Coração em Chamas

Com certeza! Preparei os próximos cinco capítulos de "Coração em Chamas" com toda a paixão e drama que o gênero exige, seguindo à risca suas especificações. Espero que goste!

por Ana Clara Ferreira

Com certeza! Preparei os próximos cinco capítulos de "Coração em Chamas" com toda a paixão e drama que o gênero exige, seguindo à risca suas especificações. Espero que goste!

Coração em Chamas Por Ana Clara Ferreira

Capítulo 11 — A Sombra do Passado em São Miguel

O ar rarefeito da serra parecia carregar consigo os ecos de um passado que insistia em não se calar. A mansão dos Valente, imponente e majestosa, erguia-se contra o céu azul de São Miguel dos Campos como um testamento silencioso de glórias e dramas. Helena, com os olhos fixos na paisagem que se desdobrava diante dela, sentia um misto de fascínio e apreensão. Aquele lugar, que um dia fora lar de sua família, agora guardava segredos que a atormentavam.

"Está admirando a vista, dona Helena?", a voz grave de Seu Afonso, o caseiro de longa data, a fez sobressaltar. Ele se aproximou com o andar cadenciado de quem conhece cada pedra e cada arbusto daquela terra. O sol da manhã dourava seus cabelos grisalhos e a ruga profunda na testa parecia desenhada pelo tempo e pela lealdade.

Helena sorriu, um sorriso um tanto quanto melancólico. "É de tirar o fôlego, Seu Afonso. Mas ao mesmo tempo, parece que cada árvore aqui tem uma história para contar."

"E tem, sim, sinhazinha. Esta terra foi palco de muitas alegrias e muitas tristezas. A família Valente sempre teve um coração forte e, por vezes, um temperamento… explosivo", ele disse, com um leve toque de humor na voz, mas seus olhos guardavam a seriedade de quem viu tudo.

Ela assentiu, lembrando-se das poucas vezes que visitara a fazenda na infância. As memórias eram fragmentadas, como peças de um quebra-cabeça que ela tentava montar. A figura imponente de seu avô, o patriarca Domício Valente, ainda pairava em sua mente, um homem de olhar penetrante e voz que comandava respeito. E sua avó, Dona Carmela, uma mulher de rara beleza e elegância, que parecia esconder uma fragilidade incomum sob a armadura de sua postura.

"O senhor esteve aqui por muito tempo, não é, Seu Afonso?"

"Desde que era menino, sinhazinha. Vi seu pai crescer, casar, ter você e sua irmã. Vi a tragédia que os levou para longe. E vi o senhor Gabriel crescer, sempre com essa teimosia herdada do avô."

O nome de Gabriel. A menção dele fez o coração de Helena acelerar. Desde o reencontro inesperado em São Paulo, eles haviam mantido uma comunicação distante, marcada pela cautela e por um desejo reprimido que se manifestava nos olhares furtivos e nas palavras não ditas. A ideia de estar na mesma cidade que ele, sob o mesmo teto, era ao mesmo tempo excitante e aterrorizante.

"Gabriel… ele está bem?", Helena perguntou, tentando soar casual, mas sua voz traiu uma leve tensão.

Seu Afonso a observou com atenção por um instante, seus olhos experientes percebendo a agitação da moça. "Ele anda preocupado com a fazenda, dona Helena. As chuvas não têm sido boas e a colheita pode ser menor este ano. Mas ele é forte. Não desiste fácil."

"Eu sei que não. Ele é como o avô nesse sentido."

"E tem a bondade da mãe, que o senhor não chegou a conhecer direito, não é mesmo?"

Helena suspirou. Dona Cecília, sua tia, era uma figura etérea em suas lembranças. Uma mulher que sempre parecia estar um passo à frente, com um sorriso enigmático e um olhar que transbordava melancolia. A morte precoce dela havia deixado uma ferida profunda na família e, especialmente, em Domício e em Gabriel.

"Não, não a conheci bem. Mamãe falava dela com carinho, mas sempre com uma tristeza…", Helena hesitou.

"Era uma flor que desabrochou cedo demais e murchou mais cedo ainda", completou Seu Afonso, com uma solenidade que tocou Helena. "Mas a senhora foi feita para trazer a primavera de volta para esta casa, dona Helena."

As palavras do velho caseiro ressoaram em sua alma. A primavera. Era exatamente isso que ela sentia que precisava. Um recomeço, uma chance de florescer novamente, longe das cinzas de um casamento fracassado e da rotina sufocante da cidade grande.

Enquanto caminhava pela alameda de mangueiras centenárias, sentindo o cheiro adocicado das flores e a terra úmida sob seus pés, Helena não conseguia afastar o pensamento de Gabriel. Ele era o herdeiro daquelas terras, o guardião de um legado que ela, por laços de sangue, também compartilhava. Mas havia algo mais entre eles, uma corrente elétrica invisível que se intensificava a cada encontro.

Chegou à varanda principal, onde os móveis rústicos e as almofadas coloridas convidavam ao descanso. A brisa fresca do fim da manhã acariciava seu rosto. Ela se sentou em uma das cadeiras de balanço, observando a vastidão da propriedade. A fazenda dos Valente não era apenas terra; era história, era cultura, era um pedaço do Brasil profundo que a chamava.

De repente, ouviu o som de cascos de cavalo se aproximando. Seu coração deu um pulo. Seria ele? A figura de um homem montado em um alazão surgiu na curva da alameda. Era Gabriel.

Ele desmontou com a agilidade de sempre, os músculos tensos sob a camisa de algodão. Seus cabelos escuros estavam levemente despenteados pelo vento e seus olhos azuis, de um tom tão intenso quanto o mar em dia de tempestade, encontraram os dela. Um silêncio pairou entre eles, carregado de expectativas e de uma tensão palpável.

"Helena", ele disse, a voz rouca, soando como um sopro na quietude da manhã.

"Gabriel", ela respondeu, sentindo o rosto corar.

Ele se aproximou, parando a poucos passos dela. O olhar dele percorreu seu rosto, seus olhos buscando algo, talvez uma resposta, talvez uma permissão.

"Eu… não esperava te ver aqui tão cedo", ela murmurou, buscando palavras.

"Eu moro aqui, Helena. Essa é a minha casa." Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. "Mas é bom te ver. Você parece… em casa."

"Estou tentando me adaptar. É tudo tão diferente de São Paulo."

"É a vida no campo. Mais lenta, mais real", ele disse, e um sorriso discreto brincou em seus lábios. Um sorriso que fez o estômago de Helena dar um nó. "Eu sei que não é o seu mundo, mas espero que você encontre aqui um refúgio."

"Um refúgio… talvez seja isso que eu precise." Ela desviou o olhar para as montanhas ao longe, sentindo uma vulnerabilidade que a incomodava.

Gabriel deu outro passo, agora a poucos centímetros dela. Ela sentiu o calor que emanava dele, o perfume da terra misturado com um toque de algo mais, algo viril e inebriante.

"Você não está sozinha aqui, Helena", ele disse, a voz baixa, quase um sussurro. "Nós somos família. E eu farei o meu melhor para que você se sinta segura. Que se sinta… bem."

O olhar dele era intenso, quase possessivo. Helena sentiu a eletricidade percorrer seu corpo. Aquele reencontro, naquele cenário carregado de história e de emoção, estava acendendo chamas que ela tentava desesperadamente apagar. Mas o passado, a terra e a atração que sentia por Gabriel eram forças poderosas demais para serem ignoradas. A sombra do passado pairava sobre São Miguel dos Campos, mas o futuro, incerto e sedutor, começava a se desenhar sob o sol escaldante da Bahia.

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