Rendida a ele III

Capítulo 3 — As Palavras Não Ditas

por Camila Costa

Capítulo 3 — As Palavras Não Ditas

A praça de Trancoso pulsava com a vida da tarde. As crianças corriam em volta da fonte, os turistas tiravam fotos com seus celulares, e o burburinho das conversas preenchia o ar. Helena sentou-se em uma das mesas da charmosa cafeteria, o cheiro de café fresco e pão de queijo pairando no ambiente. A cada minuto que passava, seu coração parecia dar um salto em seu peito. A impaciência se misturava à ansiedade, e a cada pessoa que passava pela porta, ela se pegava olhando, o peito apertando.

Ela havia escolhido a cafeteria de propósito. Era ali que tudo começara. Onde, cinco anos atrás, ela e Miguel passavam horas conversando sobre a vida, sobre seus sonhos, sobre o futuro que parecia tão promissor. Agora, o mesmo lugar parecia carregar o peso de uma promessa quebrada, de um amor interrompido.

A porta se abriu e ele entrou. Miguel. A mesma imponência, a mesma aura que a desarmava. Ele a viu, um leve sorriso curvando seus lábios, e caminhou em sua direção. Os olhos azuis se encontraram e Helena sentiu o chão sumir sob seus pés. Ele estava ainda mais bonito, com uma serenidade que antes não possuía, mas com uma sombra de preocupação que ele não conseguia disfarçar.

"Helena." A voz dele era suave, carregada de uma emoção que ela não soube decifrar.

"Miguel." Ela tentou manter a voz firme, mas a emoção a traiu.

Ele sentou-se à sua frente, o olhar fixo no dela. "Obrigado por vir."

"Eu disse que viria. Mas não espere milagres."

Ele assentiu, compreensivo. "Eu sei. Você tem todo o direito de estar chateada. E eu… eu não tenho palavras para pedir desculpas."

"Então para que veio?" A pergunta saiu mais ríspida do que ela pretendia.

Miguel respirou fundo. "Para te explicar. Para que você entenda. E para que, talvez, você possa me perdoar."

Ele contou. Contou sobre os negócios escuros que envolviam sua família, sobre as ameaças veladas, sobre a perseguição implacável que o forçou a desaparecer. Contou sobre o medo. O medo de que algo acontecesse a Helena se ele permanecesse ao seu lado. Contou sobre a dor de partir, de deixá-la, de saber que estava a machucando, mas que era a única forma de protegê-la.

Helena o ouviu em silêncio, as lágrimas teimando em rolar por seu rosto. Cada palavra dele era um golpe em seu coração, mas também um alívio. A explicação, por mais dolorosa que fosse, trazia um sentido para a ausência dele. Ela viu a angústia em seus olhos, a sinceridade em sua voz.

"Você podia ter me dito, Miguel." A voz dela estava embargada. "Podia ter me deixado escolher. Podia ter me deixado lutar ao seu lado."

"Eu não queria te colocar em perigo, Helena. Você era a minha única luz, o meu único motivo para seguir em frente. E eu não suportaria te ver em perigo por minha causa."

Ele estendeu a mão sobre a mesa, mas Helena não a alcançou. O toque parecia perigoso, um convite para cair novamente em seus braços, em seu encanto.

"Cinco anos, Miguel. Cinco anos de incertezas, de dor, de tentar te esquecer."

"Eu sei. E cada dia desses cinco anos foi um tormento para mim também. Viver longe de você, sem saber se você estava bem, foi a pior punição." Ele a olhou nos olhos. "Mas agora eu voltei. E não vou embora mais. Eu vou consertar tudo. Por mim, por você, por nós."

Helena sentiu seu coração derreter um pouco. A raiva dava lugar à compaixão, à saudade que ainda ardia em seu peito. Ele estava ali, vulnerável, contando seus medos, pedindo uma nova chance. E ela, por mais que tentasse ser forte, sentia que estava cedendo.

"Eu não sei se consigo, Miguel." A dúvida em sua voz era real. O medo de ser machucada novamente era grande.

"Eu vou te reconquistar, Helena. Vou te mostrar que vale a pena. Vou te provar que o nosso amor é mais forte do que qualquer obstáculo." Ele segurou sua mão, e desta vez, Helena não se afastou. O toque dele era quente, familiar, e trouxe de volta a sensação que ela tanto sentira falta.

Eles conversaram por horas, revivendo memórias, compartilhando os anos que passaram separados. O café esfriou, o sol se pôs, e as estrelas começaram a brilhar no céu de Trancoso. Helena sentiu que, aos poucos, as barreiras que ela construiu estavam desmoronando. A presença de Miguel era reconfortante, a sinceridade de suas palavras a convenciam.

Ao final da conversa, Helena olhou para ele, um misto de esperança e apreensão em seus olhos. "Eu não sei o que o futuro nos reserva, Miguel. Mas… eu estou disposta a tentar."

Um sorriso largo iluminou o rosto de Miguel. Ele apertou a mão dela com mais força. "Obrigado, meu amor. Você não vai se arrepender. Eu prometo."

Ele a acompanhou até a porta da pousada. O silêncio entre eles era confortável, carregado de promessas e de um futuro incerto. Helena o observou se afastar, o coração leve pela primeira vez em muito tempo. Talvez, apenas talvez, o amor que ela sentiu por Miguel ainda estivesse ali, adormecido, esperando o momento certo para renascer.

Na mansão, Miguel sentia o peso da responsabilidade, mas também a alegria de ter Helena de volta em sua vida. Ele sabia que o caminho seria árduo, mas estava determinado a reconquistá-la, a protegê-la e a construir um futuro juntos, sem segredos e sem medos. O amor deles, que um dia foi interrompido, agora renascia, mais forte e mais resiliente do que nunca.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%