Cativada pelos seus Olhos II

Cativada pelos seus Olhos II

por Isabela Santos

Cativada pelos seus Olhos II

Por Isabela Santos

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Capítulo 1 — A Sombra do Passado e o Brilho Inesperado

O sol escaldante do Rio de Janeiro castigava o asfalto, refletindo em ondas de calor que dançavam sobre a Avenida Atlântica. Mas para Helena Albuquerque, a brasa mais ardente não vinha do céu, mas do âmago de suas memórias. O aroma salgado do mar, que deveria trazer paz, agora parecia carregar o perfume fantasmagórico de um tempo que ela lutava para esquecer. Estacionou seu elegante sedã preto em frente ao Copacabana Palace, o coração batendo em um ritmo descompassado, uma sinfonia de receio e um vislumbre teimoso de esperança.

Ela havia aceitado o convite para o evento beneficente com um misto de relutância e um senso de dever. Dona de uma das maiores imobiliárias do país, Helena era uma figura pública, acostumada a multidões e holofotes. Contudo, o glamour mascarava uma alma ferida, marcada por uma traição que a transformara em uma fortaleza de gelo. Há cinco anos, o escândalo envolvendo seu noivo de longa data e sua própria irmã mais nova a arremessou em um abismo de desilusão. Desde então, o amor se tornara uma palavra proibida em seu vocabulário, um luxo que ela não se permitia mais.

Ao descer do carro, a brisa marinha chicoteou seus cabelos escuros, soltos em ondas suaves. Vestia um longo vestido de seda azul-marinho, que realçava a elegância nata de sua figura esguia. Seus olhos, de um verde profundo, escondiam a intensidade de uma alma resiliente, mas também a melancolia de quem já amou demais e foi dilacerada. Naquele salão luxuoso, onde o burburinho de vozes elegantes se misturava ao som suave de um quarteto de cordas, ela se sentia como um cisne solitário em meio a um cardume de pavões.

"Helena! Que alegria te ver por aqui!" A voz vibrante de Dona Clotilde, uma das organizadoras do evento e uma amiga de longa data de sua falecida mãe, a tirou de seus devaneios. A senhora, impecável em seu traje de gala, abraçou-a com calor. "Você está deslumbrante, minha querida. O dever nos chama, mas nunca esquece a vida."

"Dona Clotilde, a senhora sabe que não perco uma causa tão nobre", respondeu Helena, forçando um sorriso. "E o senhor Antônio, nosso anfitrião, sempre com eventos de tirar o fôlego."

"Ah, Antônio... Ele tem se esforçado para trazer um novo fôlego para a fundação. E para o Rio, devo dizer." Dona Clotilde piscou com cumplicidade. "Mas vamos, há pessoas que você precisa rever. E talvez... conhecer."

Enquanto Dona Clotilde a conduzia pelo salão, Helena tentava manter a compostura, acenando polidamente para conhecidos, desviando de olhares curiosos. Ela era a empresária implacável, a mulher que construiu um império do zero, mas em noites como essa, a fragilidade de Helena Albuquerque, a mulher, sempre ameaçava emergir.

Foi então que seus olhos, em um movimento quase involuntário, pousaram em um homem que estava do outro lado do salão. Ele conversava com um grupo animado, sua risada ressoando clara e envolvente. Alto, com cabelos castanhos levemente rebeldes e um porte que irradiava confiança, ele chamou sua atenção de uma forma que ela não sentia há anos. Havia algo em seu olhar, mesmo à distância, que a intrigava. Uma profundidade, uma vivacidade que parecia desafiar a superficialidade do ambiente.

"Ah, esse é o nosso novo patrocinador principal, Helena. Um empresário do ramo de tecnologia, Ricardo Montenegro. Veio de São Paulo há poucos meses e já está causando um rebuliço por aqui. Um homem de visão, dizem todos." Dona Clotilde pareceu notar o interesse de Helena. "Ele está fazendo um discurso daqui a pouco, sobre o futuro da inovação e como ela pode transformar vidas."

Helena não respondeu imediatamente. Seus olhos continuavam fixos em Ricardo. Ele se virou na direção dela, e por um instante fugaz, seus olhares se cruzaram. Um arrepio percorreu sua espinha. Havia uma intensidade naquele contato visual que a desarmou. Ele sorriu, um sorriso genuíno que iluminou seu rosto, e Helena sentiu seu coração tropeçar. Ela desviou o olhar rapidamente, sentindo o rosto corar levemente, uma reação que a irritou profundamente. Ela não era mais a jovem ingênua que se deixava levar por um olhar.

"Ele parece... interessante", murmurou, mais para si mesma do que para Dona Clotilde.

"Interessante é pouco, querida. Dizem que ele é um lobo em pele de cordeiro. Sabe o que quer e como conseguir", respondeu Dona Clotilde, um tom de brincadeira em sua voz. "Mas vamos, o Antônio está nos esperando. E você não quer perder a introdução do Ricardo, quer?"

Helena permitiu que Dona Clotilde a guiasse em direção ao palco improvisado. Enquanto caminhava, seus pensamentos vagavam. Ricardo Montenegro. O nome ecoava em sua mente. Havia algo nele que a atraía e a assustava ao mesmo tempo. Uma força que parecia familiar, mas ao mesmo tempo, completamente nova.

A palestra de Ricardo Montenegro começou. Sua voz era firme e cativante, seus argumentos, inteligentes e inspiradores. Ele falava sobre como a tecnologia poderia ser uma ferramenta para empoderar comunidades, para conectar pessoas, para construir um futuro mais justo. Helena, inicialmente cética, encontrou-se cada vez mais envolvida. Ele não era apenas um empresário de sucesso; ele era um visionário. E seus olhos, aqueles mesmos olhos que ela vislumbrara à distância, agora brilhavam com paixão enquanto ele falava sobre suas ideias.

Ao final do discurso, o salão explodiu em aplausos. Ricardo Montenegro, agora cercado por admiradores, manteve um sorriso cordial. Helena sentiu um impulso irresistível de se aproximar, de falar com ele. Mas a cautela, a cicatriz de suas experiências passadas, a impedia.

"Magnífico, não é?", comentou Dona Clotilde, percebendo a admiração nos olhos de Helena. "Tenho a sensação de que você e o senhor Montenegro teriam muito o que conversar, Helena. Afinal, você também constrói o futuro, à sua maneira."

Helena apenas sorriu, um sorriso melancólico. Ela se perguntava se aquele homem, com toda a sua energia e visão, poderia enxergar além da armadura que ela havia construído em torno de seu coração. Ela se perguntava se, por trás daqueles olhos tão expressivos, havia espaço para a vulnerabilidade. E, mais perigosamente, ela se perguntava se ela seria capaz de se permitir ser vista. A noite estava apenas começando, e a sombra do passado de Helena parecia, pela primeira vez em muito tempo, ser gentilmente afastada por um brilho inesperado.

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