Destinos Entrelaçados II

Capítulo 6

por Valentina Oliveira

Absolutamente! Prepare-se para mais reviravoltas, paixões avassaladoras e o drama envolvente de "Destinos Entrelaçados II". Aqui estão os próximos cinco capítulos, escritos com a alma e o coração de um autor brasileiro:

Capítulo 6 — O Segredo emoldurado em Ouro

O sol da manhã em Ipanema, aquele dourado que parece pintar a alma das pessoas, banhava o apartamento de Helena com uma luminosidade quase cruel. A noite anterior tinha sido um turbilhão de emoções. A confissão de Miguel em Copacabana, sob o véu de estrelas indiferentes, ecoava em seus ouvidos como um mantra de esperança e desespero. Ele havia dito que a amava. Com todas as forças que lhe restavam. E a verdade, nua e crua, desvelada em meio ao aroma salgado da brisa marinha, era que Helena também sentia o mesmo. Uma corrente elétrica percorria seu corpo toda vez que seus olhares se cruzavam, uma saudade antiga que parecia ter sido apenas adormecida, e não extinta.

Mas o amor, ah, o amor, essa força indomável, vinha sempre acompanhado de suas sombras. A sombra de Clara. A imagem da mulher que fora a esposa de Miguel, a mãe de Sofia, pairava como uma névoa densa sobre a alegria incipiente que começava a brotar em seu peito. Helena sabia que Clara não era apenas uma lembrança, mas uma presença, um fantasma que assombrava cada canto da vida de Miguel. E, por extensão, agora, da vida dela.

“Mãe?” A voz suave de Sofia, ainda com o resquício do sono, a tirou de seus devaneios. A menina, com seus cachos escuros em desalinho e os olhos verdes ainda semicerrados, apareceu na porta da sala, esfregando um dos olhos.

Helena sorriu, um sorriso um tanto quanto forçado, e se agachou para abraçar a filha. “Bom dia, meu amor. Dormiu bem?”

“Sim! Sonhei que eu voava com borboletas coloridas”, respondeu Sofia, com um brilho no olhar. “E você, mãe? Você parecia preocupada ontem à noite.”

O coração de Helena apertou. Aquela perspicácia da filha, uma herança talvez do pai, era ao mesmo tempo encantadora e perturbadora. Como explicar a uma criança de seis anos a complexidade dos sentimentos de um adulto? Como dizer a ela que o homem que ela tanto admirava, o homem que era quase um pai para ela, ainda estava preso a um amor do passado, a um amor que Helena também sentia?

“Só estava pensando em algumas coisas, meu amor. Coisas de gente grande”, disse Helena, tentando soar o mais leve possível. “Que tal um café da manhã especial hoje? Panquecas com frutas?”

Os olhos de Sofia se iluminaram. “Com morangos?”

“Com todos os morangos que encontrarmos!” Helena se levantou, sentindo a necessidade de se ocupar, de afastar os pensamentos sombrios. A cozinha, com seus azulejos brancos e a bancada de granito, parecia um refúgio seguro.

Enquanto preparava a massa das panquecas, Helena não conseguia se livrar da sensação de que algo mais estava por vir. Miguel havia sido sincero em sua confissão, ela sentia isso. Mas a sinceridade não garantia um caminho livre de obstáculos. Havia o passado de Miguel com Clara, a família dela, o próprio peso daquela relação que ele insistia em carregar. E, além disso, havia o enigma de Clara. O que realmente havia acontecido entre eles? Por que Miguel falava dela com tanta reverência, quase como se fosse uma santa, e ao mesmo tempo com um pesar que dilacerava a alma?

O telefone tocou, estridente, quebrando o silêncio da manhã. Era Miguel.

“Bom dia, Helena”, a voz dele, rouca de sono, a fez sentir um arrepio. “Só queria saber se você chegou bem ontem à noite.”

“Bom dia, Miguel. Cheguei sim, graças a Deus. Sofia já acordou e está animada com as panquecas.”

“Que bom. Sabe, eu não durmo direito desde que… desde que te vi de novo.” Havia uma vulnerabilidade em sua voz que desarmou Helena. “Não consigo tirar você da cabeça. Daquele dia no parque, quando você estava com a Sofia, e depois ontem à noite…”

“Miguel…” Ela sentiu o rosto esquentar. “Eu também não tenho conseguido pensar em outra coisa. É estranho, não é? Como se o tempo tivesse parado e voltado ao mesmo tempo.”

“É mais do que estranho, Helena. É como um chamado. Um chamado que eu ignorei por tantos anos, por medo, por conveniência, por tudo que se possa imaginar.” Ele fez uma pausa, e o silêncio que se seguiu era carregado de significado. “Eu preciso te contar tudo, Helena. Sobre Clara, sobre o nosso passado. Sobre por que eu não fui capaz de te procurar antes.”

O coração de Helena disparou. “O quê? O que aconteceu, Miguel?”

“Não posso falar pelo telefone. É algo que precisa ser dito olhando nos olhos. Você estaria disposta a nos encontrar hoje? Eu e Sofia, depois do almoço?”

A hesitação de Helena foi mínima. A curiosidade, a necessidade de entender, a desejo de finalmente desvendar os véus que cobriam a história de Miguel, a impulsionavam. “Sim, Miguel. Claro que sim. Onde?”

“No mesmo lugar de ontem. Naquela praça em Santa Teresa, com vista para o Cristo. Podemos conversar com calma. Sem a pressa, sem as distrações.”

“Estaremos lá. Sofia vai adorar te ver de novo.”

A conversa terminou, mas a inquietação permaneceu. Helena sabia que o que Miguel estava prestes a revelar seria crucial para o futuro deles. O segredo emoldurado em ouro, a história que ele carregava consigo, precisava vir à tona. E ela estava pronta para ouvir. Pronta para encarar o passado dele, e talvez, apenas talvez, construir um futuro juntos.

Ao olhar pela janela, o Cristo Redentor, imponente, parecia abençoar a cidade, ou talvez, lançar um olhar de advertência sobre os caminhos tortuosos do amor. Helena sentiu um misto de esperança e receio. O destino, aquele tecelão implacável, parecia estar puxando os fios de suas vidas com mais força do que nunca.

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