A Noiva do Bilionário III
Capítulo 2 — Ecos de um Passado Esquecido
por Camila Costa
Capítulo 2 — Ecos de um Passado Esquecido
Os dias seguintes foram um borrão de reuniões estratégicas e análises frias. Victoria Alencar, a mulher que poucos dias antes parecia afogada em desespero, ressurgiu com uma força renovada, chocando a todos que a conheciam. Seu escritório, antes um refúgio para os momentos de intimidade com Eduardo, transformou-se em um centro de comando implacável. As janelas imponentes, que antes emolduravam a vista da cidade como um cenário de seus sonhos a dois, agora eram o palco de sua nova e implacável determinação.
Ela mergulhou no trabalho com uma ferocidade alarmante. Analisava relatórios financeiros com a precisão de um cirurgião, tomava decisões audaciosas com a frieza de um estrategista militar e delegava tarefas com uma autoridade inquestionável. Seus sócios, acostumados a vê-la como a mente brilhante por trás do império Alencar, mas também como a mulher apaixonada que vivia um conto de fadas, estavam perplexos. Alguns murmuravam sobre a força de sua resiliência, outros sobre a frieza que parecia ter substituído a paixão.
"Victoria, você tem certeza sobre essa aquisição?", perguntou seu braço direito, Ricardo, um homem pragmático e leal, com a testa franzida de preocupação. "É um risco considerável, especialmente com a instabilidade do mercado."
Victoria, sentada em sua cadeira de couro, com os cabelos impecavelmente presos em um coque elegante, olhou para ele, seus olhos escuros e penetrantes. "Ricardo, o risco faz parte do jogo. E o mercado está instável para os fracos. Para nós, é uma oportunidade." Sua voz era calma, mas carregava uma firmeza que não permitia questionamentos. "Precisamos expandir. Precisamos nos fortalecer. Não podemos nos dar ao luxo de ser vulneráveis."
A palavra "vulneráveis" soou estranhamente em seus lábios. Era um eco de seu próprio estado de espírito semanas atrás, um estado que ela estava determinada a erradicar para sempre. A dor da rejeição ainda latejava, um fantasma persistente, mas agora era um combustível, um motor para sua ambição.
Naquela noite, após um longo dia de negociações e decisões difíceis, Victoria voltou para a mansão. O silêncio ainda pairava, mas agora não era um silêncio de desespero, e sim um silêncio expectante, como o momento antes de uma tempestade. Ela serviu-se de um copo de uísque puro, um hábito que havia retomado recentemente, um pequeno ritual que a ajudava a afastar as memórias mais dolorosas.
Enquanto o líquido ambarino descia por sua garganta, ela se pegou olhando para uma fotografia emoldurada sobre a lareira. Era dela e de Eduardo, sorrindo em um dia ensolarado, o olhar cúmplice, a felicidade transbordando. Ela a pegou, seus dedos traçando o contorno do rosto dele. Uma lágrima solitária escapou, mas desta vez, não era de tristeza. Era de raiva.
"Onde você está, Eduardo?", sussurrou para o retrato. "Por que você fez isso?"
As respostas não vieram, mas uma nova linha de investigação se formou em sua mente. Ela precisava ir além do presente, além das perdas. Precisava mergulhar no passado de Eduardo, em sua vida antes dela. Havia segredos ali? Motivos ocultos para sua partida abrupta?
No dia seguinte, ela contatou o detetive particular mais discreto e eficiente da cidade, um homem chamado Arthur Mendes. Arthur era conhecido por sua discrição e pela capacidade de desenterrar informações que muitos prefeririam manter enterradas.
"Srta. Alencar", disse Arthur, sua voz rouca e profissional ao telefone. "É uma honra atendê-la. Em que posso ser útil?"
"Arthur, preciso de sua ajuda em um assunto delicado", começou Victoria, sua voz firme, mas com uma urgência subjacente. "Preciso que investigue a vida de Eduardo Montemor. Tudo. Sua infância, sua adolescência, seus relacionamentos anteriores, seus negócios obscuros... tudo o que puder encontrar."
Houve uma pausa do outro lado da linha. Arthur sabia quem era Eduardo Montemor. Um homem de poder, um bilionário com uma fortuna construída em bases sólidas, mas também envolta em mistério. "Srta. Alencar, o Sr. Montemor é uma figura pública. Mas investigá-lo a fundo... pode ser perigoso."
"A perigo não me assusta mais, Arthur", respondeu Victoria, a determinação em sua voz inabalável. "O que me assusta é a incerteza. Eu preciso saber a verdade. Preciso entender por que ele me deixou. E estou disposta a pagar o preço que for necessário."
Arthur assentiu, mesmo sabendo que Victoria não o via. "Entendido, Srta. Alencar. Começarei imediatamente. Mas peço que seja cautelosa. E que, por enquanto, mantenha isso em segredo absoluto."
"Absoluto", confirmou Victoria, sentindo um frio na espinha. Ela estava prestes a abrir uma caixa de Pandora, e não tinha certeza se estaria pronta para o que encontraria lá dentro.
Nas semanas seguintes, Victoria se dedicou a sua empresa com um fervor renovado, mas sua mente estava constantemente voltada para a investigação de Arthur. Ela evitava as festas e os eventos sociais, preferindo a solidão de seu escritório ou a tranquilidade de sua mansão. A imagem de Eduardo se desfazia em sua mente, substituída por uma curiosidade mórbida e uma sede de respostas.
Um dia, Arthur enviou-lhe um relatório preliminar. As informações eram escassas no início, mas começaram a surgir detalhes intrigantes. A infância de Eduardo em um orfanato, sua ascensão meteórica no mundo dos negócios, suas conexões com figuras sombrias do submundo financeiro. Havia também menções a um amor antigo, uma paixão arrebatadora que terminou tragicamente, mas os detalhes eram vagos.
Victoria sentia que estava se aproximando de algo. Uma teia intrincada de segredos e mentiras estava se revelando, e ela estava determinada a desfiar cada fio.
Em uma noite chuvosa, enquanto revisava os relatórios de Arthur, ela encontrou uma informação que a fez parar. Uma foto antiga, borrada e de baixa qualidade, de Eduardo jovem, ao lado de uma mulher com cabelos escuros e um olhar intenso. A legenda, escrita à mão de forma quase ilegível, dizia: "Isabela - O amor que ele nunca esqueceu."
O coração de Victoria disparou. Isabela. Quem era Isabela? Era esse o amor que Eduardo não esqueceu? Era essa a razão de sua partida? A dor aguda da rejeição a atingiu com força renovada, mas agora misturada com uma raiva ardente.
Ela ligou para Arthur imediatamente. "Arthur, preciso saber quem é Isabela. E preciso saber tudo sobre ela."
A voz de Arthur era cautelosa. "Srta. Alencar, essa informação é antiga e difícil de rastrear. Mas a investigação continua. Há algo mais que a senhora gostaria de saber?"
"Quero saber se ela está viva. Quero saber onde ela está. E quero saber se Eduardo ainda tem contato com ela." A voz de Victoria era dura, implacável.
Arthur fez uma pausa. "A senhorita está jogando um jogo perigoso, Srta. Alencar."
"Eu não me importo com o perigo, Arthur", respondeu Victoria, um fogo gélido em seus olhos. "Eu só quero a verdade. E estou disposta a enfrentar qualquer coisa para consegui-la."
Ela desligou o telefone, sentindo-se exausta, mas estranhamente energizada. A busca pela verdade estava se tornando uma obsessão, uma força que a impulsionava para frente. O passado de Eduardo, antes uma incógnita, agora era um labirinto a ser explorado, e ela estava determinada a encontrar a saída, mesmo que isso significasse desenterrar os fantasmas mais sombrios.
No dia seguinte, enquanto tomava seu café da manhã solitário, ela observou o sol nascer sobre a cidade, pintando o céu com tons de laranja e rosa. Era uma nova manhã, um novo começo. E Victoria Alencar estava pronta para desvendar os segredos que a levariam de volta a Eduardo, ou, talvez, a um futuro onde ele não mais existiria. O eco de um passado esquecido a chamava, e ela não podia mais ignorar.