A Noiva do Bilionário III
A Noiva do Bilionário III
por Camila Costa
A Noiva do Bilionário III
Autora: Camila Costa
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Capítulo 22 — O Voo da Liberdade e o Eco da Traição
O céu sobre o Rio de Janeiro era um espetáculo de cores em tons de laranja e roxo quando o jato particular de Eduardo de Sá levantou voo. O sol se punha, pintando as nuvens com a mesma intensidade dramática que o coração de Isabella sentia no peito. Ao seu lado, Eduardo emanava uma calma quase sobrenatural, um contraste gritante com a tempestade que se formava dentro dela. A mala de mão repousava entre seus pés, um lembrete silencioso da vida que ela deixava para trás, e da incerteza que a aguardava.
"Você tem certeza disso, Bela?", a voz de Eduardo era um murmúrio suave, quase um sussurro, que quebrava o silêncio tenso da cabine luxuosa. Ele segurava a mão dela, seus dedos grandes e quentes envolvendo os dela com uma firmeza reconfortante. Mas, naquele momento, até o toque de Eduardo parecia carregar um peso, uma promessa que ela ainda não conseguia decifrar completamente.
Isabella olhou para a janela, as luzes da cidade começando a cintilar como estrelas caídas. A Barra da Tijuca, com seus prédios imponentes e a brisa do mar, parecia um sonho distante agora. Ela pensou em sua mãe, em sua pequena loja, nas noites de insônia pensando em como saldar suas dívidas. E pensou em Rafael. Um nó se formou em sua garganta. A traição ainda latejava, um ferimento fresco que a dor física da despedida de sua antiga vida só parecia agravar.
"Eu não sei se tenho certeza de alguma coisa, Eduardo", ela confessou, a voz embargada. "Eu só sei que não posso mais ficar. Que não posso mais respirar o mesmo ar que ele respira. Cada esquina, cada olhar, cada lembrança me sufoca."
Eduardo apertou a mão dela, seus olhos azuis profundos fixos nos dela. Havia uma compaixão genuína em seu olhar, uma compreensão que a surpreendia a cada dia. Ele não a pressionava, não a julgava. Apenas oferecia um porto seguro em meio à sua própria desolação.
"Eu entendo", ele disse, com uma suavidade que a desarmava. "E estou aqui. Para o que precisar. O que quer que essa viagem signifique para você, saiba que você não está sozinha."
A viagem para Paris era, em teoria, uma fuga. Um respiro. Eduardo a havia convidado para uma exposição de arte na Europa, um pretexto elegante para tirá-la do Rio e, quem sabe, lhe dar o tempo necessário para curar suas feridas. Mas Isabella sabia que a cura era um processo mais complexo do que uma simples mudança de cenário. A ferida deixada por Rafael era profunda, uma amputação de confiança que deixava um fantasma persistente de dor.
Ela fechou os olhos, tentando afastar a imagem do rosto de Rafael no momento em que descobriu o que ele havia feito. A frieza em seus olhos, a indiferença com que ele a tratara, mesmo sabendo da verdade. Ela sentiu um arrepio de raiva, um desejo de gritar, de quebrar algo. Mas ali, naquele avião, cercada pelo silêncio e pelo luxo, tudo o que ela sentia era um vazio imenso.
"Por que você está fazendo isso, Eduardo?", ela perguntou, a voz baixa, quase um sussurro. Era uma pergunta que ela fazia a si mesma desde o momento em que ele a convidara. Por que um homem como ele, com um império a seus pés, se interessaria por alguém como ela, uma simples florista com problemas financeiros? A desconfiança, um resquício de sua vida anterior, ainda espreitava.
Eduardo a olhou com uma intensidade que a fez corar. Ele acariciou a bochecha dela com o polegar, um gesto suave e carinhoso. "Porque você é... diferente, Isabella. Você tem uma luz que me fascina. E porque eu não suportaria ver essa luz se apagar por causa de um homem que não a merece." Ele fez uma pausa, seu olhar se tornando mais sério. "E, talvez", ele acrescentou, com um sorriso leve, "porque eu gosto de você. Gosto muito."
As palavras dele, ditas com tanta sinceridade, tocaram algo dentro dela. Ela ainda estava desconfiada, sim, mas a genuinidade em seus olhos a impedia de descartar suas palavras. Era um sentimento novo, confuso, mas que começava a florescer em meio à devastação.
Enquanto o avião cruzava o Atlântico, Isabella se permitiu um momento de reflexão mais profunda. Ela havia sido traída, humilhada. Sua inocência fora roubada de forma cruel. Rafael, o homem que ela amou com toda a alma, a havia ferido de uma maneira que ela jamais pensara ser possível. Ele a havia trocado por dinheiro, por poder, por uma ambição desmedida que a deixara para trás como um fardo.
Ela se lembrou da primeira vez que o vira, na feira de flores, com seu sorriso charmoso e seus olhos que prometiam o mundo. Ela se lembrou das juras de amor eterno, dos planos que fizeram juntos, dos sonhos que compartilharam. Tudo se desfez em fumaça, como um castelo de areia levado pela maré.
E agora, Eduardo. Um homem que parecia sair de um conto de fadas moderno. Rico, poderoso, com uma beleza que a deixava sem fôlego. Ele a tratava com uma gentileza e um respeito que ela nunca havia experimentado antes. Mas a dor da traição de Rafael a deixara cega, desconfiada. Ela não sabia se era capaz de confiar novamente, de se entregar a alguém. A sombra de Rafael ainda pairava, um espectro de dúvida que a impedia de abraçar plenamente a esperança que Eduardo parecia oferecer.
"Paris...", ela murmurou, olhando para a imensidão escura lá fora. "Será que lá, longe de tudo, eu consigo me encontrar de novo?"
Eduardo a envolveu em seus braços, um abraço firme e reconfortante. "Você vai se encontrar, Bela", ele prometeu, sua voz ressoando em seu ouvido. "E eu estarei lá para te ajudar a reencontrar cada pedacinho de você que se perdeu."
A promessa dele era um bálsamo, mas a cicatriz da traição ainda ardia. O voo para Paris era um voo para longe de uma dor insuportável, mas o eco dessa dor a seguiria, um lembrete constante do que ela havia perdido e do que ela ainda precisava superar. O céu noturno, tão vasto quanto sua incerteza, era a única testemunha do seu voo de liberdade e do peso da traição que ela carregava.