Amor à Primeira Vista II

Capítulo 14 — O Encontro na Madrugada e a Confissão Amarga

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 14 — O Encontro na Madrugada e a Confissão Amarga

A resposta de Daniel veio rápida, quase instantânea. "Onde?"

Helena sentiu um misto de alívio e apreensão. Ele estava disposto a falar. Mas o lugar… o lugar era crucial. Ela não podia encontrá-lo em um lugar público, nem na casa de Clara. Precisava de um local neutro, onde pudesse ter um mínimo de controle.

"O centro histórico. Perto do cais. Na antiga livraria que está fechada. Às três da manhã."

Era um local deserto a essa hora, um lugar que ela conhecia bem de suas caminhadas noturnas em Paraty, um lugar que guardava o cheiro de livros antigos e a melancolia de um passado esquecido.

Ela acordou Clara, sussurrando a situação. Clara, mesmo sonolenta, demonstrou preocupação, mas concordou em esperar por ela. "Tome cuidado, Helena. Se sentir que algo está errado, volte imediatamente."

Helena vestiu uma roupa discreta, um jeans e uma blusa escura. Pegou a pequena bolsa com o celular e a carteira. A lua, um disco pálido no céu escuro, iluminava fracamente as ruas de Paraty, criando um cenário quase fantasmagórico. O ar estava fresco, o silêncio quebrado apenas pelo som distante das ondas.

Chegou à livraria com quinze minutos de antecedência. A fachada antiga, com a placa desbotada "O Saber Antigo", parecia ainda mais sombria na escuridão. A porta estava fechada, a vitrine empoeirada escondia prateleiras repletas de livros que, um dia, guardaram histórias. Ela se encostou na parede, sentindo o frio da pedra contra as costas. Cada sombra parecia esconder uma ameaça, cada ruído parecia um aviso.

Às três em ponto, um carro escuro parou na rua. As luzes se apagaram, e a porta se abriu, revelando Daniel. Ele desceu, olhando ao redor, com uma expressão tensa no rosto. Seus olhos encontraram os de Helena, e um lampejo de alívio misturado à tristeza cruzou seu olhar.

"Você veio", ele disse, a voz baixa.

"Eu disse que viria", Helena respondeu, a voz firme, apesar do tremor interior. "Você tem muito a me explicar, Daniel."

Ele se aproximou, mas manteve uma distância. "Eu sei. E eu estou pronto para contar tudo. Tudo o que você precisa saber."

"Comece pelo princípio. Pelo símbolo. Pelo nosso pai. Pela sua conexão com Lucas." As palavras saíram em um fluxo rápido, a ansiedade a impulsionando.

Daniel suspirou, o som quase inaudível na quietude da madrugada. "O símbolo… é o emblema de uma antiga sociedade. Chamada 'A Ordem do Pássaro Livre'. Meu pai era membro. E o pai de Lucas também. Eles se conheceram através dessa ordem, anos antes de eu nascer."

Helena o encarou, chocada. A ordem. A sociedade secreta. Tudo parecia saído de um romance de mistério, mas a seriedade no rosto de Daniel a convencia da verdade.

"Meu pai sempre me falou sobre a Ordem. Sobre os ideais de liberdade, de conhecimento, de ajudar aqueles que precisam. Ele me preparou desde cedo para ser um membro. Ele acreditava que era o meu destino." Daniel fez uma pausa, como se revivesse memórias dolorosas. "Quando eu conheci você, Helena, eu vi uma luz em meio à escuridão que a Ordem me impunha. Eu me apaixonei por você. E, pela primeira vez, questionei o meu caminho."

"E o Lucas?", Helena insistiu. "Qual a ligação dele com tudo isso?"

"Lucas era o filho do melhor amigo do meu pai. Eles cresceram juntos, praticamente como irmãos. Mas… eles tiveram uma briga feia anos atrás. Algo relacionado a um desvio de conduta dentro da Ordem. Meu pai ficou desiludido com Lucas, e Lucas se afastou. Eles não se falavam mais. Meu pai morreu acreditando que Lucas o havia traído."

"E você?", Helena perguntou. "O que você fez?"

"Eu fiquei dividido. O meu pai me instruiu a seguir o caminho da Ordem. Mas o meu coração me dizia outra coisa. Eu tentei me afastar. Tentei viver uma vida normal. E então, eu conheci você." Daniel a olhou nos olhos. "Eu pensei que pudesse ter uma vida com você, longe de tudo isso. Mas o passado… ele não nos deixa em paz."

"O que aconteceu quando Lucas te procurou?", Helena perguntou, a voz tensa.

"Ele sabia do meu envolvimento com você. Ele sabia que eu estava pensando em abandonar a Ordem. Ele me ameaçou. Disse que se eu não honrasse o meu compromisso, ele contaria tudo para você. Tudo sobre o meu pai, sobre a Ordem, sobre um evento que aconteceu anos atrás… um evento que meu pai me proibiu de nunca mencionar. Ele disse que revelaria o meu segredo mais sombrio." Daniel engoliu em seco, a confissão pesando em sua voz. "E o pior… ele sabia que eu também amava você. Ele usou isso contra mim."

"Qual segredo, Daniel? Que segredo sombrio?", Helena exigiu, sentindo um calafrio percorrer seu corpo.

"Um erro… um erro que eu cometi anos atrás. Um evento que resultou na… na morte de alguém. Meu pai me fez prometer que nunca contaria a ninguém. Que carregaria essa culpa em silêncio." Daniel fechou os olhos, a dor estampada em seu rosto. "Lucas sabia. E ele me forçou a me aproximar de você, sabendo que um dia isso viria à tona e te destruiria."

Helena sentiu o chão sumir sob seus pés. Morte. Daniel. Um segredo sombrio. A confissão era mais brutal do que ela imaginara. O homem que ela amava, o homem com quem ela acreditava construir um futuro, carregava um fardo tão terrível.

"Você sabia que eu tinha uma ligação com Lucas. Você me escondeu isso. Você me manipulou." As palavras dela saíram com um misto de mágoa e acusação.

"Eu me desesperei, Helena. Eu não sabia o que fazer. Eu queria te proteger. Eu queria que você me amasse por quem eu sou, não por quem a Ordem me forçou a ser. Mas eu cometi erros. Erros terríveis." Daniel estendeu a mão para ela, mas recuou. "Eu não te culpo se você não puder me perdoar. Mas eu precisava te contar a verdade. A verdade inteira."

A madrugada parecia engolir suas palavras, o silêncio retornando, pesado e opressor. A livraria antiga, palco daquela confissão amarga, guardava agora mais um segredo, um segredo que desvendava a complexa teia que unia Daniel, Lucas e o passado das famílias. Helena olhou para Daniel, vendo não apenas o homem que a amava, mas também o homem que escondia uma verdade devastadora. E, naquele momento, ela sabia que a jornada para entender tudo aquilo estava apenas começando. A promessa quebrada, o segredo sombrio, a sociedade secreta… tudo se entrelaçava em uma trama que a envolvia completamente.

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