O Último Beijo III

Capítulo 4 — A Guerra das Heranças e a Força de Vontade

por Camila Costa

Capítulo 4 — A Guerra das Heranças e a Força de Vontade

A sala de reuniões, antes um espaço de planejamento e esperança, agora se transformara em um campo de batalha. O ar estava carregado de acusações veladas e ressentimentos antigos, e Sofia Montenegro, com sua postura altiva e um olhar que parecia disparar flechas, era a comandante da ofensiva.

“Um acordo, você diz, Sofia?”, Isabella questionou, sua voz mantendo uma calma calculada, embora por dentro a fúria borbulhasse. “Gabriel nunca mencionou acordo algum comigo. E se ele tivesse, teria me contado. Ele era honesto comigo.”

Sofia soltou uma risada irônica. “Oh, Isabella, você sempre foi tão ingênua. Gabriel e eu fomos casados por cinco anos. Cinco anos em que construímos muito juntos. Ele prometeu que, se algo acontecesse, eu teria o meu quinhão justo. E agora, com essa sua pequena ‘fundação’… você pensa que pode simplesmente apagar a minha existência da vida dele?”

“Eu não estou apagando ninguém, Sofia. Estou honrando um desejo de Gabriel. Um desejo que ele me confiou em vida, e que ele reforçou em sua última carta.” Isabella bateu levemente na caixa de madeira. “Este é o legado dele para mim. E ele é claro sobre isso.”

Clara, a advogada, interveio com sua voz calma e profissional. “Senhora Montenegro, sem provas concretas de um acordo legalmente vinculativo, qualquer alegação de direito sobre os bens do Senhor Montenegro carece de fundamento. A carta e o testamento que Isabella possui são os documentos primários neste momento.”

Sofia lançou um olhar de desprezo para Clara. “Documentos podem ser questionados. E eu tenho testemunhas que podem corroborar a existência desse acordo. Além disso, a própria natureza do que Gabriel deixou para Isabella… é algo que não condiz com o que ele costumava falar sobre o futuro dele. Ele sempre foi um homem de negócios pragmático, não um idealista. Essa fundação… soa mais como um capricho sentimental seu.”

As palavras de Sofia eram como veneno, visando minar a credibilidade de Isabella e a validade do desejo de Gabriel. Isabella sentiu o chão tremer sob seus pés, mas se manteve firme. Ela sabia que Sofia estava tentando explorá-la, atacando suas vulnerabilidades.

“Você não entende Gabriel como eu”, disse Isabella, sua voz ganhando uma força inesperada. “Ele não era apenas um homem de negócios. Ele tinha um coração, uma alma. E ele amava a arte, a cultura. Ele acreditava no potencial das pessoas. Ele me deu essa fundação porque acreditava em mim, e porque sabia que eu faria dela algo grandioso, algo que o orgulharia.”

Ricardo, que até então observava em silêncio, decidiu intervir. “Sofia, com todo o respeito, eu trabalhei com Gabriel por mais de quinze anos. Eu vi a evolução dele, vi como o relacionamento dele com Isabella o transformou. Ele estava mais feliz, mais inspirado do que nunca. Essa fundação é a materialização desse amor, desse desejo de deixar algo positivo para o mundo. Algo que ele sabia que Isabella seria capaz de realizar.”

Sofia riu novamente, um som áspero. “Amor? Sempre essa história de amor. O amor não paga as contas, Ricardo. E o que me é devido, é meu. Eu não vou sair de mãos vazias. Tenham certeza disso.” Ela se levantou, a imponência tomando conta de seu corpo. “Preparem-se, Isabella. Porque essa guerra está apenas começando. E eu não costumo perder.”

Com essa ameaça final, Sofia Montenegro se virou e saiu da sala, seu advogado logo atrás. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de apreensão.

“Ela é perigosa, Isabella”, disse Clara, sua voz séria. “Temos que estar preparados para uma batalha legal. Ela vai tentar provar que existe um acordo anterior ao testamento dela, ou que a vontade de Gabriel foi influenciada.”

Isabella sentiu um frio na espinha. A ideia de uma batalha legal prolongada, de ver a memória de Gabriel sendo distorcida em tribunais, era aterradora. Mas ela não ia recuar. A imagem de Gabriel, seu amor, seu futuro, estava em jogo.

“Eu sei, Clara. E não vou deixar que ela vença. Gabriel me deu essa missão. E eu vou honrá-la. A fundação será criada. E será um sucesso.” Isabella olhou para Ricardo, seus olhos brilhando com uma determinação renovada. “Precisamos de provas, não é? Provas de que esse projeto era algo que Gabriel planejava e que ele queria que eu o realizasse.”

Ricardo assentiu. “Temos que vasculhar todos os arquivos dele. E-mails, documentos, anotações. Talvez ele tenha deixado algo que comprove essa intenção. Talvez ele tenha comentado com alguém.”

“Precisamos pensar como Gabriel pensava”, disse Isabella, sua mente já trabalhando em alta velocidade. “Ele era metódico, mas também apaixonado. Se ele sonhou com essa fundação, ele deve ter deixado rastros.”

Nos dias seguintes, o escritório de Isabella se transformou em um quartel-general. Ela, Clara e Ricardo mergulharam nos arquivos de Gabriel. Horas intermináveis foram dedicadas a desenterrar e-mails antigos, a folhear cadernos de anotações repletos de ideias e esboços, a revisar documentos financeiros. O cheiro de papel velho e de café forte pairava no ar.

Em meio à papelada, Isabella encontrou mais trechos do diário de Gabriel, onde ele descrevia com detalhes a sua visão para a fundação, os tipos de artistas que ele gostaria de apoiar, os objetivos que ele almejava. Havia também e-mails dele com arquitetos e designers de interiores, discutindo o projeto de um centro cultural que ele imaginava construir em um terreno que possuía no centro da cidade.

“Olha isso!”, exclamou Isabella, um dia, mostrando um e-mail a Clara e Ricardo. “Gabriel estava planejando um centro cultural. Ele já havia encomendado projetos arquitetônicos. Isso não é algo que se faz da noite para o dia. É um plano concreto, uma intenção clara!”

Ricardo analisou os desenhos. “É impressionante. Ele realmente estava dedicando tempo e recursos a isso. Isso pode ser uma prova valiosa.”

Clara, no entanto, permaneceu cautelosa. “É uma forte evidência da intenção dele, Isabella. Mas Sofia ainda pode argumentar que isso era um projeto pessoal dele, e não necessariamente algo que ele deixaria para você administrar após sua morte, especialmente se ela puder provar a existência do acordo.”

A batalha estava longe de terminar. Sofia, impulsionada pela sua sede de vingança e pela possibilidade de obter uma parcela maior da fortuna de Gabriel, estava determinada a seguir com a ação judicial. Ela contratou um dos advogados mais temidos do país, conhecido por sua agressividade e suas táticas implacáveis.

Uma noite, enquanto Isabella revisava os e-mails de Gabriel, um nome chamou sua atenção: “Dr. Matias Carvalho”. Havia uma série de trocas de mensagens entre Gabriel e esse Dr. Carvalho, datadas de alguns meses antes do acidente. Os e-mails pareciam tratar de assuntos pessoais, mas o tom era de confidência.

“Clara, quem é Dr. Matias Carvalho?”, perguntou Isabella, intrigada.

Clara pesquisou rapidamente em seu laptop. “Dr. Matias Carvalho… é um psicólogo renomado, especializado em terapia de casal e individual. Gabriel nunca mencionou que estava fazendo terapia.”

A descoberta fez Isabella sentir um misto de surpresa e tristeza. Gabriel, o homem forte e seguro, buscara ajuda profissional. E ele havia conversado com o Dr. Carvalho sobre o seu casamento com Sofia, e sobre os seus sentimentos por Isabella.

“Precisamos falar com ele, Clara. Talvez ele possa confirmar que o meu relacionamento com Gabriel era sério, que ele via um futuro comigo. E talvez ele possa atestar a validade do desejo de Gabriel de criar a fundação.”

Clara assentiu. “É um risco. A confidencialidade médica é um direito. Mas, se o Dr. Carvalho estiver disposto a testemunhar voluntariamente, pode ser crucial para o nosso caso.”

O encontro com o Dr. Matias Carvalho foi marcado para o dia seguinte. Isabella sentiu um misto de esperança e apreensão. Aquele homem, um estranho, poderia ser a chave para proteger o legado de Gabriel e o seu próprio futuro. A guerra estava se intensificando, e Isabella sabia que precisava de todas as armas que pudesse reunir, não apenas legais, mas também emocionais. Ela precisava provar que o amor de Gabriel por ela era real, e que a fundação era o seu desejo mais sincero.

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