Amor à Primeira Vista

Capítulo 16

por Valentina Oliveira

Com certeza! Prepare-se para mergulhar de cabeça nas profundezas do amor, da paixão e dos segredos que cercam os nossos personagens. Aqui estão os capítulos 16 a 20 de "Amor à Primeira Vista", repletos de emoção e drama, como só o Brasil sabe contar.

Capítulo 16 — A Tempestade Perfeita e o Grito Silencioso*

O sol da manhã parecia zombeteiro, pintando o céu de um azul imaculado, um contraste cruel com a turbulência que se instalara na alma de Sofia. Naquela noite, sob a abóbada estrelada do altar improvisado pela natureza, a promessa feita a Gabriel fora tão sincera quanto o tremor que percorria seu corpo. O amor, aquele que jurara ser eterno, parecia agora um barco frágil à deriva em um oceano revolto. O beijo que trocaram, o toque de suas mãos entrelaçadas, tudo ecoava em sua memória como um sonho distante, assombrado pela sombra persistente de Ricardo.

Ela se levantou cedo, antes mesmo que os primeiros raios de sol beijassem as águas tranquilas da baía. A brisa marinha, geralmente revigorante, trazia consigo um peso, um prenúncio de algo sombrio. A cabana, outrora um refúgio de paz, agora parecia um ninho de ansiedade. Gabriel dormia profundamente, o rosto sereno emoldurado pelos cabelos escuros, alheio à guerra que travava dentro dela. Sofia o observou, o coração apertado. Ele era a personificação da pureza, do amor incondicional que ela tanto almejara, mas que, por um capricho cruel do destino, parecia destinada a manchar.

A culpa a corroía. A noite passada fora um torvelino de emoções, uma celebração de um amor que, em sua essência, era verdadeiro, mas que estava manchado pelo segredo guardado a sete chaves. Aquele encontro na praia, onde as juras de amor eterno foram trocadas, deveria ter sido o ápice de sua felicidade. No entanto, um nó de apreensão se formava em sua garganta. A verdade, por mais dolorosa que fosse, precisava vir à tona. Mas como? Como desvendar o que estava oculto sem despedaçar o coração de Gabriel?

Ela caminhou até a janela, os olhos fixos no horizonte. O mar, que antes representava a liberdade e a promessa de um futuro juntos, agora parecia refletir a escuridão que a consumia. Lembrou-se das palavras de Ricardo, da ameaça velada, do peso de sua chantagem. Ele era um predador, e ela, uma presa em seus domínios. A cada passo que dava em direção à felicidade com Gabriel, sentia a teia de Ricardo se apertar ao seu redor.

“Sofia?” A voz sonolenta de Gabriel a tirou de seus devaneios. Ele a observava com um sorriso gentil, os olhos ainda embaçados pelo sono, mas já repletos de carinho. “O que faz acordada tão cedo?”

Sofia se virou, tentando disfarçar a angústia que a consumia. “Só estava admirando o nascer do sol”, mentiu, forçando um sorriso. “É lindo, não é?”

Gabriel se aproximou, envolvendo-a em um abraço apertado. O perfume dele, uma mistura de maresia e força, a envolveu, e por um instante, ela quase se permitiu esquecer. “É lindo, mas não tão lindo quanto você”, ele sussurrou em seu ouvido, depositando um beijo terno em seu pescoço.

A simplicidade e a profundidade do gesto de Gabriel a dilaceraram. Cada toque, cada palavra de amor, era um lembrete doloroso da mentira que pairava sobre eles. Ela fechou os olhos, absorvendo o calor do abraço, desejando que aquele momento pudesse ser eterno, livre das sombras que a perseguiam.

“Gabriel”, ela começou, a voz embargada pela emoção. “Precisamos conversar.”

O sorriso de Gabriel vacilou, substituído por uma expressão de leve preocupação. “O que aconteceu? Você parece tensa.”

Sofia respirou fundo, reunindo a coragem que lhe restava. Olhou nos olhos dele, buscando ali a força para proferir as palavras que poderiam destruir tudo. “Eu… eu não te contei tudo sobre o meu passado. Sobre Ricardo.”

Os olhos de Gabriel se arregalaram levemente. A menção de Ricardo, o nome que pairava como uma nuvem negra sobre a vida de Sofia, fez um calafrio percorrer sua espinha. “O que você quer dizer, Sofia? Eu pensei que tínhamos superado isso.”

“Não, Gabriel. Não superamos. Ele… ele ainda está me chantageando. E se eu não fizer o que ele quer, ele vai expor algo que… que vai destruir você, a sua família e a mim.” As lágrimas começaram a rolar por seu rosto, quentes e amargas. “Eu tentei te proteger, mas não consigo mais.”

Gabriel a segurou com mais força, o corpo tenso. “Chantagem? O que ele quer, Sofia? E o que ele pode expor?”

Sofia hesitou, a memória do acordo que fizera com Ricardo a assombrando. Ela sabia que, ao revelar a verdade, colocava a si mesma e a Gabriel em perigo, mas o peso da mentira era insuportável. “Ele… ele quer que eu me afaste de você. Ele disse que se eu não o fizer, ele vai divulgar… ele vai divulgar a verdade sobre a minha família, sobre o que meu pai fez com a empresa dele.” A confissão saiu em um sussurro trêmulo, carregado de dor e arrependimento. “Meu pai roubou Ricardo. E agora ele quer vingança. Ele me usa como moeda de troca.”

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Gabriel a olhava, os olhos fixos nos dela, uma mistura de choque, dor e confusão estampada em seu rosto. A promessa de amor eterno, feita naquela noite mágica, parecia agora uma miragem distante, desfeita pela cruel realidade.

“Sua família?”, Gabriel finalmente conseguiu articular, a voz embargada. “Sofia, por que você não me contou isso antes?”

“Eu tinha medo, Gabriel! Medo de perder você, medo do que ele faria. Eu achei que poderia resolver isso sozinha, mas eu estava errada. Eu sou uma idiota. E agora… agora tudo pode ir por água abaixo.” O desespero a dominava, e ela se encolheu em seus braços, soluçando.

Gabriel a abraçou com mais força, mas agora seu abraço parecia mais contido, como se ele estivesse tentando processar a avalanche de informações. Ele a amava, disso ela tinha certeza. Mas essa verdade, essa cicatriz de seu passado, era um abismo que se abria entre eles.

“Eu não entendo”, ele disse, a voz fria e distante. “Por que agora você me conta isso? Depois de tudo o que vivemos?”

“Porque eu não aguento mais viver nessa mentira, Gabriel! Porque o nosso amor… o nosso amor é mais forte do que qualquer segredo. Eu quero ser honesta com você, mesmo que isso signifique perder tudo.” As lágrimas continuavam a cair, cada uma delas um grito silencioso de desespero.

Gabriel se afastou um pouco, o olhar fixo em seu rosto. Havia uma dor profunda em seus olhos, uma mágoa que Sofia nunca antes vira ali. “Perder tudo… Você acha que isso pode nos separar, Sofia?”

O medo a paralisou. Ela não conseguia responder. O futuro, antes tão claro e promissor, agora se tornara um nevoeiro denso e assustador. A tempestade que se formara em seu coração havia finalmente se desabado, e ela não sabia se o amor deles seria forte o suficiente para resistir à fúria dos ventos. A promessa no altar da natureza ecoava em sua mente, agora distorcida pela dor e pela incerteza. Seria aquele amor, tão puro e verdadeiro, capaz de sobreviver à tempestade perfeita que a vida, em sua crueldade, lhes impunha? A resposta pairava no ar, tão incerta quanto o amanhecer que se anunciava no horizonte.

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