Coração em Chamas

Capítulo 18 — O Confronto na Mansão dos Armênio

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 18 — O Confronto na Mansão dos Armênio

O convite chegou em um envelope discreto, mas a firmação era inconfundível: Armênio. Um convite para um jantar formal na mansão, um lugar que Daniel sempre associou a intriga e a frieza. A decisão de ir foi unânime, um misto de necessidade e cautela. Daniel sentia o peso da responsabilidade, não apenas por si mesmo, mas por Sofia, que estaria ao seu lado, compartilhando o risco daquele confronto. Ele se lembrava das palavras do diário de Helena, das ameaças veladas do Sr. Armênio, e um frio percorreu sua espinha. Ele não permitiria que nada acontecesse a Sofia.

Sofia, por sua vez, sentia uma mistura de apreensão e determinação. Ela sabia que o Sr. Armênio era um homem perigoso, capaz de manipulações e jogos cruéis. Mas ela também sabia que estava ao lado de Daniel, e juntos, eles eram mais fortes. A presença dele era seu escudo, seu porto seguro.

Naquela noite, a mansão Armênio parecia ainda mais imponente e sombria sob o céu estrelado. O portão de ferro forjado se abriu com um rangido sinistro, e o carro deslizou pela longa entrada, as luzes iluminando as árvores antigas e o jardim impecavelmente cuidado. O prédio, com sua arquitetura clássica e imponente, exalava um ar de poder e opulência, mas também de segredo.

Ao descerem do carro, Daniel sentiu o olhar de Sofia em seu rosto. Ele lhe sorriu, um sorriso que tentava transmitir confiança, mas que não escondia a tensão em seus ombros.

"Pronta?", ele perguntou, a voz baixa.

"Sempre", ela respondeu, apertando sua mão.

O mordomo, um homem impecavelmente vestido e com um olhar frio, os recebeu na porta. O interior da mansão era luxuoso, repleto de obras de arte e móveis antigos. Cada detalhe parecia gritar riqueza e poder.

O Sr. Armênio os aguardava na sala de estar, sentado em uma poltrona de couro, um copo de uísque na mão. Ele era um homem de porte altivo, os cabelos grisalhos penteados para trás, o olhar penetrante que parecia ler a alma de quem o encarava. Um sorriso sutil brincava em seus lábios, um sorriso que não alcançava seus olhos.

"Daniel. E você deve ser Sofia. Sejam bem-vindos à minha humilde residência", ele disse, a voz grave e controlada.

Daniel o encarou, a raiva fervilhando em seu interior, mas a manteve sob controle. "Sr. Armênio. Agradecemos o convite. Mas creio que não é apenas um jantar que nos trouxe aqui."

O Sr. Armênio soltou uma risada baixa e sem humor. "Sempre direto ao ponto, Daniel. Gosto disso. Mas primeiro, um pouco de cordialidade. Um uísque? Um vinho?"

"Não, obrigado", Daniel respondeu, a voz firme. "Nós sabemos a verdade, Sr. Armênio. Sabemos que você é o pai de Daniel. E sabemos sobre as ameaças, sobre o que você fez com Helena."

O sorriso do Sr. Armênio desapareceu, substituído por uma expressão de frieza calculada. Seus olhos escrutinaram Daniel, depois Sofia. "Helena... sempre uma mulher de muitos segredos. E você, Daniel, herdou a perspicácia dela. Ou talvez a dela."

"Não ouse falar de minha mãe dessa forma", Daniel disse, a voz tensa.

"Eu a amei, Daniel. Mais do que você possa imaginar. E ela me amou. Mas o destino, ou talvez a ambição da família dela, nos separou. E quando ela engravidou, quando descobri que era meu filho, eu quis assumir. Mas ela... ela escolheu outro caminho. Um caminho de segurança, de estabilidade. E eu respeitei a decisão dela. Mas nunca desisti de você."

"Respeitou?", Daniel retrucou, a voz embargada. "Você a chantageou! Você a ameaçou! Você tentou controlar nossas vidas mesmo de longe!"

O Sr. Armênio se levantou, caminhando lentamente em direção a eles. "O mundo dos negócios, Daniel, é um jogo de poder. E naquela época, eu tinha muito a perder. O escândalo de um filho fora do casamento poderia arruinar minha reputação, meus negócios, tudo. E a família de Helena também seria manchada. Eu fiz o que achava que era o melhor para todos, inclusive para você. Para garantir que você tivesse uma vida digna, que tivesse tudo o que eu não pude lhe dar na época."

"Uma vida digna? Uma vida de mentiras?", Sofia questionou, a voz carregada de indignação.

"Helena escolheu mentir. Eu apenas permiti que ela mantivesse o segredo. E esperei. Esperei o momento certo para me aproximar, para conhecer o filho que não pude criar. E agora, você está aqui, Daniel. Diante de mim. O fruto do nosso amor." O Sr. Armênio estendeu a mão em direção a Daniel, um gesto que ele evitou.

"Eu não sou fruto do seu amor. Eu sou fruto de uma paixão que se tornou obsessão. E que transformou você em um monstro." As palavras de Daniel saíram com um misto de dor e repulsa. "Você destruiu a vida de minha mãe, você a assustou. Você tentou me manipular. E você nunca se importou com a felicidade dela, apenas com o seu poder."

"Isso não é verdade!", o Sr. Armênio rosnou, o controle começando a se esvair. "Eu fiz sacrifícios! Eu me afastei para não prejudicá-la! E eu sempre me preocupei com você!"

"Preocupado? Se você se preocupava, por que nunca tentou se aproximar? Por que nunca buscou me conhecer? Por que agora, depois de tantos anos, você me chama para um jantar e espera que eu o aceite como pai?", Daniel questionou, a voz subindo de tom.

"Porque eu me arrependi. Porque a vida me ensinou muitas coisas. E porque eu quero ter você na minha vida. Eu quero te dar tudo o que você merece."

Sofia deu um passo à frente, colocando-se ao lado de Daniel. "Você não tem o direito de 'dar' nada a ele. Você destruiu a vida dele antes mesmo dele nascer. E agora, você quer entrar em sua vida como se nada tivesse acontecido?"

O Sr. Armênio a encarou, um brilho perigoso em seus olhos. "Você é apenas uma intrusa, garota. Não se meta onde não é chamada."

"Eu sou a mulher que Daniel ama. E eu o protegerei de você", Sofia disse firmemente.

De repente, um vulto surgiu na porta da sala. Era o atual Sr. Armênio, o homem que Daniel conhecia como pai. Ele parecia mais velho, mais frágil, mas seus olhos carregavam a mesma bondade e força de sempre. Ele olhou para o outro Sr. Armênio, depois para Daniel e Sofia, uma expressão de compreensão e tristeza em seu rosto.

"O que está acontecendo aqui?", ele perguntou, a voz embargada.

Daniel sentiu um aperto no coração ao ver o homem que o criou ali, testemunhando aquela cena. Ele se virou para o Sr. Armênio original.

"Você sabia que ele estava aqui? Você planejou isso?", Daniel perguntou, a voz cheia de desconfiança.

O Sr. Armênio original soltou um suspiro pesado. "Eu sabia que você precisava saber a verdade, Daniel. E eu não poderia mais viver com esse segredo. Eu o convidei para vir aqui hoje. Eu queria que você visse o homem que você é. E que ele visse o homem que você se tornou."

O Sr. Armênio original se aproximou de Daniel e colocou a mão em seu ombro. "Filho. Eu sempre te amei. E sempre serei seu pai. E nada que ele diga pode mudar isso."

Daniel olhou para o homem que o criou, o amor e a gratidão transbordando em seus olhos. Ele se voltou para o Sr. Armênio original, a raiva substituída por uma resolução fria.

"Eu nunca serei seu filho, Sr. Armênio. Você pode ter me dado a vida, mas ele me deu um lar. Ele me deu amor. E é isso que importa. Você é um fantasma do passado. E eu não tenho mais lugar para você na minha vida."

Com isso, Daniel pegou a mão de Sofia, e juntos, eles se viraram e saíram da sala, deixando o Sr. Armênio original e o Sr. Armênio biológico para trás, em meio aos escombros de um passado que finalmente se revelara em toda a sua dolorosa complexidade. A mansão, antes um símbolo de poder, agora parecia um mausoléu de segredos desenterrados.

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