A Noiva do Bilionário III

Capítulo 3 — O Fantasma da Mansão Azul

por Camila Costa

Capítulo 3 — O Fantasma da Mansão Azul

A Mansão Azul. Um nome que ecoava nos corredores da memória de Eduardo Montemor como um sussurro proibido, uma lembrança tingida de saudade e culpa. Situada em uma praia remota, longe do burburinho da cidade grande e dos olhos curiosos do mundo, a casa de veraneio da família Montemor era um refúgio de beleza e tranquilidade. Mas para Eduardo, era um campo minado de lembranças dolorosas, um lugar onde os fantasmas de seu passado o assombravam com insistência.

Ele havia fugido para lá há semanas, buscando o isolamento, o silêncio que pudesse abafar o grito de sua consciência. A imagem de Victoria, seu rosto pálido e confuso no altar, a dor em seus olhos, era uma ferida que se recusava a cicatrizar. Cada decisão, cada ação que o levara a aquele ponto, pesava sobre ele como uma montanha.

A casa, antes um símbolo de alegria e despreocupação, agora parecia um mausoléu. A brisa do mar que antes trazia um aroma de liberdade, agora trazia consigo o perfume salgado das lágrimas que ele não chorava. Ele passava os dias vagando pelos cômodos, as paredes imaculadas parecendo absorver seu tormento. O mobiliário elegante, as obras de arte que adornavam as paredes, tudo parecia zombar de sua desgraça.

Um dia, enquanto explorava o sótão empoeirado, em busca de algo, qualquer coisa, que pudesse distraí-lo de seus pensamentos, ele encontrou uma caixa de madeira antiga, escondida sob um monte de lençóis empoeirados. Curioso, ele a abriu. Dentro, estavam velhas fotografias, cartas amareladas e um diário com capa de couro desgastado. Pertenciam a Isabela.

Isabela. O nome que ele jurara apagar de sua vida, mas que se recusava a sair de sua mente. O amor de sua juventude, a mulher que o ensinara o significado da paixão e da dor. Ela havia partido repentinamente, deixado-o com um coração partido e um futuro incerto.

Com as mãos trêmulas, Eduardo pegou as cartas. Eram cartas de amor, escritas com a paixão ardente de uma jovem apaixonada. Cada palavra era um eco do passado, um lembrete do que ele havia perdido. Ele leu sobre seus sonhos, seus medos, seu amor por ele. E então, ele encontrou uma carta que o fez parar.

Era a última carta que ela lhe escrevera antes de desaparecer. Nela, Isabela revelava um segredo terrível, um segredo que a forçava a fugir, a se afastar dele para protegê-lo. Ela estava envolvida em algo perigoso, algo que poderia arruinar ambos. Ela implorava por seu perdão, por sua compreensão.

Eduardo sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele nunca soubera a verdade. Ele apenas sentiu a dor da partida, a amargura da rejeição. Agora, lendo aquelas palavras, uma nova compreensão, uma nova dor, o atingia.

Ele abriu o diário. As páginas estavam repletas de seus pensamentos mais íntimos, seus medos, suas esperanças. E então, ele encontrou uma entrada que o fez congelar.

"Eles me ameaçaram", dizia a escrita frenética. "Eles disseram que se eu não me afastasse de Eduardo, eles o machucariam. Tenho que ir. Por ele. Por nós. Que um dia ele entenda."

Eduardo jogou o diário no chão, o som abafado pelo tapete espesso. Ele sentiu o peso do mundo cair sobre seus ombros. Isabela não o abandonara. Ela o salvara. Ela se sacrificara por ele.

E ele, em sua cegueira, havia fugido para o isolamento, incapaz de lidar com a dor que pensava que ela lhe causara. E agora, ele fizera o mesmo com Victoria. Fugira, deixara-a sozinha no altar, incapaz de enfrentar a verdade de seus próprios segredos.

A culpa o consumia. Ele se sentou no chão, o rosto entre as mãos, o desespero o dominando. Ele havia repetido os mesmos erros, apenas em um contexto diferente. Ele havia machucado duas mulheres que amava, cada uma à sua maneira.

De repente, um barulho na porta da frente o tirou de seu torpor. Era a voz de seu motorista, o leal e discreto José.

"Senhor Montemor", disse José, sua voz firme, mas com uma pitada de preocupação. "Um carro acaba de chegar. Uma mulher. Ela se identificou como sua advogada."

Eduardo franziu a testa. Ele não tinha agendado nenhuma reunião. "Quem é ela?", perguntou, sentindo uma pontada de apreensão.

"Ela se chama Dra. Helena Vasconcelos", respondeu José. "Parece ser bastante insistente."

Eduardo levantou-se, sentindo o peso de seus ombros. Helena Vasconcelos. A advogada que cuidava de seus negócios mais delicados, aqueles que exigiam discrição absoluta. Por que ela estaria ali?

Ele desceu as escadas, a mente fervilhando de possibilidades. Ao entrar na sala de estar, viu Helena, uma mulher de cabelos grisalhos bem penteados e um olhar perspicaz, sentada elegantemente em uma das poltronas. Ela o cumprimentou com um aceno de cabeça.

"Senhor Montemor", disse ela, sua voz profissional e calma. "Tenho notícias urgentes sobre a Srta. Alencar."

O coração de Eduardo deu um salto. Victoria. Ele havia tentado se afastar dela, mas seu destino parecia estar intrinsecamente ligado ao dela.

"O que aconteceu com ela?", perguntou, a urgência em sua voz evidente.

"Ela está investigando você, Sr. Montemor", respondeu Helena, seus olhos fixos nos dele. "Com a ajuda de um detetive particular. Ela quer saber por que você desapareceu. Ela quer a verdade."

Eduardo sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele sabia que ela era forte, mas não imaginava que ela fosse tão determinada. Ele sabia que ela não descansaria até descobrir a verdade.

"O que ela descobriu?", perguntou ele, a apreensão crescendo em seu peito.

"Por enquanto, pouco", respondeu Helena. "Ela está focada em seu passado, em seus negócios. Mas ela é inteligente, Sr. Montemor. E a senhora Alencar é uma mulher que não desiste facilmente."

Eduardo sentou-se na poltrona em frente a Helena, sentindo o peso de suas próprias ações. Ele havia fugido de seus problemas, mas agora eles o haviam encontrado. E ele sabia que não poderia mais fugir.

"Eu preciso voltar", disse ele, sua voz firme. "Preciso enfrentar isso. Preciso explicar tudo para Victoria."

Helena assentiu. "A senhora Alencar está determinada a descobrir a verdade, Sr. Montemor. E a verdade sobre você... é complexa. Existem muitos segredos que podem colocá-la em perigo."

"Eu a protegerei", disse Eduardo, a decisão em seus olhos. "Farei o que for preciso para protegê-la."

Ele olhou para as cartas de Isabela, para o diário que jazia no chão. Ele entendera o sacrifício dela. Agora, ele precisava honrar isso, protegendo Victoria, a mulher que ele amava, mesmo que o preço fosse a sua própria felicidade.

Ele se levantou, sentindo um novo propósito. A fuga havia acabado. A hora de enfrentar as consequências havia chegado. Ele pegou o celular e discou o número de seu piloto. "Prepare o jato. Preciso ir para a cidade imediatamente."

Enquanto o jato particular o levava de volta para a selva de concreto, Eduardo Montemor sabia que a batalha estava apenas começando. Ele precisava reconquistar a confiança de Victoria, protegê-la dos perigos que o cercavam e, talvez, encontrar uma maneira de redimir seus erros. A Mansão Azul, com suas memórias dolorosas, ficaria para trás. À frente, estava o desafio de enfrentar o passado e lutar por um futuro que ele quase destruiu.

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