Rendida a ele III
Capítulo 20 — A Armadilha de Marina
por Camila Costa
Capítulo 20 — A Armadilha de Marina
Em Nova York, o outono avançava com sua beleza melancólica. Marina observava a folhagem dourada do Central Park pela janela de seu escritório, um cenário que contrastava com a frieza de seus planos. A notícia da discórdia entre Sofia e Ricardo era música para seus ouvidos. A confiança quebrada entre eles era o terreno fértil que ela precisava para semear a discórdia definitiva.
Ela havia orquestrado tudo com precisão cirúrgica. As informações sobre a carta de seu pai, vazadas intencionalmente para Sofia através de um contato confiável, haviam cumprido seu papel de abalar a fundação de confiança entre ela e Ricardo. Agora, era hora de apertar o cerco.
Um toque em seu celular a tirou de seus devaneios. Era Ricardo. Um sorriso sutil dançou em seus lábios. Ele estava caindo em sua teia.
"Ricardo, querido", disse ela, com a voz melodiosa e cheia de falsa preocupação. "Ouvi dizer que as coisas não estão fáceis aí no Brasil."
"Marina", a voz dele soava tensa. "Como você sabe?"
"Oh, querido, as notícias voam rápido. E você sabe que eu tenho meus ouvidos atentos. Sinto muito pelo que está acontecendo com Sofia. Eu sempre soube que ela era… uma alma sensível."
Marina sabia exatamente como usar a vulnerabilidade de Sofia para manipular Ricardo. A culpa dele era um ponto fraco que ela explorava com maestria.
"Sofia está sofrendo, Marina. E eu… eu não sei o que fazer." A voz de Ricardo traía sua angústia.
"Eu sei que você se importa com ela, Ricardo. E admiro isso. Mas, às vezes, o amor nos cega. E você precisa se proteger também. Lembra do que eu sempre te disse? Que o mundo dos negócios é implacável. E os sentimentos podem ser uma fraqueza."
"Você não entende, Marina. Eu não posso simplesmente abandoná-la."
"Não estou dizendo para abandonar, querido. Estou dizendo para ser inteligente. Para se afastar um pouco, para pensar com clareza. Eu estou aqui para você, Ricardo. Sempre estive. Se precisar de um ombro amigo, de alguém que entenda o peso que você carrega… pode contar comigo."
Marina sabia que o orgulho de Ricardo, misturado à sua confusão, o levaria a buscar refúgio em sua experiência e em sua aparente compreensão. Ela o havia enredado em suas promessas de consolo, transformando-se na salvadora que ele acreditaria precisar.
Enquanto isso, no Brasil, Sofia lutava contra o isolamento. A conversa com Ricardo a deixara ainda mais confusa. As palavras dele, a culpa que ele demonstrava, a necessidade de "protegê-la", tudo parecia uma teia complexa de desculpas. Ela tentava se concentrar em seu trabalho, em manter a rotina, mas a imagem de Ricardo, e a sombra de Marina, pairavam sobre sua mente.
Laura, percebendo a fragilidade da amiga, decidiu intervir. Ela sabia que Marina era uma ameaça, e que Sofia estava vulnerável.
"Sofia, eu sinto muito por tudo isso", disse Laura, sentada ao lado dela no sofá. "Mas você não pode se fechar assim. Precisamos agir. Marina não vai parar."
"Agir como, Laura? Eu não sei em quem confiar. Ricardo diz que me ama, mas ele escondeu a verdade. Ele pode estar envolvido com Marina de uma forma que eu nem imagino."
"Eu sei que é difícil, mas você precisa ter clareza. Eu tenho um amigo que trabalha na polícia, ele pode nos ajudar a investigar a Marina. Saber o que ela anda tramando, para onde vai o dinheiro dela…"
Sofia olhou para Laura, uma centelha de esperança acendendo em seus olhos. A ideia de ação, de lutar, parecia um bálsamo para sua alma atormentada.
"Você acha que podemos descobrir algo?", perguntou Sofia, a voz mais firme.
"Temos que tentar. Não podemos deixar ela vencer. Não depois de tudo o que ela causou."
Enquanto Sofia e Laura traçavam seus planos, Marina em Nova York recebia novas informações. Seus contatos no Brasil a alertaram sobre a aproximação de Sofia com a polícia, sobre a busca por informações. Um leve descontentamento cruzou seu rosto. A iniciativa de Sofia era um imprevisto, mas não um que ela não pudesse controlar.
Marina sorriu, um sorriso gélido e calculista. Ela pegou seu telefone e discou um número.
"Alô, meu caro Ricardo", disse ela, a voz suave e sedutora. "Como você está se sentindo? Precisa de uma distração? Tenho uma ideia que pode te animar. Que tal vir para Nova York? Um pouco de ar fresco, longe de toda essa confusão. Podemos conversar… e resolver alguns assuntos importantes."
Do outro lado da linha, Ricardo hesitou. Ele sabia que Marina era perigosa, mas a promessa de uma fuga, de um alívio para sua consciência atormentada, era tentadora. E, em sua confusão, ele acreditava que Marina seria a única a entender sua situação.
A armadilha estava pronta. Marina havia atraído Ricardo para seu território, onde ela exercia controle total. Ela sabia que, com ele ao seu lado, e com Sofia distraída pela investigação, ela poderia finalmente executar o golpe final. A sombra do passado de Marina se estendia sobre Nova York, e o futuro de Sofia e Ricardo parecia cada vez mais incerto, envolto nas teias sombrias de uma mulher implacável. A batalha pela verdade estava longe de terminar; na verdade, ela estava apenas começando.