Rendida a ele III

Capítulo 2 — O Encontro Marcado pelo Destino

por Camila Costa

Capítulo 2 — O Encontro Marcado pelo Destino

O sol da tarde banhava Trancoso com uma luz dourada, realçando as cores vibrantes das casas caiadas e a beleza rústica da vila. Helena, com um vestido leve de linho e os cabelos presos em um coque despojado, caminhava pelas ruelas de paralelepípedos, o aroma de maresia e flores silvestres no ar. A pousada "O Encanto da Lua" estava movimentada, os hóspedes aproveitando a tarde tranquila, e ela, como sempre, dedicava-se a garantir que tudo estivesse perfeito.

Dona Alzira a observava de longe, sentada em sua varanda, o tricô em mãos. A menina estava mais serena hoje, um vislumbre de seu sorriso habitual voltando a despontar. Mas o olhar, ah, o olhar ainda guardava uma inquietação que a preocupava. A notícia do retorno de Miguel pairava sobre a vila como uma névoa fina, afetando a todos, mas principalmente Helena.

De repente, um burburinho se formou na entrada da pousada. Helena, que supervisionava a arrumação das mesas do restaurante externo, ergueu os olhos e o coração disparou em seu peito. Ali, parado como uma estátua imponente, estava ele. Miguel.

Ele estava diferente, mas ao mesmo tempo, inconfundivelmente o mesmo. O tempo lhe trouxera uma maturidade, um ar de mistério que a atraíra e a assustara na juventude. Seus cabelos escuros, antes um pouco desgrenhados, agora eram mais curtos, mas ainda com o mesmo brilho intenso. O terno escuro que usava contrastava com a paisagem colorida de Trancoso, mas era a intensidade em seus olhos azuis, agora mais profundos e, talvez, mais sombrios, que a deixava sem ar.

Ele a avistou. Seus olhares se cruzaram e um silêncio carregado de anos de saudade e mágoa se instalou entre eles. Helena sentiu o sangue subir ao rosto, o coração batendo descompassado em seu peito. Era real. Ele estava ali.

Um dos funcionários da pousada, sem saber da história, aproximou-se de Miguel, sorrindo. "Boa tarde, senhor. Bem-vindo ao Encanto da Lua. Posso ajudar em algo?"

Miguel sorriu, um sorriso que atingiu seus olhos, mas que não alcançou totalmente a profundidade de sua melancolia. "Eu… gostaria de falar com a proprietária."

O funcionário se virou para Helena. "Helena, um senhor quer falar com você."

Helena respirou fundo, tentando controlar o tremor em suas mãos. Ela se aproximou, o vestido branco esvoaçando em torno de suas pernas. Cada passo era uma batalha contra a vontade de correr, de se esconder, de fugir daquele encontro.

"Miguel." A voz dela saiu mais baixa do que esperava, quase um sussurro.

Ele a encarou, a admiração genuína em seus olhos. "Helena. Você está… deslumbrante."

O elogio, vindo dele, a desarmou por completo. "Obrigada. O que faz aqui?" A pergunta era direta, mas a frieza era uma armadura que ela vestia para se proteger.

Ele deu um passo à frente, a distância entre eles diminuindo. "Eu voltei. Para Trancoso."

"Eu notei." A ironia em sua voz era sutil, mas presente. "E pretende ficar?"

Miguel hesitou por um instante, olhando ao redor, para a pousada que ela tão bem soubera administrar. "Sim. Eu preciso resolver algumas coisas. E… eu queria te ver."

O "eu queria te ver" ecoou em sua mente. Cinco anos de silêncio, de ausência, e agora, ele aparecia dizendo que queria vê-la. Era audacioso, era cruel, era… Miguel.

"Por que agora, Miguel?" A pergunta veio carregada de anos de dor, de questionamentos sem resposta. "Por que depois de tanto tempo?"

Ele respirou fundo, o olhar fixo no dela. "Eu sei que te devo explicações. E eu quero dá-las. Mas não aqui. Não agora." Ele olhou para os funcionários que discretamente se afastavam, para os hóspedes que lançavam olhares curiosos. "Podemos nos encontrar? Um café? Um jantar?"

Helena o encarou, a tempestade de emoções a consumindo. A raiva, a saudade, a mágoa, a curiosidade. Tudo se misturava em um turbilhão caótico. Ela sabia que deveria dizer não. Deveria mandar que ele fosse embora e nunca mais voltasse. Mas algo em seu olhar, naquela profundidade que a assustava e a atraía, a fez hesitar.

"Eu não sei, Miguel." A honestidade era a única arma que ela tinha contra ele.

"Por favor, Helena." A súplica em sua voz era genuína. "Só mais uma chance. Para que eu possa te explicar tudo."

Ela se virou, dando alguns passos em direção à entrada da pousada, o barulho da vila parecendo distante. Olhou para o céu azul, para as nuvens brancas que flutuavam preguiçosamente. Ela era dona da pousada, mas ainda se sentia uma prisioneira de seu passado.

"Amanhã", ela disse, virando-se para ele. "Na cafeteria da praça. Ao meio-dia. Mas não espere nada, Miguel. Não espere que eu tenha esquecido."

Um alívio visível tomou conta do rosto de Miguel. Um sorriso fraco, mas sincero, surgiu em seus lábios. "Obrigado, Helena. Eu… eu prometo que você não vai se arrepender."

Ele se virou e caminhou em direção à rua, desaparecendo na multidão. Helena ficou ali, parada, o coração ainda em disparada, o eco de suas palavras pairando no ar. Amanhã. O encontro estava marcado. O passado voltava para assombrá-la, e ela, apesar de toda a sua força, sentia-se rendida a ele mais uma vez.

Dona Alzira se aproximou, o olhar compreensivo. "Você fez o certo, minha flor. Enfrentar é sempre o melhor caminho."

Helena suspirou, o nó em sua garganta apertando. "Eu não sei se estou pronta, Dinda."

"Você está mais pronta do que pensa, Helena. E se ele não for o que você espera, você terá a força para mandá-lo embora." Dona Alzira a abraçou. "Agora, vamos. Temos clientes esperando."

Enquanto voltava para o trabalho, Helena sentia o peso daquele encontro. A cafeteria na praça. O mesmo lugar onde eles se conheceram, onde trocaram o primeiro beijo, onde sonharam com um futuro que parecia tão real. E agora, ali, ela teria que ouvir as desculpas de um homem que a deixou sem nada além de memórias dolorosas.

Na mansão, Miguel observava a praça de Trancoso do alto. Ele a vira. Vira a hesitação em seus olhos, a batalha interna que ela travava. E vira a aceitação. Amanhã. Seria o primeiro passo para desatar os nós do passado, para apagar a dor e, quem sabe, reacender a chama que um dia ardeu tão forte entre eles. Ele sabia que seria difícil. Helena não seria fácil de reconquistar. Mas ele estava determinado. Por ela, ele enfrentaria qualquer coisa.

O sol começava a se pôr, pintando o céu com tons de laranja e rosa. Miguel sabia que a noite seria longa. Longa e repleta de reflexões sobre os últimos cinco anos e sobre o futuro que ele ansiava construir ao lado de Helena. Ele sentia a presença dela em cada canto daquela vila, em cada brisa que trazia o cheiro do mar. Trancoso, o palco de sua história de amor, estava prestes a testemunhar mais um capítulo.

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