Cap. 13 / 21

O Amor que Perdi

Capítulo 13 — A Sombra de um Passado Inconveniente

por Valentina Oliveira

Capítulo 13 — A Sombra de um Passado Inconveniente

Os dias que se seguiram à conversa no Jardim Secreto foram um período de introspecção para Mariana. As palavras de Rafael, embora dolorosas, trouxeram um certo alívio. A confissão de seus medos e inseguranças, por mais tardia que fosse, desfez o véu de mistério que pairava sobre seu desaparecimento, dissipando a culpa que ela por vezes sentia ter merecido. Ela entendia que o amor, em sua força avassaladora, havia assustado o jovem Rafael, levando-o a uma decisão impensada e destrutiva.

No entanto, a verdade não apagava a ferida. A saudade, que antes era um tormento sem nome, agora se transformava em uma memória amarga, a lembrança de um amor que poderia ter sido, mas que foi cruelmente interrompido. Ela continuava a trabalhar incansavelmente, buscando na rotina um refúgio para as emoções que a assaltavam, mas os pensamentos sobre Rafael eram como ondas insistentes, quebrando na praia de sua mente a todo momento.

Um dia, enquanto se dedicava a um projeto importante em seu escritório, a secretária, Dona Clara, uma senhora de meia-idade com um sorriso maternal e uma discrição admirável, anunciou um visitante.

“Mariana, tem um senhor querendo te ver. Diz que é um assunto pessoal.” Dona Clara falou, com a voz carregada de uma leve curiosidade.

Mariana franziu a testa. Assunto pessoal? Ela não se lembrava de ter marcado nenhuma reunião. “Quem é, Dona Clara?”

“Ele não deu o nome, querida. Apenas disse que era importante e que você o reconheceria.” A secretária respondeu, com o cenho franzido.

Um arrepio percorreu a espinha de Mariana. Quem seria? A possibilidade de ser Rafael, buscando mais uma conversa, surgiu em sua mente, mas logo foi descartada. Ele havia prometido respeitar o espaço dela, e ela sentia que a conversa no Jardim Secreto havia sido um fechamento, um ponto final para aquele capítulo.

“Peça para ele entrar, Dona Clara.” Mariana decidiu, a curiosidade misturada com um leve receio.

Poucos instantes depois, a porta do escritório se abriu e um homem alto, de porte elegante e cabelos grisalhos, adentrou o cômodo. Ele usava um terno impecável, e seu olhar, embora gentil, carregava uma intensidade que Mariana achou familiar. Ela sentiu um nó na garganta. Ela o reconheceu. Era o Sr. Almeida, o pai de Rafael.

O Sr. Almeida sorriu, um sorriso um tanto melancólico. “Mariana, minha querida. É um prazer revê-la.”

Mariana se levantou, surpresa e um pouco apreensiva. Ela não o via desde a época em que era namorada de Rafael. Ele sempre fora um homem reservado, mas educado, e ela o admirava pela forma como ele parecia amar o filho.

“Sr. Almeida. Que surpresa.” Ela tentou soar calma, mas a emoção a traía. “Por favor, sente-se.”

Ele se sentou na cadeira à frente da mesa dela, com a mesma postura ereta de sempre. O silêncio se instalou por um momento, um silêncio carregado de memórias e de expectativas.

“Eu imagino que você esteja se perguntando por que estou aqui.” O Sr. Almeida começou, a voz suave. “Rafael… ele me procurou há pouco tempo. Depois de todos esses anos.”

Mariana assentiu, a curiosidade se intensificando. “Ele me contou que voltou ao Rio.”

“Sim. Ele voltou. E, para ser sincero, eu fiquei muito feliz ao saber disso. Sempre esperei que ele encontrasse o caminho de volta para cá. E para você, Mariana.” O olhar dele era sincero, e ela sentiu uma pontada de esperança.

“Eu… eu não sei o que dizer, Sr. Almeida.” Mariana gaguejou, confusa com as palavras dele.

“Eu sei que você deve ter muitas perguntas. E talvez eu não possa responder a todas elas. Mas Rafael me contou sobre a conversa que vocês tiveram. Sobre os medos dele. E eu… eu preciso te pedir desculpas. Em nome dele, e em meu próprio nome.”

Mariana o encarou, perplexa. “Desculpas? Por quê?”

“Porque nós, pais, muitas vezes achamos que sabemos o que é melhor para nossos filhos. E acabamos, sem querer, sufocando-os. Criando neles inseguranças que eles não teriam de outra forma.” O Sr. Almeida suspirou, o peso dos anos parecendo cair sobre seus ombros. “Quando Rafael era mais jovem, eu era um pai muito… exigente. Cobrava muito dele. E acredito que, de alguma forma, isso contribuiu para os medos que ele sentiu em relação a você. Ele temia não ser bom o suficiente, temia te decepcionar.”

Mariana sentiu uma onda de compaixão pelo Sr. Almeida. Ele, assim como Rafael, carregava um fardo de arrependimentos.

“Eu não sabia disso.” Ela murmurou.

“Pois é. E ele também não falava muito sobre isso. Era um garoto orgulhoso. Mas agora… agora ele está diferente. Mais maduro. E arrependido. Muito arrependido, Mariana.” O Sr. Almeida fez uma pausa, olhando para as mãos. “Ele me disse que se arrepende amargamente de ter te deixado. Que você foi o amor da vida dele, e que ele arruinou tudo.”

Aquelas palavras, vindas do pai de Rafael, soaram com uma força especial. Era a confirmação de que o amor que ela sentira não fora unilateral, que a dor que ela sentira não fora em vão.

“Eu também sofri muito, Sr. Almeida.” Mariana disse, a voz embargada. “Aquele sumiço… ele me destruiu.”

“Eu sei, querida. E sinto muito por isso. De verdade.” Ele estendeu a mão sobre a mesa, e Mariana, hesitando por um instante, a pegou. A mão dele era firme, mas também carregava a fragilidade da idade. “Rafael me pediu para te procurar. Ele disse que queria que você soubesse que, apesar de tudo, ele nunca te esqueceu. Que a lembrança de você sempre o acompanhou.”

Um turbilhão de sentimentos a invadiu. A esperança, a dor, a raiva, a compaixão. Tudo se misturava, criando uma confusão emocional que ela não sabia como decifrar.

“E o que ele quer agora?” Mariana perguntou, a voz firme, mas com um tom de incerteza.

“Ele quer uma chance, Mariana. Uma chance de tentar reconquistar o seu coração. De te mostrar que ele é um homem diferente. Que ele aprendeu com os erros do passado.” O Sr. Almeida apertou levemente a mão dela. “Eu sei que não sou eu quem deve dizer isso, mas… eu sempre vi o quanto vocês se amavam. E o quanto você é uma mulher incrível. Você merece ser feliz.”

Mariana retirou a mão lentamente, a mente em turbilhão. Uma chance? Reconquistar seu coração? Era tentador, sim. A lembrança dos dias felizes, da paixão que os consumiu, ainda era vívida. Mas a dor, as cicatrizes, eram reais.

“Sr. Almeida, eu… eu preciso pensar.” Ela disse, a voz trêmula. “Eu passei anos tentando me curar. E agora, de repente, tudo isso…”

“Eu entendo, Mariana. E eu não vou te pressionar.” Ele se levantou, o porte elegante voltando ao seu semblante. “Apenas saiba que Rafael está empenhado em mudar. E que eu, como pai, estou aqui para apoiá-lo. E para torcer por vocês dois.”

Ele se dirigiu à porta, e antes de sair, parou e se virou. “Ah, e uma coisa. Rafael está morando em uma casa antiga que pertenceu à nossa família, perto da praia. Ele tem passado muito tempo lá, tentando se reconectar com as coisas que o fazem feliz. Talvez… talvez você queira dar uma olhada um dia. Sem compromisso, é claro.”

Com um último olhar de compreensão, o Sr. Almeida deixou o escritório, deixando Mariana sozinha, imersa em pensamentos conflitantes. A sombra de um passado inconveniente, que ela pensava ter deixado para trás, havia retornado com força total, lançando uma nova luz sobre a complexidade do amor, da perda e da possibilidade de um recomeço. A porta que ela acreditava ter fechado para sempre parecia ter sido entreaberta, e a tentação de espiar o que havia do outro lado era quase insuportável.

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