Cap. 1 / 25

Rendida a ele

Claro, com todo o prazer! Prepare-se para mergulhar em "Rendida a ele", uma história de amor que vai te prender do início ao fim.

por Ana Clara Ferreira

Claro, com todo o prazer! Prepare-se para mergulhar em "Rendida a ele", uma história de amor que vai te prender do início ao fim.

Rendida a ele Romance Romântico Autor: Ana Clara Ferreira

Capítulo 1 — O Encontro sob a Chuva de Estrelas

O ar de Paraty, naquele fim de tarde de dezembro, estava carregado de uma melancolia úmida que só a chuva, quando se anunciava, conseguia dissipar. E naquela noite, a chuva não era de água. Era de estrelas. Uma chuva de meteoros que prometia rasgar o céu escuro e imaculado daquela vila colonial, tingindo-o de promessas e presságios. Elisa, com seus trinta e poucos anos, sentia o peso do mundo nos ombros, um fardo tão pesado quanto o véu de noiva que ela ainda não tinha a coragem de vestir, mas que pairava em seus sonhos com uma insistência cruel.

Ela era uma arquiteta de sucesso no Rio de Janeiro, com um futuro traçado como um plano detalhado: casamento com o renomado empresário Ricardo, um homem elegante, admirado por todos, mas que, para Elisa, representava a segurança de um porto seguro em meio à tempestade de suas inseguranças. Ricardo era a imagem do homem perfeito, aquele que sua família sempre desejou para ela, o que a sociedade esperava. Mas o coração de Elisa, ah, esse era um território rebelde, um jardim secreto onde flores exóticas e selvagens desabrochavam em silêncio, desafiando a ordem e a lógica.

Naquela noite, porém, o rebelde não era o coração, mas a alma. Elisa havia fugido do Rio sob o pretexto de uma pesquisa para um novo projeto arquitetônico em Paraty, mas a verdade era mais crua: ela precisava respirar, precisava de um refúgio antes de tomar uma decisão que mudaria sua vida para sempre. A decisão de se casar com Ricardo.

Ela caminhava pela Rua do Comércio, com o piso de pedras irregulares e úmidas refletindo a luz amarelada dos lampiões. O cheiro de maresia se misturava ao aroma adocicado das flores que brotavam em quintais escondidos. Cada detalhe da cidade parecia sussurrar histórias antigas, lendas de navegadores, de amores proibidos, de paixões que incendiaram o tempo.

De repente, um estrondo suave, um trovão distante, anunciou a chegada da chuva. Não era uma tempestade furiosa, mas uma garoa fina e persistente que, em vez de afastar as pessoas, parecia convidar à contemplação. Elisa se abrigou sob o toldo de uma livraria antiga, o cheiro de papel e tinta velha invadindo suas narinas, um aroma reconfortante que a transportou para a infância.

Foi então que o viu.

Ele estava do outro lado da rua, parado sob a marquise de uma galeria de arte, olhando para o céu com a intensidade de quem busca respostas em cada ponto de luz. Alto, com cabelos escuros que a chuva começava a emaranhar, uma barba por fazer que lhe conferia um ar rústico e um olhar profundo, penetrante, que parecia capturar a própria essência das estrelas que caíam. Ele usava uma camisa de linho clara, agora levemente transparente pela umidade, e seus braços musculosos estavam cruzados, numa pose que exalava uma força contida.

Elisa sentiu um arrepio percorrer sua espinha, um choque elétrico que nada tinha a ver com a temperatura amena da noite. Havia algo nele que a atraiu de forma visceral, uma aura de mistério e paixão que a fez esquecer por completo Ricardo, o casamento, o Rio de Janeiro. Era como se o universo, em sua infinita sabedoria, tivesse preparado aquele encontro, um presente disfarçado de chuva de estrelas.

Ele ergueu o rosto, e seus olhos encontraram os de Elisa. Por um instante, o tempo pareceu congelar. A garoa, a livraria, a rua de paralelepípedos, tudo desapareceu, restando apenas aquele olhar. Um olhar que a desnudou, que a viu por inteiro, além das aparências, além das convenções.

O homem sorriu. Um sorriso lento, que parecia carregar consigo segredos antigos e uma promessa silenciosa. Elisa sentiu as bochechas corarem, uma reação infantil que a surpreendeu. Ela, a arquiteta polida, a mulher que sempre soube o que dizer e como dizer, estava ali, paralisada, apenas encarando um desconhecido na rua.

Ele atravessou a rua, a chuva fina caindo sobre ele, sem que ele parecesse se importar. Seus passos eram firmes, decididos. Parou bem na sua frente, a pouca distância que os separava agora parecia carregada de uma eletricidade palpável.

"As estrelas são generosas esta noite, não acha?", ele disse, a voz rouca e grave, que ressoou em Elisa como um acorde musical.

Elisa conseguiu finalmente articular uma resposta, a voz um pouco trêmula. "Sim, elas são. Parece que o céu decidiu nos presentear."

"Ou nos testar", ele retrucou, o sorriso se alargando, revelando uma covinha charmosa na bochecha direita. "Depende do que estamos procurando, eu acho."

"E o que você está procurando?", Elisa perguntou, movida por uma curiosidade que há muito não sentia.

Ele ergueu um canto da boca. "Talvez... uma inspiração. Ou um refúgio. Algo que as estrelas possam revelar." Ele a olhou novamente, e aquele olhar parecia ter a capacidade de ler sua alma. "E você?"

"Eu...", Elisa hesitou. A verdade parecia um segredo perigoso demais para compartilhar com um estranho. "Eu também estou procurando. Talvez por um pouco de paz."

"Paz", ele repetiu, como se saboreasse a palavra. "Paraty tem disso. Mas às vezes, a verdadeira paz não está no lugar, mas em nós mesmos. E em quem nos faz sentir vivos."

As palavras dele a atingiram como um raio. "Sentir vivos." Era exatamente o que ela não sentia há muito tempo, presa na rotina segura e previsível de sua vida no Rio.

Ele estendeu a mão. "Sou Daniel. Daniel Bastos."

Elisa apertou sua mão. Era quente, forte, e a textura da pele era um pouco áspera, como se ele trabalhasse com as mãos. "Elisa. Elisa Monteiro."

"Elisa", ele repetiu, o nome soando diferente, mais intenso, em sua boca. "Um nome tão bonito quanto o céu desta noite." Ele não soltou a mão dela imediatamente. Os dedos deles se entrelaçaram por um breve instante, um contato que fez o coração de Elisa disparar.

"Você é artista?", Elisa perguntou, tentando disfarçar o nervosismo.

Daniel riu, um som baixo e agradável. "Algo assim. Sou escultor. Trabalho com madeira, com a alma das árvores que o tempo moldou."

Escultor. De repente, a intensidade em seu olhar, a força em seus gestos, tudo fazia sentido. "Escultor", Elisa murmurou, fascinada. "Eu sou arquiteta."

"Uma criadora de formas, então. Eu também." Ele finalmente soltou a mão dela, mas o calor permaneceu. "E o que as estrelas dizem para uma arquiteta?"

"Elas dizem que há mais no universo do que podemos planejar", Elisa respondeu, surpreendendo a si mesma com a sinceridade.

"Exatamente. E que os planos mais belos são aqueles que nascem do caos e da paixão." Daniel olhou para o céu novamente. "Venha. Há um mirante aqui perto, onde a vista é ainda mais espetacular. A garoa deve parar logo. Quer subir comigo?"

O convite era ousado, inesperado. A mente racional de Elisa gritava perigo, loucura. Mas o seu coração, aquele território rebelde, pulsava uma melodia diferente. A melodia da aventura, da possibilidade. Ela olhou para Daniel, para o brilho em seus olhos, para o sorriso que a desarmava, e sentiu uma força inexplicável a impulsionando.

"Eu adoraria", ela disse, a voz firme agora, um sorriso genuíno iluminando seu rosto.

Daniel sorriu de volta, um sorriso que prometia um mundo de descobertas. "Ótimo. Acredito que esta noite está apenas começando, Elisa Monteiro."

Enquanto caminhavam juntos pela rua, a chuva fina se transformando em um chuvisco quase imperceptível, Elisa sentiu como se estivesse embarcando em uma jornada sem volta, guiada pelas estrelas cadentes e pelo olhar magnético de um desconhecido que, em poucos minutos, havia abalado os alicerces de sua vida cuidadosamente construída. O futuro, antes tão nítido em sua clareza, agora se apresentava nebuloso, excitante, e perigosamente sedutor. A chuva de estrelas parecia ter trazido consigo não apenas beleza, mas também um destino inesperado.

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