Ana Clara ficou ali, sentada, olhando para o guardanapo em sua mão. A chuva havia parado. O sol começava a despontar entre as nuvens, lançando raios dourados sobre a cidade molhada. Ela sentiu um sorriso se formar em seus lábios, um sorriso sincero e cheio de esperança. O encontro à primeira vista, que ela nunca acreditara ser possível, havia acabado de acontecer. E ela sabia, com toda a certeza de seu coração, que aquela tarde de chuva de verão em Salvador havia sido o início de algo extraordinário.

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