Cativada pelos seus Olhos II

Cativada pelos seus Olhos II

por Isabela Santos

Cativada pelos seus Olhos II

Autor: Isabela Santos

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Capítulo 21 — O Refúgio na Tempestade e a Confissão Silenciosa

O ar da noite em Campos do Jordão trazia consigo um frio cortante, um prenúncio do inverno que se aproximava, mas para Helena, o gelo mais penetrante vinha de dentro. A imagem do olhar de Rafael, misto de dor e repreensão, ecoava em sua mente, cada vez mais nítida após a revelação bombástica de Laura. O segredo que ela guardava, com unhas e dentes, para proteger o homem que amava, agora parecia um veneno que a consumia por dentro, envenenando a própria essência do seu amor.

Ela se encolheu mais contra o vidro gelado da janela do chalé alugado, observando a chuva fina que começava a cair, como se o céu chorasse junto com a sua alma. A vista das montanhas envoltas em neblina era bela, mas Helena não conseguia apreciar a paisagem. Seus pensamentos estavam presos em um emaranhado de culpa, medo e um desejo avassalador de reverter o tempo, de apagar aquelas palavras que haviam rasgado o véu da felicidade que ela tanto lutara para construir.

Rafael. O nome dele era um sussurro constante em seus lábios, um lamento que escapava em suspiros roucos. Ela o amava com uma intensidade que a assustava, um amor que havia florescido em meio à adversidade, nutrido pela cumplicidade e pela entrega mútua. E agora, ela havia se tornado a fonte da sua dor. Como poderia explicar a ele que sua omissão, sua mentira, fora um ato de desespero, uma tentativa, por mais equivocada que fosse, de protegê-lo?

Laura, com sua crueldade calculada, havia plantado a semente da dúvida e da desconfiança no coração de Rafael. Helena sabia disso. A revelação sobre o envolvimento de seus pais na ruína da família dele não era apenas uma informação, era uma arma, e Laura a havia disparado com precisão cirúrgica. Helena não podia culpá-la por querer expor a verdade, mas a forma como foi feito, a manipulação sutil e o momento escolhido, tudo parecia orquestrado para causar o máximo de estrago.

Um arrepio percorreu seu corpo, não apenas pelo frio. Ela se lembrou da conversa com Fernando. Ele, com sua sabedoria peculiar e um olhar que parecia enxergar através das aparências, havia tentado alertá-la sobre os perigos que a cercavam. Ele sabia que Laura não descansaria, que ela buscaria vingança. Mas Helena, cega pela paixão e pela confiança em Rafael, havia minimizado as ameaças. Agora, a sombra de Laura pairava sobre eles, e o futuro parecia incerto, sombrio.

Ela se levantou e começou a andar pelo quarto, o som de seus passos ecoando no silêncio. Precisava pensar. Precisava encontrar uma forma de consertar o que havia quebrado. Mas como? As palavras de Rafael, antes de ela fugir para o refúgio em Campos, martelavam em sua mente: "Você me mentiu, Helena. Você sabia e não me disse nada. Por quê?"

A resposta era simples, mas dolorosa: por amor. Por medo de perdê-lo. Por acreditar que, de alguma forma, a verdade completa seria um fardo insuportável para ele, um fardo que ela queria poupá-lo. Mas agora, o fardo era dela, e o preço era a confiança de Rafael.

Ela parou em frente a um pequeno espelho na cômoda. Seu reflexo mostrava uma mulher abatida, os olhos inchados de tanto chorar, a pele pálida sob a luz fraca do abajur. Onde estava a Helena determinada, a mulher que lutava com unhas e dentes por seus ideais, por seu amor? A fragilidade que sentia era assustadora.

Um pensamento persistente a assaltou: e se Rafael nunca a perdoasse? E se ele a visse como mais uma traidora, uma mulher que se aproveitou dele? A possibilidade era um golpe ainda mais cruel do que o silêncio que se instalou entre eles.

Ela se aproximou da poltrona perto da lareira apagada e afundou-se nela, abraçando os joelhos contra o peito. O abraço era um consolo tênue contra o turbilhão de emoções. Lá fora, a chuva engrossava, batendo nas vidraças com a mesma violência com que as lembranças açoitavam sua alma.

De repente, um som a fez erguer a cabeça. Uma batida suave na porta. Seu coração disparou. Quem poderia ser? Impossível ser Rafael. Ele não a encontraria ali tão facilmente. A menos que…

Com as mãos trêmulas, ela se aproximou da porta e espiou pelo olho mágico. Seus olhos se arregalaram em surpresa. Era Fernando.

Ela hesitou por um momento. Fernando era o único que parecia entender as complexidades da situação, o único que não a julgava. Mas ela estava em um estado de vulnerabilidade tão grande que o medo de ser vista assim, tão frágil, a paralisava.

Finalmente, ela respirou fundo e destrancou a porta. Fernando entrou, um guarda-chuva molhado pingando no tapete. Ele a olhou com uma expressão de preocupação genuína.

"Helena. Achei que pudesse precisar de alguém", disse ele, a voz calma e reconfortante.

Ela apenas assentiu, incapaz de articular uma palavra. Ele entrou, fechou a porta e a observou por um instante.

"Rafael está preocupado", ele disse, escolhendo as palavras com cuidado. "Ele veio até mim, pedindo para que eu te encontrasse. Ele… ele não quer acreditar no que Laura disse."

Helena sentiu um alívio misturado com uma dor aguda. Rafael estava preocupado. Mas a desconfiança ainda estava lá, a semente plantada por Laura.

"Eu não queria que isso acontecesse, Fernando", ela sussurrou, a voz embargada. "Eu juro. Eu só… eu queria protegê-lo."

Fernando se aproximou dela, o olhar compreensivo. "Eu sei, Helena. Eu sei. Mas às vezes, a verdade, por mais dolorosa que seja, é o único caminho."

Ele sentou-se em uma poltrona próxima, observando a chuva. "Laura é perigosa. Ela usa as fraquezas alheias como armas. E ela sabia que o envolvimento de seus pais seria um golpe devastador para Rafael. Ela não hesitou em usá-lo."

Helena sentou-se novamente, o corpo exausto. "Eu sinto que falhei com ele. Eu falhei com nós dois."

"Não se culpe demais, Helena", Fernando a consolou. "Você agiu com o que acreditava ser o melhor na hora. Agora, o importante é como vocês vão lidar com isso. Rafael precisa ouvir de você. Ele precisa entender o seu lado."

O silêncio se instalou entre eles, quebrado apenas pelo som da chuva. Helena sabia que Fernando estava certo. Ela não podia se esconder para sempre. Rafael merecia a verdade, a explicação completa, mesmo que isso significasse arriscar tudo.

"Eu não sei se ele vai me ouvir", ela disse, a voz fraca.

"Ele te ama, Helena", Fernando insistiu. "E o amor dele é forte. Ele só precisa de tempo para processar, para entender. E você precisa dar a ele essa chance. E eu estou aqui para ajudar no que for preciso."

Um fio de esperança, por mais tênue que fosse, começou a se acender em seu peito. A tempestade lá fora parecia diminuir um pouco, e talvez, apenas talvez, houvesse uma chance de acalmar a tempestade que a consumia por dentro. Ela olhou para Fernando, um misto de gratidão e medo em seus olhos. A jornada seria longa e árdua, mas pela primeira vez desde que a verdade foi revelada, ela sentiu que não estava completamente sozinha. Ela precisava reunir toda a sua força, toda a sua coragem, para enfrentar Rafael novamente e lutar pelo amor que eles construíram.

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