Destinos Entrelaçados II

Capítulo 8 — A Sombra da Inveja no Paraíso

por Valentina Oliveira

Capítulo 8 — A Sombra da Inveja no Paraíso

Os dias que se seguiram foram repletos de uma euforia contida, de um sentimento de renovação que parecia ter contagiado toda a vida de Helena e Miguel. A confissão em Santa Teresa havia sido um divisor de águas, dissipando as nuvens de incerteza e abrindo caminho para um amor mais maduro e consciente. Helena se sentia mais leve, mais confiante, e a presença constante de Miguel em sua vida, antes assustadora pela sua intensidade, agora era um porto seguro.

Sofia, por sua vez, parecia florescer sob a nova dinâmica familiar. A relação entre ela e Miguel se aprofundava a cada dia, com passeios no parque, tardes de brincadeiras e a cumplicidade que só um pai e uma filha podem ter. Helena observava tudo com um coração transbordando de felicidade, sentindo que finalmente havia encontrado o seu lugar.

O apartamento em Ipanema, antes um refúgio solitário, agora ressoava com risadas e o burburinho de uma vida compartilhada. Miguel, que antes parecia um estranho em seu espaço, agora se movia com a naturalidade de quem sempre pertenceu ali. Ele ajudava Helena a cozinhar, a colocava para dormir, e compartilhava com ela os pequenos detalhes do dia a dia. Era um paraíso, construído com os alicerces da verdade e regado com o amor.

Mas o paraíso, como a natureza ensina, raramente permanece intocado por muito tempo. Em meio a essa felicidade recém-descoberta, uma sombra sutil, mas persistente, começava a se insinuar. Era a sombra de Marina.

Marina, a melhor amiga de Clara, a confidente de seus últimos anos, parecia ter um radar apurado para qualquer sinal de felicidade que não a envolvesse diretamente. Desde que soubera do reencontro de Miguel com Helena, uma inquietação crescia em seu peito. A ideia de que Miguel, o homem que ela via como um tesouro a ser guardado para sempre, estivesse seguindo em frente com outra mulher, mexia em sua alma de uma forma que ela não conseguia controlar.

Numa tarde ensolarada, enquanto Helena e Miguel brincavam com Sofia na praia de Copacabana, a poucos metros da areia, um carro preto de luxo parou. Marina desceu, o semblante sério, a postura rígida. Ela observou a cena por um instante, a alegria contagiante da família, o abraço de Miguel em Helena, o sorriso de Sofia. Uma pontada de algo que se parecia com inveja, misturada com uma possessividade doentia, a invadiu.

Ela se aproximou, forçando um sorriso que não alcançava seus olhos. “Helena! Miguel! Que surpresa agradável!”

Helena se virou, um pouco surpresa com a aparição repentina. “Marina! Que bom te ver! Você não disse que viria nos visitar hoje?”

Marina deu uma risada curta e sem graça. “Eu… eu estava passando por aqui e vi vocês. Achei que seria uma boa oportunidade para conversarmos. Sabe, sobre… o Miguel.”

A menção de Clara pairou no ar, como um fantasma indesejado. Helena sentiu um arrepio. Ela sabia que Marina fora a amiga de Clara, mas não imaginava que essa amizade pudesse se transformar em algo tão… invasivo.

Miguel, percebendo a tensão no ar, se levantou e caminhou até Marina. “Marina, que bom te ver. Mas eu e Helena estávamos aproveitando um momento em família.”

“Eu sei, Miguel”, disse Marina, seu olhar fixo nele, com uma intensidade que fez Helena se sentir desconfortável. “Mas é justamente sobre isso que eu queria falar. Sobre como você está, sobre… a Clara.”

A menção de Clara novamente, dessa vez com uma frieza calculada, atingiu Helena em cheio. Era como se Marina quisesse lembrá-la que ali havia uma história mais antiga, mais profunda, que ela, Helena, era apenas uma intrusa.

“Marina, eu acho que você não entendeu”, Miguel disse, com firmeza. “Eu já superei o meu luto. E estou seguindo em frente.”

“Superei?”, Marina riu, com sarcasmo. “Miguel, você viveu anos em função da Clara. A memória dela é sagrada para você. E agora você… você aparece com outra mulher, como se nada tivesse acontecido?”

A voz de Marina se elevou, atraindo a atenção de algumas pessoas que passavam. Sofia, percebendo a confusão, se aproximou de Helena, agarrando sua mão com força.

Helena olhou para Marina, uma mistura de raiva e tristeza borbulhando dentro dela. “Marina, eu entendo que Clara foi importante para você. Mas você não tem o direito de ditar a vida do Miguel. Ele sofreu, ele chorou, e agora ele está encontrando a felicidade. E eu estou aqui com ele.”

“Você? Helena, você não sabe nada sobre o amor que existia entre Miguel e Clara! Você não sabe o que eles passaram juntos! Você não tem ideia do quanto ele a amava!” Marina disparou, as palavras saindo de sua boca como veneno.

Miguel interveio, sua voz agora carregada de irritação. “Marina, já chega! Você está ultrapassando todos os limites. Clara jamais aprovaria essa sua atitude. Ela sabia que a vida segue, que as pessoas precisam seguir em frente.”

“Ela disse isso para você, Miguel? Ou foi o que você quis acreditar para se livrar da culpa?” Marina retrucou, com os olhos marejados de uma raiva que parecia genuína.

Helena sentiu uma onda de proteção em relação a Miguel. Ele havia se aberto com ela, havia compartilhado sua dor mais profunda. E agora, aquela mulher, que se dizia amiga de Clara, tentava minar a felicidade deles com acusações e ressentimentos.

“Marina, eu não tenho nada a provar para você”, Helena disse, com uma calma forçada que escondia a tempestade em seu interior. “O que existe entre Miguel e eu é algo nosso. E nós não permitiremos que você interfira.”

Marina as encarou por um longo momento, seu rosto contraído em uma expressão de dor e fúria. Ela parecia não conseguir aceitar a realidade.

“Eu não vou deixar que você destrua a memória da Clara!”, ela gritou, antes de se virar abruptamente e entrar em seu carro.

O barulho do motor acelerando ecoou na praia, deixando um rastro de silêncio constrangedor. Sofia olhou para Helena, assustada. “Mãe, quem era aquela moça? Por que ela estava brava?”

Helena abraçou a filha, tentando transmitir calma. “Não se preocupe, meu amor. Era só uma pessoa que estava um pouco chateada. Mas agora já passou.”

Miguel se aproximou, seu olhar fixo em Helena. “Desculpe por isso, Helena. Eu não esperava que a Marina fosse reagir assim.”

Helena balançou a cabeça. “Não se culpe, Miguel. A culpa não é sua. A culpa é dela, por não aceitar que a vida segue.” Ela respirou fundo, sentindo o peso daquele encontro inesperado. “Parece que nem todo mundo está feliz com a nossa felicidade, não é?”

Miguel a abraçou com força. “Mas isso não importa. O que importa é o que nós sentimos. E o que construímos juntos. E eu não vou deixar que ninguém, nem mesmo a Marina, estrague isso.”

Enquanto o sol se punha no horizonte, pintando o céu com tons alaranjados e rosados, Helena sentiu que a sombra da inveja havia testado o paraíso que eles haviam construído. Mas, assim como o sol que renasce a cada manhã, o amor deles, agora mais forte e consciente, estava pronto para enfrentar qualquer tempestade. A luta pela felicidade, ela sabia, estava apenas começando.

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