Rendida a ele III

Capítulo 7 — A Tentação do Desejo

por Camila Costa

Capítulo 7 — A Tentação do Desejo

O sol da manhã banhava o apartamento de Isabella com uma luz dourada e convidativa, mas a paz que ele trazia era superficial. Em seu interior, a tempestade de emoções desencadeada pela noite anterior ainda rugia. O encontro com Mateus, as palavras sussurradas ao telefone, tudo reverberava em sua mente, deixando-a em um estado de febril excitação e apreensão.

Ela se levantou, sentindo o corpo um pouco dolorido, um reflexo da tensão e da excitação que haviam dominado suas horas de sono. O roupão de seda azul-marinho ainda estava ali, um lembrete tátil da noite que passou. Caminhou até a janela, abrindo as cortinas e observando a cidade despertar. O movimento lá embaixo, os carros passando, as pessoas indo e vindo em suas rotinas, pareciam um mundo distante, um universo onde ela ainda não havia se permitido mergulhar completamente.

O café da manhã foi um ritual solitário. Preparou um expresso forte e sentou-se à mesa, a xícara entre as mãos, o calor reconfortante, mas incapaz de aquecer a inquietação em sua alma. Cada gole era um convite para reviver os momentos com Mateus: o toque de seus dedos em sua pele, a forma como seus olhos a percorriam, a intensidade de seu abraço. Era um vício que ela não conseguia – e, francamente, não queria – abandonar.

Seu dia de trabalho na galeria de arte foi um borrão. Manteve-se focada nos quadros, nas negociações, nas tarefas administrativas, mas sua mente vagava constantemente. Via o rosto de Mateus em cada pincelada, ouvia sua voz em cada conversa. Seus colegas a achavam distraída, um tanto absorta. Clara, sua assistente mais próxima, chegou a perguntar se ela estava se sentindo bem.

"Sim, Clara, estou ótima", respondeu Isabella, forçando um sorriso. "Apenas um pouco cansada. Tive uma noite agitada."

Clara, com seu instinto aguçado para intrigas, arqueou uma sobrancelha. "Agitada, é? Se precisar de um ombro amigo ou de um bom conselho, sabe onde me encontrar."

Isabella apenas assentiu, grata pela preocupação, mas sabendo que Clara jamais entenderia a complexidade do turbilhão que a envolvia. Como explicar a uma amiga que um homem que ela mal conhecia, mas que a atraía com uma força irresistível, havia virado seu mundo de cabeça para baixo?

O telefone tocou no final da tarde, interrompendo uma negociação tensa com um colecionador. Era ele. Mateus. Um sorriso involuntário surgiu em seus lábios.

"Isabella", ele disse, a voz com um tom mais seguro, confiante. "Como está o seu dia?"

"Produtivo, apesar de tudo", respondeu ela, a voz mais leve. "E o seu?"

"Intenso", ele respondeu, e ela pôde sentir a conotação. "Pensando em você a cada minuto."

O elogio a fez corar. "Mateus, nós nos conhecemos há pouco tempo..."

"E o tempo, Isabella, muitas vezes é apenas uma convenção", ele a interrompeu, a voz firme. "Há conexões que transcendem o tempo. E a nossa é uma delas."

Ele a convidou para jantar. A princípio, ela hesitou. Um jantar significava mais tempo juntos, mais chances de se perder naquela atração avassaladora. Mas a ideia de passar mais uma noite sem ele era insuportável.

"Onde?", ela perguntou, a voz soando mais determinada do que ela se sentia.

Ele sugeriu um restaurante italiano discreto, em um bairro charmoso, conhecido por sua atmosfera romântica e comida requintada. Perfeito.

Quando chegou ao restaurante, Mateus já a esperava na entrada. Vestia uma camisa social de linho azul, desabotoada no colarinho, e calças escuras. O cabelo levemente desalinhado, o olhar fixo nela. A visão dele a atingiu como um raio. Era ainda mais bonito do que ela se lembrava. Havia uma aura de mistério e sedução ao seu redor, um magnetismo inegável.

"Você está deslumbrante, Isabella", ele disse, seus olhos azuis percorrendo-a com admiração.

Ela usava um vestido de seda cor de vinho, que realçava suas curvas, e saltos pretos. Sentiu um rubor subir por seu pescoço. "Obrigada, Mateus. Você também não está nada mal."

A noite transcorreu em um turbilhão de sensações. A comida era deliciosa, o vinho, exótico, mas nada se comparava à companhia dele. As conversas fluíam com uma naturalidade surpreendente, abordando desde os prazeres simples da vida até os mistérios do universo. Mateus tinha um dom para fazê-la se sentir à vontade, para extrair dela pensamentos e sentimentos que ela raramente compartilhava.

Ele a ouvia com atenção, seus olhos fixos nos dela, como se o mundo ao redor tivesse desaparecido. E, em troca, ela se via descobrindo facetas dele que a encantavam: sua paixão pela música clássica, seu amor por livros antigos, a forma como ele falava de sua família com um carinho profundo.

Em um dado momento, ele estendeu a mão sobre a mesa e tocou a dela. O contato foi elétrico. Isabella sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Mateus apertou suavemente seus dedos, seus olhos azuis transmitindo uma mensagem silenciosa, uma promessa de algo mais.

"Eu não deveria estar aqui, Mateus", ela murmurou, mais para si mesma.

"E por que não?", ele perguntou, a voz baixa e rouca. "O que te impede de sentir o que é tão evidente entre nós?"

"O medo", ela confessou, a voz embargada. "O medo de me machucar de novo."

Ele inclinou-se para frente, seus olhos agora intensamente focados nos dela. "Eu entendo o seu medo, Isabella. Mas o amor, quando é verdadeiro, vale o risco. E eu sinto que o que estamos sentindo... é verdadeiro."

O peso daquelas palavras pairou no ar. Isabella sentiu seu coração bater mais forte, uma mistura de esperança e terror. Era a primeira vez que alguém falava de amor com tanta convicção em relação a ela desde Ricardo.

"E se você estiver errado?", ela sussurrou.

"E se eu estiver certo?", ele retrucou, um sorriso travesso brincando em seus lábios. "Você está disposta a descobrir?"

A tentação era forte demais. A atração que ela sentia por ele era um fogo que a consumia por dentro. Ela olhou em seus olhos, buscando a verdade ali, e a encontrou. Havia sinceridade, desejo, e uma vulnerabilidade que a desarmou completamente.

Ele a levou para dar uma volta pela orla, sob o luar que pintava a paisagem com tons prateados. O som das ondas quebrando na praia era uma trilha sonora perfeita para o momento. Ele a conduziu até um banco isolado, de frente para o mar, e sentou-se ao seu lado. A proximidade era sufocante.

"Isabella", ele disse, virando-se para ela, o rosto iluminado pela luz da lua. Ele gentilmente afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, e seus dedos roçaram sua bochecha. "Eu não consigo mais negar o que sinto."

Ele se aproximou lentamente, seus olhos azuis encontrando os dela. Isabella não se afastou. Sentiu o hálito quente dele em seu rosto, o cheiro de sua pele a envolvendo. O mundo ao redor desapareceu, restando apenas a iminência daquele beijo.

E então, seus lábios se encontraram. Não foi um beijo hesitante, mas um beijo intenso, apaixonado, que explodiu em sua boca com a força de mil trovões. Era a culminação de dias de desejo reprimido, de noites em claro, de olhares carregados de promessas.

As mãos de Mateus deslizaram para sua cintura, puxando-a para mais perto, enquanto as dela encontravam o caminho para seus cabelos. O beijo se aprofundou, explorando cada contorno, cada curva, cada segredo. Era um beijo que falava de saudade, de paixão, de um amor que parecia ter sido guardado para aquele exato momento.

Quando se separaram, ofegantes, Isabella sentiu-se tonta, desorientada, mas completamente viva. Os olhos de Mateus brilhavam com uma intensidade avassaladora.

"Eu sabia", ele sussurrou, a voz rouca de emoção. "Eu sabia que seria assim."

"Isso é loucura", ela conseguiu dizer, a voz trêmula.

"É o destino, Isabella", ele corrigiu, acariciando seu rosto. "E eu não pretendo fugir dele."

Naquela noite, sob o manto estrelado do Rio de Janeiro, Isabella se permitiu render. Rendida à tentação do desejo, ao encanto de Mateus, e à promessa de um amor que parecia ter sido escrito nas estrelas.

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