Destinos Entrelaçados II

Destinos Entrelaçados II

por Valentina Oliveira

Destinos Entrelaçados II

Autor: Valentina Oliveira

Capítulo 16 — O Refúgio na Tempestade

O silêncio da madrugada em Campos do Jordão era uma tapeçaria de sons sutis: o farfalhar das folhas de araucária ao vento, o murmúrio distante de um riacho e, mais próximo, o som ritmado da respiração de Clara, adormecida em seus braços. A noite havia caído como um véu denso sobre a cidade, abafando as cores vibrantes e mergulhando tudo em tons de azul e prata sob a luz fantasmagórica da lua. Miguel acariciava os cabelos castanhos de Clara, sentindo cada fio contra a pele de seus dedos, um gesto que se tornara um ritual de consolo e amor desde que ela havia encontrado refúgio em sua casa.

O dia anterior tinha sido um turbilhão. A fuga de São Paulo, a adrenalina pulsante em suas veias, a incerteza assustadora do futuro pairando sobre eles como uma nuvem de tempestade. Clara, ainda pálida e trêmula, tinha contado a Miguel sobre a crueldade de Sofia, a manipulação fria e calculista que a levara à beira do desespero. As lágrimas que rolaram por seu rosto eram de dor, de traição, mas também de um alívio contido por ter finalmente escapado da teia de mentiras que a sufocava. Miguel ouvira em silêncio, sua raiva borbulhando como lava sob a superfície calma, mas seu foco principal era a mulher que se aninhava contra ele, buscando proteção.

Ele a trouxera para sua antiga casa de campo em Campos do Jordão, um lugar que guardava memórias de infância, de verões despreocupados, de paz. Ali, longe dos olhos vigilantes de Sofia e dos perigos que a espreitavam na cidade, esperava poder protegê-la, dar-lhe tempo para se curar.

"Você está acordada?", sussurrou Miguel, sentindo um leve movimento de Clara em seus braços.

Ela abriu os olhos lentamente, a escuridão mal obscurecendo o brilho suave que eles emitiam. Seus olhos encontraram os dele, e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. "Não consegui dormir. Estava pensando em tudo."

"Eu sei", disse ele, acariciando sua face com o polegar. "Mas agora você está segura. É o que importa."

"Segura… mas por quanto tempo, Miguel? Sofia não vai desistir. Ela é implacável." A voz de Clara estava carregada de apreensão, um fio de medo que nem mesmo o calor do abraço de Miguel conseguia dissipar completamente.

"Não vamos pensar nela agora", respondeu ele, apertando-a um pouco mais. "Vamos focar em nós. Em você."

Ele se afastou um pouco para poder olhá-la melhor. A pouca luz que entrava pela janela realçava as linhas de exaustão em seu rosto, mas também a beleza delicada que ele tanto amava. Ela parecia uma flor frágil, exposta a uma tempestade, mas ele estava ali para ser o seu escudo.

"Quero que você se lembre de que, aconteça o que acontecer, você não está sozinha", disse Miguel, sua voz firme e cheia de convicção. "Eu estou aqui. E eu nunca vou te abandonar."

Clara encostou a testa na dele, sentindo a força emanar dele. "Eu sei que você está. E isso… isso me dá tanta força." Ela hesitou, então adicionou em um sussurro: "Eu te amo, Miguel. Mais do que imaginei ser possível."

As palavras dela ecoaram no silêncio, um bálsamo para a alma dele. Ele fechou os olhos por um instante, absorvendo a declaração, a verdade inegável que os unia. "Eu também te amo, Clara. Desde o primeiro momento em que te vi." Ele a beijou suavemente nos lábios, um beijo que prometia proteção, paixão e um futuro, mesmo que incerto.

A manhã chegou com a promessa de um novo dia, mas também com a sombra da realidade pairando. O café da manhã foi servido pela caseira de Miguel, Dona Helena, uma senhora de fala mansa e olhar acolhedor que parecia pressentir a fragilidade de Clara sem fazer perguntas. O cheiro de pão fresco e café passado preencheu a cozinha rústica, trazendo um toque de normalidade a um momento tão anormal.

Clara observava Miguel enquanto ele cortava fatias de queijo, a luz suave da manhã banhando seu rosto. Ele se movia com uma segurança tranquila, um contraste gritante com o caos que eles haviam deixado para trás. Ele parecia forte, capaz de enfrentar qualquer coisa, e ela se sentia grata por ter essa força ao seu lado.

"Você precisa comer, Clara", disse Miguel, colocando um prato à sua frente. "Você não pode ficar fraca agora."

Ela assentiu, pegando uma fatia de pão. A comida parecia sem gosto, mas ela se esforçou para comer. Cada garfada era um pequeno ato de resistência contra o medo que ainda a assombrava.

"Você pensou no que vamos fazer?", perguntou ela, a voz baixa, olhando para o seu prato.

Miguel suspirou levemente, seus olhos encontrando os dela. "Eu tenho alguns contatos em São Paulo. Pessoas que podem nos ajudar a coletar mais provas contra Sofia. Precisamos de algo concreto, algo que a impeça de tentar nos separar novamente."

"Mas como? Ela tem muito poder. Ela pode manipular tudo e todos." O desespero de Clara começava a transparecer.

"É aí que entra o nosso plano", disse Miguel, sua voz assumindo um tom mais sério. "Eu estive pensando muito. Precisamos ser mais espertos do que ela. Precisamos usá-la contra si mesma." Ele se inclinou para a frente, seus olhos fixos nos dela. "Sofia acredita que tem controle sobre tudo. Que você está completamente sob o controle dela. Precisamos jogar com essa crença."

Clara o ouviu atentamente, seus olhos fixos nos dele, absorvendo cada palavra.

"Você vai fingir que está se rendendo a ela", continuou Miguel. "Vai dizer que está disposta a voltar, a fazer o que ela quer, desde que ela a deixe em paz e te dê o que ela prometeu. Isso vai abaixar a guarda dela. E enquanto isso, eu vou estar trabalhando com meus contatos para reunir as provas que precisamos. Vamos pegá-la de surpresa."

A ideia parecia arriscada, perigosa até. Clara sentiu um frio na espinha. Voltar para perto de Sofia, mesmo que por um breve momento, era como pisar em um campo minado. Mas ela confiava em Miguel. Se ele acreditava que era a melhor maneira, ela o seguiria.

"É arriscado", disse Clara, sua voz pouco mais que um sussurro.

"Eu sei", concordou Miguel. "Mas é o nosso único caminho agora. Se ela pensar que te tem de volta, ela vai relaxar. E nesse momento, ela estará mais vulnerável."

Ele pegou a mão dela, apertando-a com carinho. "Eu vou estar com você em cada passo, Clara. Eu não vou te deixar sozinha em nenhum momento. Se alguma coisa der errado, eu estarei lá para te tirar de lá."

Clara olhou para ele, a sinceridade em seus olhos dissipando um pouco do medo. Ela sabia que ele a amava e que faria de tudo para protegê-la. A força que ele emanava era contagiante.

"Eu confio em você, Miguel", disse ela, apertando a mão dele de volta. "Vamos fazer isso."

Enquanto o sol subia no céu, banhando as montanhas em luz dourada, Clara sentiu um vislumbre de esperança. A tempestade ainda pairava, mas ali, naquele refúgio, com Miguel ao seu lado, ela sentia que poderia enfrentá-la. O caminho seria tortuoso, repleto de perigos, mas juntos, eles iriam desvendar a rede de mentiras e encontrar a verdade que os libertaria. O amor deles, nascido em meio ao caos, agora se tornava a sua maior fortaleza.

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