A Noiva do Bilionário III
Capítulo 24 — A Confrontação Sob o Céu Parisiense e a Proposta Irrecusável
por Camila Costa
Capítulo 24 — A Confrontação Sob o Céu Parisiense e a Proposta Irrecusável
O ar em Versalhes, antes perfumado com a fragrância das roseiras e o frescor da água das fontes, agora parecia carregado de uma tensão palpável. A presença de Rafael, materializada de forma tão inesperada, era um golpe para Isabella. Seus joelhos tremeram levemente, e ela instintivamente se aproximou de Eduardo, buscando um refúgio em seu abraço.
Rafael observou o gesto, seus olhos azuis, que um dia ela tanto amou, agora pareciam mais duros, mais distantes. Um leve sorriso brincou em seus lábios, um sorriso que não transmitia calor, mas sim um cálculo frio.
"Rafael", Isabella repetiu, a voz ainda trêmula, mas com um toque de firmeza que a surpreendeu. Ela havia passado por muita coisa em poucas semanas. A garota ingênua que ele traiu não existia mais.
"Eu não esperava te encontrar aqui, Bela", Rafael disse, sua voz soando casual demais, quase zombeteira. Ele deu um passo à frente, ignorando a presença de Eduardo. "Mas fico feliz em saber que você está... viajando."
A forma como ele disse "viajando" soou como uma acusação velada, como se ele soubesse exatamente do que se tratava. A desconfiança em relação a ele se aguçou. Ele estaria ali por acaso? Ou ele a seguiu? A ideia de ele ter a rastreado fez um calafrio percorrer sua espinha.
Eduardo, percebendo a inquietação de Isabella, colocou um braço protetor em volta de seus ombros. "Rafael, não é? Isabella está comigo. E ela não veio para Paris para encontrar você." A voz de Eduardo era firme, mas educada, um aviso claro de que ele não permitiria que Rafael a importunasse.
Rafael olhou para Eduardo de cima a baixo, uma avaliação fria e desdenhosa. "Eduardo de Sá. Sempre aparecendo nos momentos mais... oportunos." O tom de Rafael era sarcástico, e Isabella sentiu um nó se formar em sua garganta. A rivalidade entre os dois, que ela mal compreendia, estava se manifestando ali, sob o céu parisiense.
"Eu estou aqui com Isabella porque ela é importante para mim", Eduardo respondeu, sem se deixar abalar pela arrogância de Rafael. "E porque ela merece respeito."
Rafael soltou uma risada curta e seca. "Respeito? Interessante. Você fala de respeito, Eduardo, quando você sabe exatamente o que eu fiz pela Isabella. E você, mais do que ninguém, sabe o quanto eu aprecio o que é meu."
As palavras "o que é meu" atingiram Isabella como um soco. Ela era uma posse? Era assim que ele a via? A raiva começou a borbulhar em seu peito, misturando-se à confusão e à mágoa.
"Você não é mais meu, Rafael", Isabella disse, sua voz agora mais forte, as lágrimas que ameaçavam cair retidas por uma nova determinação. "Você perdeu esse direito quando você escolheu o dinheiro e o poder em vez de mim. Em vez do nosso amor."
Rafael deu um passo em direção a ela, ignorando a advertência nos olhos de Eduardo. "Amor? Isabella, você foi sempre tão ingênua. O que você chama de amor, eu chamo de... conveniência. E agora, essa conveniência se tornou um problema."
"Um problema?", Isabella repetiu, incrédula.
"Sim", Rafael confirmou, seu olhar fixo no dela. "Você fugiu. E agora, com você fora do caminho, tudo se torna mais simples. Mas você reaparecer aqui, com o 'grande' Eduardo de Sá ao seu lado, complica as coisas. Principalmente para mim."
Ele fez uma pausa, e Isabella sentiu que ele estava preparando algo, uma armadilha, uma jogada de mestre. "Eu vim para Paris para resolver negócios. E, por acaso, descobri que você também estava aqui. Decidi que era hora de colocar as coisas em ordem."
"Colocar em ordem?", Eduardo interveio, sua voz tensa. "O que isso quer dizer, Rafael?"
Rafael sorriu, um sorriso que era puro veneno. "Quer dizer que a Isabella, sendo a noiva do meu futuro sócio, não deveria estar se envolvendo com... outros homens. Especialmente um que representa uma ameaça aos meus planos."
"Noiva do seu futuro sócio?", Isabella questionou, confusa. "Do que você está falando, Rafael? Eu nunca fui noiva de ninguém além de você."
Rafael riu novamente. "Ah, Isabella. Tão inocente. Eu nunca fui noivo de você. Eu te enganei. Assim como enganei a todos. O casamento era apenas uma fachada para garantir o investimento da sua família na minha empresa. E agora que a sua família está falida e você, sozinha, não vale mais nada para mim, eu preciso de um novo acordo."
As palavras dele desabaram sobre Isabella como um raio. A revelação foi brutal, um novo corte em suas feridas já abertas. Ela sentiu o chão sumir sob seus pés. Tudo o que ela acreditava, todo o amor que ela dedicou, havia sido uma mentira. Uma elaborada e cruel mentira.
Ela olhou para Eduardo, que observava a cena com uma expressão de choque e fúria contida. Ele sabia da história dela, sabia o quanto ela havia sido ferida. E agora, Rafael, o homem que a destruiu, estava ali, zombando dela.
"Você é um monstro, Rafael", Isabella sussurrou, lágrimas escorrendo por seu rosto agora. A dor era insuportável.
"Um monstro que faz negócios, Isabella", Rafael corrigiu, indiferente à sua dor. "E agora, tenho uma proposta para você. E para você, Eduardo."
Ele se virou para encarar Eduardo, seu olhar calculista. "Eduardo, sei que você tem interesse em Isabella. E sei que você tem recursos de sobra. Eu preciso de dinheiro. Muito dinheiro. Para finalizar um negócio importante. Um negócio que me fará mais rico do que você jamais sonhou ser."
"E o que isso tem a ver comigo?", Eduardo perguntou, sua voz fria como gelo.
"Tudo", Rafael respondeu. "Você vai me dar o dinheiro que eu preciso. E em troca, eu... vou me afastar de Isabella. Para sempre. Vou liberar ela de qualquer pretensão que eu possa ter tido sobre ela. E você, Eduardo, terá ela para você. Totalmente. Livre de qualquer passado."
Isabella olhou para Eduardo, chocada com a audácia de Rafael. Ele estava propondo uma transação, como se ela fosse um objeto a ser vendido. A ideia de ele estar usando ela para obter dinheiro de Eduardo era nauseante.
Eduardo riu, uma risada sem humor. "Você acha que eu vou comprar o seu silêncio, Rafael? Que eu vou pagar para me livrar de um verme como você?"
"Não é silêncio, Eduardo. É liberdade", Rafael rebateu, sem se abalar. "Liberdade para Isabella. E uma quantia considerável de dinheiro para você, que certamente pode usar para outros investimentos. Pense bem. Você a ama, não ama? Então pague por ela. Como um verdadeiro cavalheiro faria."
Isabella sentiu uma onda de náusea. A ideia de Eduardo comprar sua liberdade, mesmo que por um bom motivo, a deixava desconfortável. Ela não queria ser uma moeda de troca.
"Eu não sou uma propriedade, Rafael!", ela exclamou, sua voz ecoando pelos jardins silenciosos. "Você não pode me vender!"
Rafael a ignorou, focando em Eduardo. "Então, Eduardo de Sá. Você vai me dar o dinheiro? Ou prefere que essa história se espalhe? Que todos saibam da sua... paixão por uma mulher que estava prometida a outro homem. E que, agora, não passa de um fardo para você."
A ameaça era clara. Rafael estava disposto a usar a reputação de Isabella, e a de Eduardo, para conseguir o que queria. Isabella sentiu um nó na garganta. Ela não podia permitir que isso acontecesse. Não podia permitir que Rafael a usasse para prejudicar Eduardo.
Eduardo olhou para Isabella, viu a angústia em seus olhos. Ele sabia o quanto ela havia sofrido, e a ideia de Rafael continuar a atormentá-la era insuportável. Ele também sabia que Rafael era perigoso e que suas ameaças não eram vazias.
Com um suspiro profundo, Eduardo tomou uma decisão. Ele olhou para Rafael, seu olhar gelado e determinado. "Muito bem, Rafael. Eu aceito a sua proposta. Mas com uma condição."
Rafael sorriu, satisfeito. "Diga."
"Você nunca mais vai falar com Isabella. Nunca mais vai se aproximar dela. E nunca mais vai tentar prejudicá-la. Se você quebrar essa promessa, eu farei questão de arruinar você. Completamente. E disso eu garanto."
Rafael hesitou por um momento, avaliando a seriedade nos olhos de Eduardo. Ele sabia que Eduardo não era alguém com quem se brincava. E, naquele momento, o dinheiro era mais importante do que a vingança.
"Feito", Rafael disse, estendendo a mão para Eduardo.
Eduardo apertou a mão dele com firmeza, um aperto frio e sem cumplicidade. "O dinheiro será transferido amanhã. E eu espero que você desapareça da vida dela para sempre."
Rafael deu um último olhar para Isabella, um olhar que ela não conseguiu interpretar. Em seguida, virou-se e se afastou, desaparecendo entre as árvores, deixando para trás apenas o eco de suas palavras cruéis e a sombra de sua presença sinistra.
Isabella olhou para Eduardo, a confusão e a gratidão lutando em seu peito. Ele havia comprado sua liberdade. A ideia era avassaladora, e a realização do sacrifício que ele estava fazendo por ela a deixou sem palavras.
"Eduardo...", ela começou, sua voz embargada.
Eduardo a puxou para um abraço apertado, sentindo o corpo dela tremer. "Não diga nada, Bela", ele sussurrou em seu ouvido. "Apenas... me deixe cuidar de você."
Sob o céu parisiense, que agora começava a se tingir de um crepúsculo melancólico, Isabella se permitiu ser consolada. Ela havia escapado de Rafael, mas o preço de sua liberdade era alto. E, naquele momento, ela não sabia se poderia aceitar plenamente a generosidade de Eduardo, ou se a sombra da traição de Rafael jamais a deixaria em paz.