Rendida a ele III

Capítulo 8 — O Legado dos Segredos

por Camila Costa

Capítulo 8 — O Legado dos Segredos

O amanhecer trouxe consigo a euforia da noite anterior, mas também uma dose de realidade que Isabella lutou para aceitar. O beijo de Mateus, a intensidade de suas palavras, tudo parecia um sonho vívido. Mas o toque de seus lábios ainda estava em sua boca, a sensação de seus braços ao seu redor ainda a envolvia. Ela sabia que não era um sonho. Era o prenúncio de algo novo, algo perigoso e excitante.

Enquanto preparava seu café, Isabella se pegou sorrindo. A alegria era um sentimento incomum ultimamente, mas agora ela o sentia borbulhar em seu peito. A galeria de arte parecia um lugar diferente naquele dia. Os quadros, antes apenas obras de arte, agora pareciam carregar em si a vivacidade das cores que Mateus havia trazido para sua vida.

Clara a observava com um olhar perspicaz. "Você está radiante hoje, Isabella. Algo aconteceu?"

Isabella sorriu, um sorriso genuíno que raramente mostrava. "Apenas um bom dia", respondeu, desviando da pergunta com maestria.

Mas Clara não era facilmente enganada. "Um bom dia que começou com um certo olhar para o celular a cada cinco minutos?"

Isabella riu. "Talvez eu esteja esperando um contato importante."

O "contato importante" chegou no final da manhã. Uma mensagem de Mateus: "Quero te ver de novo. Hoje. À noite. Em um lugar especial." A mensagem, curta e direta, fez seu coração disparar.

O "lugar especial" era uma casa antiga e charmosa, nos arredores da cidade, que pertencia à família de Mateus. Uma mansão com um jardim exuberante e uma vista deslumbrante para o mar. Quando ele a recebeu na porta, parecia ainda mais atraente do que nos dias anteriores. O olhar de admiração em seus olhos a fez sentir-se como a única mulher no mundo.

"Bem-vinda à minha história, Isabella", ele disse, com um sorriso que derretia qualquer reserva.

A noite foi regada a vinho, conversas profundas e um crescente desejo que pairava no ar. Ele a conduziu por um tour pela casa, contando histórias de sua família, de sua infância, de seus pais que já haviam partido. Havia uma melancolia em suas palavras, uma saudade que Isabella entendia perfeitamente.

"Minha mãe era uma pintora", ele disse, mostrando a ela um estúdio antigo e empoeirado, cheio de telas inacabadas. "Ela tinha um talento incrível, mas... a vida não lhe deu tempo suficiente para realizar todo o seu potencial."

Isabella sentiu um aperto no peito. A conexão entre eles parecia se aprofundar a cada revelação. A fragilidade de Mateus, a dor velada em seus olhos, a faziam querer abraçá-lo e protegê-lo.

"Ela teria gostado de você", ele disse de repente, virando-se para ela, o olhar fixo em seus olhos. "Ela sempre dizia que o amor verdadeiro é o que nos permite ver a alma um do outro."

Naquele momento, Isabella percebeu que o que sentia por Mateus ia além da atração física. Era uma conexão profunda, uma afinidade que a fazia se sentir compreendida de uma forma que nunca havia experimentado.

Mas o passado, como uma sombra persistente, estava sempre à espreita. Enquanto exploravam um antigo escritório, Isabella encontrou uma caixa de madeira entalhada. A curiosidade a impeliu a abri-la. Dentro, havia cartas antigas, fotografias desbotadas e um pequeno diário.

"O que é isso?", ela perguntou, com a voz um pouco trêmula.

Mateus suspirou, uma sombra passando por seu rosto. "São memórias antigas. Coisas da minha mãe."

Ele se aproximou, pegou o diário e folheou algumas páginas. "Ela costumava escrever sobre seus sonhos, seus medos, seu amor por meu pai." Seus olhos pousaram em uma fotografia. "Esta é ela, com meu pai. Eles eram tão jovens, tão apaixonados."

Isabella olhou para a foto. Uma mulher de beleza clássica, com um sorriso radiante, ao lado de um homem de olhar intenso. Havia uma aura de felicidade genuína ao redor do casal.

"Por que você me trouxe aqui, Mateus?", ela perguntou, sentindo o peso da intimidade que ele estava compartilhando.

"Porque eu quero que você conheça essa parte de mim", ele respondeu, pegando sua mão. "Porque eu sinto que posso confiar em você. E porque algo em você me lembra dela. A mesma força, a mesma paixão disfarçada."

A confissão o pegou de surpresa. Ela se sentiu honrada, mas também apreensiva. O legado dos segredos de sua família, o peso de suas memórias, pareciam agora parte da teia que ele estava tecendo ao redor dela.

Mais tarde, enquanto jantavam à luz de velas, Mateus a pegou de surpresa.

"Isabella", ele disse, sua voz baixa e séria. "Há algo que preciso te contar."

Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A atmosfera romântica de repente se tornou carregada de tensão.

"O que é?", ela perguntou, o coração apertado.

Ele hesitou, seus olhos azuis buscando os dela, como se pedisse permissão. "Naquela noite, no Rio... quando nos encontramos pela primeira vez, depois de todos esses anos. Eu sabia quem você era."

Isabella ficou chocada. "Como assim? Você... você me conhecia?"

"Eu conheci sua família há muito tempo", ele explicou, sua voz carregada de uma melancolia profunda. "Eu fui amigo do seu pai. Éramos jovens, cheios de sonhos." Uma pausa. "Eu me apaixonei pela sua mãe, Isabella. E ela por mim. Mas as circunstâncias... a vida... nos separou."

As palavras dele a atingiram como um golpe. Seu pai? Sua mãe? A história de amor deles, que ela sempre idealizara, nunca fora completa, nunca fora sem máculas.

"Eu... eu não entendo", ela gaguejou, sentindo a cabeça girar.

"Seu pai, meu melhor amigo, me traiu", Mateus disse, a voz cheia de dor. "Ele sabia sobre nós. E mesmo assim, ele se casou com sua mãe. E me afastou de tudo." Ele olhou para as próprias mãos. "Eu fugi. Tentei esquecer. Tentei seguir em frente. Mas nunca consegui. Sua mãe… ela era a única mulher que eu amei de verdade."

Isabella sentiu o chão sumir sob seus pés. A história que ela conhecia de seus pais era uma farsa. Havia segredos enterrados, paixões proibidas, traições. E Mateus era o filho do homem que sua mãe amava antes de se casar com seu pai. A ironia era cruel.

"Por que você não me contou antes?", ela perguntou, a voz embargada pela emoção.

"Eu não sabia como", ele respondeu, a dor evidente em seus olhos. "Eu não queria te machucar. Não queria que você visse seus pais sob uma nova luz. Mas agora... agora que sinto algo tão forte por você, eu não posso mais esconder a verdade."

Lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Isabella. As memórias de sua mãe, de sua infância, pareciam agora distorcidas, obscurecidas por essa nova revelação.

"Eu preciso de um tempo", ela disse, levantando-se da mesa, incapaz de suportar mais a intensidade daquele momento.

Mateus a segurou pelo braço, seus olhos azuis cheios de súplica. "Isabella, por favor. Não fuja. O que sinto por você é real. Não tem nada a ver com o passado. Tem a ver com quem você é."

Ela o olhou, vendo a sinceridade em seu rosto, a dor que ele também carregava. A ironia do destino era dolorosa. Ela, a filha do homem que o havia traído, e ele, o filho da mulher que ele amara.

"Eu não sei se consigo, Mateus", ela sussurrou, a voz embargada. "Isso é... demais."

Ele a puxou para um abraço apertado, e ela se permitiu ser abraçada, sentindo o calor de seu corpo, a força de seus braços. Ali, em seus braços, sentiu uma estranha sensação de pertencimento, mesmo diante da dor da descoberta.

"Eu sei que é difícil", ele disse, sua voz ressoando em seu peito. "Mas nós somos mais fortes do que o passado, Isabella. Nós podemos construir algo nosso."

Ela se afastou lentamente, olhando em seus olhos. A incerteza ainda estava ali, mas algo havia mudado. A descoberta dos segredos de sua família, a revelação do amor proibido entre seus pais e Mateus, havia criado uma nova dimensão em seu relacionamento. Não era mais apenas desejo e atração. Era um fio tênue, mas poderoso, de destino, de história compartilhada, de um legado que os unia de forma inegável.

"Eu preciso pensar", ela disse, a voz ainda trêmula.

"Eu sei", ele respondeu, acariciando seu rosto. "Mas eu estarei aqui. Esperando por você."

Ao deixar a mansão naquela noite, Isabella se sentiu um peso diferente em seu peito. Não era apenas a dor do amor traído de seus pais, mas também a esperança de um novo amor, um amor que desafiava a história, que nascia das cinzas de segredos antigos. O legado dos segredos havia se tornado o alicerce de um futuro incerto, mas inevitável.

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