Cap. 18 / 21

O Amor que Perdi

Capítulo 18 — A Tempestade Interior e o Porto Seguro de Daniel

por Valentina Oliveira

Capítulo 18 — A Tempestade Interior e o Porto Seguro de Daniel

O silêncio que se seguiu às palavras de Sofia era ensurdecedor. Isabella sentiu o sangue gelar em suas veias. A imagem de Gabriel, o homem que ela amara incondicionalmente, que prometera um futuro a dois, agora estava manchada pela mais cruel das traições. Não era apenas o abandono, era a manipulação, a mentira deslavada que a atingiu com a força de um furacão. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela lutou para contê-las, para não dar a Sofia a satisfação de vê-la desmoronar.

Gabriel, pálido e abalado, virou-se para Sofia, seus olhos cheios de incredulidade e repulsa. "Como você pôde?", ele sussurrou, a voz quebrada.

Sofia deu de ombros, com uma indiferença calculada. "Eu fiz o que era preciso para ter você, meu amor. E você, meu bem, se entregou." Ela lançou um olhar triunfante para Isabella, que se encolheu com a intensidade daquele olhar.

Dona Helena, com sua dignidade inabalável, interveio. "Sofia, Gabriel, acho que a festa acabou para vocês. Por favor, retirem-se."

Sem dizer mais nada, Gabriel agarrou o braço de Sofia e a arrastou para fora do salão, deixando para trás um rastro de constrangimento e fofocas. Clara, com os olhos marejados, correu para abraçar Isabella.

"Isabella, me desculpe", ela soluçou. "Eu não queria que as coisas fossem assim."

"Não, Clara. A culpa não é sua", Isabella disse, a voz trêmula. "A culpa é dele. E dela." Ela olhou para Daniel, que se aproximara discretamente. Seus olhos transmitiam preocupação e compaixão.

O burburinho na festa recomeçou, mas Isabella já não se importava. A dor era avassaladora. Ela sentiu o chão tremer sob seus pés, uma tontura que a desorientou. As lágrimas que ela tentara reprimir agora rolavam livremente por seu rosto.

"Eu preciso ir", ela sussurrou para Daniel.

Ele assentiu, sem fazer perguntas. Com a delicadeza de quem carrega um tesouro frágil, ele a guiou para fora do salão, para o ar fresco da noite. Dona Helena os observou partir, um misto de tristeza e orgulho em seu olhar.

Do lado de fora, longe dos olhares curiosos, Isabella finalmente permitiu que a dor a consumisse. Ela se encolheu em uma cadeira de vime no jardim, chorando baixinho. Daniel sentou-se ao seu lado, oferecendo o silêncio reconfortante que ela precisava. Ele não tentou beijá-la, não a pressionou. Apenas ficou ali, uma presença sólida em meio à sua fragilidade.

"Eu o amei tanto, Daniel", ela soluçou, a voz embargada. "Eu acreditei em cada palavra, em cada promessa. E ele… ele me usou. Ele planejou tudo. Tudo."

Daniel colocou um braço em volta dos ombros dela, puxando-a para perto. Isabella se aninhou em seu abraço, buscando o calor e a segurança que ele oferecia. Era um abraço de amigo, de protetor, e, talvez, de algo mais.

"Eu sei que dói, Isabella", ele disse suavemente. "Mas você é mais forte do que imagina. E você não está sozinha."

Eles ficaram ali por um longo tempo, abraçados, enquanto as lágrimas de Isabella gradualmente diminuíam, substituídas por um cansaço profundo. O perfume das flores noturnas pairava no ar, mas Isabella mal o notava. Sua mente estava em um turbilhão de mágoa e desilusão.

"Por que ele fez isso? Por que ela?", ela perguntou, a voz um sussurro.

Daniel apertou-a um pouco mais. "Algumas pessoas são movidas pela ambição, Isabella. Outras, pela maldade. Mas isso não define quem você é."

Ela ergueu a cabeça e olhou para ele. O luar banhava o rosto de Daniel, realçando a gentileza em seus olhos. Havia uma profundidade ali que a atraía, uma calma que contrastava com o caos em sua alma.

"Eu pensei que o amava", ela disse, com uma sinceridade dolorosa. "Mas eu acho que amava a ideia dele, as promessas dele. Não o homem real."

"E é um aprendizado doloroso, mas necessário", Daniel respondeu. "Agora você sabe. E saber é o primeiro passo para seguir em frente."

Ele tirou uma mecha de cabelo do rosto dela, com um gesto carinhoso que fez o coração de Isabella dar um salto. Seus olhares se encontraram, e naquele momento, sob o céu estrelado de Paraty, uma nova conexão se forjava entre eles. Não era o amor avassalador e idealizado que ela sentira por Gabriel, mas algo mais sereno, mais real. Uma amizade que se transformava em algo mais profundo, construída sobre a dor, a verdade e a compaixão.

"Obrigada, Daniel", ela disse, a voz ainda embargada, mas com um fio de esperança. "Por estar aqui. Por não ter ido embora."

"Eu nunca iria embora, Isabella", ele respondeu, o olhar firme. "Você é importante para mim."

Ele a ajudou a se levantar. Juntos, eles caminharam de volta para a casa de Dona Helena, agora em silêncio. A festa estava esvaziando, os convidados se despedindo, mas para Isabella, a noite ainda reservava o início de uma jornada. A jornada para curar as feridas, para reconstruir sua autoestima e, quem sabe, para descobrir um novo amor, um amor que não fosse construído sobre mentiras, mas sobre a força da verdade e a solidez de um porto seguro. A tempestade interior ainda estava ali, mas, pela primeira vez em muito tempo, Isabella sentiu que não estava sozinha para enfrentá-la. Daniel era a âncora que a impedia de afundar.

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