O Último Beijo III

Capítulo 8 — As Sombras da Exposição e a Carta Anônima

por Camila Costa

Capítulo 8 — As Sombras da Exposição e a Carta Anônima

A galeria de arte, antes um refúgio para a alma de Clara, transformou-se em um campo minado naquela noite. A visão de Victor, com seu sorriso escarninho e o brilho de malícia nos olhos, gelou seu sangue. Ela tentou focar em Sofia, em sua amiga, mas seus olhos continuavam sendo atraídos para a figura de Victor, que parecia se deleitar com o desconforto que causava. A mulher ao lado dele, com seu vestido de couro preto e um ar de superioridade, era uma presença intimidante.

"Quem é aquela mulher com Victor?" Clara perguntou a Sofia, a voz baixa, tentando manter a naturalidade.

Sofia deu de ombros, um leve franzir de cenho. "Não tenho ideia. Nunca a vi antes. Victor sempre foi bom em colecionar... companhias duvidosas." Ela sussurrou a última parte, lançando um olhar disfarçado para a figura de Victor.

A cada minuto que passava, Clara sentia a pressão aumentar. Ela sabia que Victor não apareceria em um evento público como aquele por acaso. Havia um propósito por trás de sua presença, uma intenção calculada para atormentá-la. O segurança que Rafael havia designado, um homem discreto, mas atento, mantinha-se a uma distância respeitosa, mas seus olhos varriam o ambiente constantemente.

"Eu acho que preciso ir embora," Clara disse a Sofia, sentindo um aperto no peito. "Rafael deve estar preocupado."

"Já?" Sofia protestou suavemente. "Você acabou de chegar. Fique um pouco mais. A noite está apenas começando."

"Eu sei, mas... eu não me sinto bem. De repente, uma dor de cabeça terrível." Clara mentiu, buscando uma desculpa para escapar daquela atmosfera sufocante.

Enquanto se despediam, Victor fez questão de cruzar o caminho delas. Ele parou, seus olhos fixos em Clara, um sorriso lento e perigoso se espalhando por seu rosto. A mulher ao seu lado o observava com interesse, como se estivesse assistindo a uma peça de teatro.

"Ora, ora, veja quem resolveu dar as caras," Victor disse, sua voz carregada de escárnio. "Não sabia que você se interessava por arte, Clara. Pensei que seus interesses fossem mais... terrenos." Ele fez uma pausa, deixando a insinuação pairar no ar. "Mas talvez você tenha aprendido a apreciar a beleza nas coisas ruins, não é mesmo?"

Clara o encarou, tentando manter a compostura. "Victor, você não me engana. Sei que sua presença aqui não é coincidência. Se você veio para me atormentar, saiba que não vai conseguir."

Victor riu, um som desagradável que fez com que algumas pessoas próximas se virassem. "Atormentar? Eu estou apenas admirando a beleza. E você, Clara, sempre foi uma obra de arte. Uma obra que um dia pertenceu a mim." Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dela. "E eu não gosto de ver o que é meu nas mãos de outros."

O segurança, percebendo a tensão, aproximou-se discretamente. "Senhora, está tudo bem?"

Victor o ignorou, seus olhos fixos em Clara. "Ainda não terminamos nossa conversa, meu amor. Você ainda vai me agradecer por tudo que eu fiz. Você vai ver." E com um último sorriso ameaçador, ele se virou e desapareceu na multidão, a mulher ao seu lado seguindo-o sem hesitação.

Clara sentiu as pernas tremerem. A audácia de Victor a deixara chocada. Ele estava mais perigoso do que nunca. Ela agradeceu a Sofia e saiu da galeria rapidamente, o guarda a seguindo de perto. No carro, enquanto se dirigiam de volta para casa, Clara não conseguia parar de pensar nas palavras de Victor. O que ele quis dizer com "você vai me agradecer"? E quem era aquela mulher?

Ao chegar em casa, Rafael a esperava na porta, a preocupação estampada em seu rosto. Ele a abraçou forte, sentindo a apreensão que ela emanava.

"Eu sabia que não era uma boa ideia," ele disse, a voz embargada. "Você está bem?"

"Eu estou bem, Rafael," Clara respondeu, mas sua voz soava fraca. "Mas Victor estava lá. Ele me ameaçou." Ela contou a ele tudo o que havia acontecido, as palavras cruéis, o olhar possessivo.

Rafael a abraçou com mais força. "Ele não vai te machucar, Clara. Eu juro. Eu vou lidar com isso. O Dr. Almeida está acelerando tudo. Em breve, Victor estará de volta na cadeia, e desta vez, ele não sairá mais."

Naquela noite, Clara mal conseguiu dormir. As palavras de Victor ecoavam em sua mente, misturadas à imagem da mulher misteriosa. Parecia que, a cada passo que davam em direção à paz, Victor criava novas formas de semear o caos.

Na manhã seguinte, uma carta chegou para Clara. Era um envelope simples, sem remetente. A letra era desconhecida. Com as mãos trêmulas, Clara abriu o envelope. Dentro, um único pedaço de papel dobrado.

"Você acha que ele vai te proteger para sempre? Acha que o amor dele é mais forte que a ganância dele? Pense bem. As pessoas têm seus segredos. E os segredos de Rafael podem te custar mais do que você imagina. Cuidado com quem você confia. Cuidado com o seu último beijo."

O coração de Clara gelou. Aquela mensagem era uma clara tentativa de semear a discórdia entre ela e Rafael. A menção ao "último beijo" a fez lembrar de tudo que haviam passado, das promessas que haviam trocado. Quem estaria por trás disso? Victor? Ou seria a misteriosa mulher que o acompanhava?

Ela mostrou a carta a Rafael. Ele leu com uma expressão de raiva crescente. "Isso é obra de Victor. Ele está desesperado. Ele quer nos separar. Mas não vai conseguir."

"Mas quem é aquela mulher, Rafael? E como ele sabia sobre o nosso último beijo?" Clara perguntou, a voz embargada. A dúvida, como uma erva daninha, começava a brotar em seu coração.

Rafael a olhou nos olhos, a sinceridade transbordando. "Eu não sei quem é a mulher. Mas quanto ao beijo, ele sabe porque você me contou. E eu confio em você, Clara. Sempre confiei. Essa carta é uma tentativa barata de nos dividir. Não caia no jogo dele."

Clara assentiu, mas a semente da desconfiança já havia sido plantada. Ela amava Rafael profundamente, mas as palavras de Victor, a carta anônima, a presença daquela mulher enigmática... tudo criava um turbilhão de incertezas. Ela sabia que a luta contra Victor estava longe de terminar, e agora, uma nova batalha começava: a batalha para manter a confiança e o amor intactos em meio às sombras que ameaçavam consumi-los.

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