Destinos Entrelaçados II

Capítulo 2 — O Retorno ao Cenário de Um Amor Perdido

por Valentina Oliveira

Capítulo 2 — O Retorno ao Cenário de Um Amor Perdido

A notícia ecoou nos corredores de mármore da galeria em São Paulo como um trovão inesperado. Helena, imersa em um mar de propostas de arte e negociações complexas, sentiu o chão sumir sob seus pés. Rafael. Expondo novamente. E na sua cidade natal. Não era apenas um reencontro; era um chamado, um convite direto do destino para revisitar as ruínas de um amor que ela, a pragmática diretora, tentava com todas as forças esquecer.

"Não acredito, Clara!", Helena exclamou, sua voz carregada de uma mistura de choque e incredulidade. "Você tinha que me contar isso agora? Bem no meio da feira de arte de Curitiba?"

Clara deu de ombros, com um sorriso que dizia "eu avisei". "Você pediu para eu te contar tudo. E isso é grande, Helena! Uma exposição inteira dedicada a ele. Dez anos de trabalho, desde... bem, desde você."

Helena se recostou na cadeira de couro preto, fechando os olhos por um instante. Dez anos. Uma década. Parecia uma eternidade, mas a imagem de Rafael, com seus olhos intensos e mãos calejadas de tinta, era tão vívida como se tivesse sido ontem. Ele era a explosão de cor em sua vida monocromática, o caos que a fez questionar a ordem que ela própria havia imposto.

"Ele nunca mais quis saber de exposições grandes desde...", Helena começou, a voz embargada.

"Desde a nossa", Clara completou, compreensiva. "Ele se fechou. Mergulhou no trabalho. Ouvi dizer que ele se mudou para um vilarejo no Nordeste por um tempo, vivendo como um eremita, pintando o que lhe vinha à alma."

"E agora ele volta. Assim. Para o Rio. Para o batizado da Sofia." Helena balançou a cabeça. O Rio de Janeiro, a cidade que guardava as melhores e as piores lembranças de seu amor por Rafael. O apartamento onde dividiram os primeiros sonhos, as praias onde se perderam em beijos apaixonados, os becos de Santa Teresa onde ele pintava livremente. Tudo ressuscitava com a menção do seu nome.

"É o destino, Helena. Ele está te chamando de volta." Clara brincou, mas havia um fundo de verdade em suas palavras.

Helena suspirou. "O destino tem um senso de humor cruel, Clara. E eu não sei se estou pronta para rir com ele."

A viagem de volta para São Paulo foi silenciosa. A brisa do mar de Copacabana, que antes a acalentava, agora parecia zombeteira, carregando as promessas desfeitas e os ecos de um amor que, para ela, era um capítulo encerrado. Ou assim ela tentava acreditar.

Nos dias que se seguiram, Helena se viu dividida. Sua mente profissional, afiada e lógica, exigia que ela se concentrasse em seus compromissos. Mas seu coração, esse traidor teimoso, se recusava a ignorar o chamado. Ela buscava informações sobre a exposição, sobre Rafael. Uma busca sutil, disfarçada em interesse profissional. Descobriu que a exposição seria em uma galeria de arte em Ipanema, um lugar que ela e Rafael frequentavam quando estavam juntos. O destino parecia estar deliberadamente jogando sal na ferida.

Uma semana antes do batizado, Helena estava em seu escritório, revisando os detalhes de uma nova aquisição para a galeria, quando seu telefone tocou. Era Clara.

"Mana, você não vai acreditar!", a voz de Clara estava transbordando de euforia. "Encontrei com o Rafael hoje! Ele está em forma, mais lindo do que nunca! E ele perguntou por você!"

Helena sentiu seu coração disparar. "Perguntou por mim? O que ele disse?"

"Disse que esperava que você estivesse no Rio para o batizado. E que adoraria te ver. Helena, ele parecia... ansioso." Clara fez uma pausa. "Você vai, né? Para a exposição?"

Helena não respondeu imediatamente. A ansiedade era um sentimento que ela conhecia bem. Era o que ela sentia agora, um nó no estômago, uma mistura de medo e expectativa. "Eu vou, Clara. Tenho que ir. Pela Sofia."

"Pela Sofia e por você, Helena. Não se engane."

A noite da exposição chegou como uma maré alta, trazendo consigo a turbulência de memórias e emoções reprimidas. Helena escolheu um vestido preto elegante, discreto, mas que realçava sua figura esguia. Seus cabelos, geralmente presos em um coque impecável, estavam soltos, caindo em ondas suaves sobre seus ombros. Ela queria parecer profissional, indiferente. Mas por dentro, o vulcão de sentimentos estava prestes a entrar em erupção.

Ao chegar na galeria, o burburinho de convidados, o aroma de vinho e o brilho das obras de arte a envolveram. A galeria era charmosa, com paredes claras e iluminação estratégica que valorizava cada tela. E então, ela os viu. As obras de Rafael. Cores vibrantes, traços fortes, a marca inconfundível de sua genialidade e de sua alma turbulenta. Havia paisagens do Rio, retratos intensos, abstratos que gritavam paixão e dor.

E então, em meio à multidão, seus olhares se cruzaram. Rafael. Ele estava ali, perto de uma de suas telas, conversando com um crítico. Mais maduro, com rugas finas ao redor dos olhos que lhe conferiam um ar de sabedoria e experiência, mas com a mesma intensidade que ela lembrava. Seus cabelos, antes negros e rebeldes, agora tinham alguns fios grisalhos nas têmporas, mas o brilho em seus olhos era o mesmo. Aquele brilho que um dia a consumiu.

O tempo pareceu parar. O barulho da galeria se dissolveu, restando apenas o som da sua própria respiração acelerada. Rafael sorriu, um sorriso que alcançou seus olhos, e Helena sentiu um aperto no peito, um misto de nostalgia e apreensão. Ele se afastou do grupo e caminhou em sua direção, com passos firmes e deliberados.

"Helena", sua voz era um murmúrio grave, carregado de emoção contida. "Eu sabia que viria."

Ela tentou responder, mas as palavras se perderam em sua garganta. Sentiu o cheiro familiar de terebintina e algo mais, algo inebriante que a fez prender a respiração.

"Rafael", ela finalmente conseguiu dizer, sua voz mais baixa do que o esperado. "Parabéns pela exposição. É... impressionante."

Ele a olhou com uma profundidade que a desarmou. "Obrigado. Mas nada se compara à beleza que vi em seus olhos há dez anos."

As palavras dele a atingiram como um raio. Dez anos. Aquele olhar intenso, o mesmo que a fizera se perder nele, agora a encarava com uma fome que ela pensava ter sido extinta. Ela desviou o olhar, buscando refúgio nas cores vibrantes da tela atrás dele.

"Éramos jovens", ela disse, sua voz tentando soar fria e distante. "E impulsivos."

"E apaixonados", ele completou, dando um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. "Não se esqueça disso, Helena."

O convite para a exposição, o batizado de Sofia, o retorno de Rafael ao Rio. Tudo parecia convergir para um único ponto: o reencontro de duas almas que haviam sido entrelaçadas pelo destino e separadas pela vida. Helena sabia que aquele reencontro não seria fácil, mas, de alguma forma, ela sentiu que não poderia mais fugir. O rio da vida, que ela tanto tentara controlar, agora a levava de volta para o mar de suas próprias emoções, em direção a um homem que era a personificação de tudo o que ela um dia amou e temeu.

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