Cap. 12 / 25

Rendida a ele

Capítulo 12 — A Promessa da Vingança

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 12 — A Promessa da Vingança

As noites se tornaram longas e sleepless. A imagem do armazém, com sua escuridão úmida e a frieza da revelação, se repetia em meus sonhos. Roberto. O nome soava como um veneno em minha boca. Cada vez que pensava em sua face sorridente, em seus abraços de tio, sentia uma onda de náusea e repulsa. Ele era o arquiteto da minha dor, o ladrão da minha infância.

Marcos se tornou meu porto seguro. Nossos encontros, antes marcados pela incerteza e pela desconfiança, agora eram repletos de uma urgência palpável. Ele me trazia as provas que havia reunido: cópias de documentos antigos, extratos bancários que demonstravam movimentações suspeitas antes do incêndio, e gravações de áudio de conversas que ele teve com antigos funcionários da fábrica, homens que confirmavam, entre sussurros e medos, a participação de Roberto em negócios obscuros.

“Aqui”, ele disse, estendendo uma pasta de couro desgastada em um dos nossos encontros secretos em um café discreto no centro da cidade. “Estas são as contas. Veja as transferências para contas offshore, feitas dias antes do incêndio. E essas cartas… são de um antigo gerente. Ele implorava para Roberto reconsiderar, falava sobre os riscos, sobre a negligência que ele estava ignorando para maximizar os lucros.”

Eu folheava os papéis com mãos trêmulas, o coração acelerado. A letra elegante e firme de meu pai, em uma das cartas, me fez suspirar. Ele confiava em Roberto, confiava em sua competência. Que ironia cruel.

“E as gravações?”, perguntei, a voz rouca de emoção.

Marcos ligou o celular e colocou no viva-voz. Um murmúrio de vozes baixas e ansiosas preencheu o pequeno cubículo do café. Ouvi fragmentos de conversas sobre “segurança inadequada”, “pressão para cortar custos” e, o que mais me gelou o sangue, um homem falando sobre um “acordo feito” para que um “acidente” acontecesse. As vozes eram abafadas, mas a implicação era clara.

Ao final da gravação, um silêncio pesado pairou entre nós. A verdade, em sua forma mais crua e brutal, estava ali, confirmada por vozes que não eram as minhas, mas que carregavam o peso de anos de medo e cumplicidade.

“Eu vou processá-lo, Marcos”, declarei, a voz firme, a determinação queimando em meus olhos. “Ele vai pagar por tudo o que fez.”

Marcos segurou minhas mãos com força. Seus olhos, antes cheios de cautela, agora brilhavam com uma chama de admiração e algo mais… algo que me fez corar. “Eu sei que vai, Sofia. E eu estarei ao seu lado. Mas precisamos ser inteligentes. Ele tem influência. Se soubermos que estamos investigando, ele pode tentar nos silenciar. Para sempre.”

A sombra da ameaça pairava sobre nós, mas eu não podia recuar. A vingança não era apenas um desejo, era uma necessidade. Uma necessidade de honrar a memória dos meus pais, de recuperar o que foi roubado.

“Eu sei. Mas não podemos esperar. Ele não pode continuar impune.”

Enquanto trabalhávamos juntos, a proximidade entre Marcos e eu se intensificava. Não eram apenas os papéis e as evidências que nos uniam. Era a adrenalina, o perigo compartilhado, a cumplicidade em desvendar um crime que marcara nossas vidas de formas diferentes. Em um dos nossos encontros, enquanto analisávamos um documento antigo, nossos dedos se tocaram. Um choque elétrico percorreu meu corpo. Ele levantou o olhar, e eu vi em seus olhos o mesmo turbilhão de sentimentos que me consumia.

“Sofia…”, ele começou, a voz rouca, mas o barulho do trânsito lá fora nos interrompeu.

Eu desviei o olhar, o coração disparado. Era perigoso demais me aproximar dele. Cada toque, cada olhar, era um passo em direção a um abismo que eu não tinha coragem de enfrentar. Minha família, minha justiça… essa deveria ser minha única prioridade.

Mas a verdade é que a presença de Marcos era um bálsamo para a minha alma ferida. Ele era o único que realmente entendia a profundidade da minha dor e a complexidade da minha luta. Ele não era apenas meu aliado, ele estava se tornando meu confidente, meu… desejo. A ideia me assustava e me atraía ao mesmo tempo.

Dias depois, recebemos uma notícia inesperada. Um dos antigos funcionários da fábrica, um homem chamado Seu Antônio, que Marcos havia entrevistado e que aparecia nas gravações, entrou em contato. Ele estava com medo, mas disse que tinha mais informações, informações cruciais.

“Ele quer se encontrar”, disse Marcos, o semblante preocupado. “Mas é arriscado. Roberto pode estar vigiando-o.”

“Precisamos ir”, respondi sem hesitar. “Se ele tem algo que possa nos incriminar ainda mais Roberto, não podemos perder essa chance.”

O encontro foi marcado para a madrugada, em um galpão abandonado na periferia da cidade. O lugar cheirava a mofo e desespero. Seu Antônio, um homem franzino e com olhos assustados, nos esperava nas sombras. Seu corpo tremia, e ele falava em sussurros, olhando constantemente para a porta.

“Eu… eu não devia ter aceitado aquele dinheiro”, ele começou, a voz embargada. “Eles me disseram que era só para facilitar as coisas, para culpar um funcionário qualquer se algo desse errado. Mas o Roberto… ele era o chefe. Ele mandou.”

Ele nos entregou um pequeno caderno, onde anotou, em detalhes, as instruções que recebeu de Roberto e as datas em que os pagamentos foram feitos. A caligrafia era idêntica à do gerente nas cartas que Marcos havia mostrado.

“Ele disse que se eu falasse alguma coisa, ele me destruiria. Que ele tinha amigos poderosos.”

Enquanto Seu Antônio terminava de falar, ouvimos um barulho do lado de fora. Um carro parou abruptamente, os faróis iluminando a poeira do chão. Vários homens desceram, todos com semblante ameaçador.

“Merda!”, Marcos praguejou, agarrando meu braço. “Eles nos encontraram!”

O pânico tomou conta de mim, mas a adrenalina me impulsionou. Segurei o caderno com força, o coração batendo descompassado. A vingança, a busca pela justiça, tudo isso nos havia levado a um confronto perigoso.

“Precisamos sair daqui!”, gritou Marcos.

Corremos pelos fundos do galpão, os gritos dos homens ecoando atrás de nós. O medo era palpável, mas a promessa de vingança, alimentada pela verdade que Seu Antônio nos revelou, me impulsionava para frente. Não podia falhar. Não agora. A luta pela honra dos meus pais estava apenas começando.

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