Cap. 14 / 25

Rendida a ele

Capítulo 14 — O Confronto Final

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 14 — O Confronto Final

O som de tiros ecoou no escuro, misturando-se aos gritos de pânico dos outros clientes. Marcos me protegeu com seu corpo, o caderno seguro entre nós. Ele me puxou para fora da mesa, agindo com uma rapidez assustadora.

“Por aqui, Sofia! Precisamos sair!”

Corremos em direção à cozinha, o cheiro de fritura e desespero pairando no ar. Os homens de Roberto estavam por toda parte, seus passos pesados e suas vozes ameaçadoras ecoando pelos corredores. Era uma armadilha fria e calculada, e eles estavam determinados a nos pegar.

Chegamos a uma porta nos fundos que dava para um beco estreito e sujo. Marcos a abriu bruscamente, e saímos para a noite fria. A chuva fina começava a cair, transformando o asfalto em um espelho escuro.

“Para o carro!”, ele gritou, e corremos o mais rápido que podíamos.

Um dos homens de Roberto surgiu da escuridão, bloqueando nosso caminho. Marcos não hesitou. Com um movimento rápido, ele o desarmou e o imobilizou, mas o tempo precioso foi perdido. Mais homens se aproximavam.

Finalmente, alcançamos o carro. Marcos ligou o motor com um rugido, e saímos em disparada, os pneus cantando no asfalto molhado. Olhei para trás e vi os homens de Roberto nos observando, impotentes. A adrenalina ainda corria em minhas veias, mas a exaustão e o medo eram esmagadores.

“Ele sabe que temos as provas”, eu disse, a voz trêmula. “Ele não vai desistir.”

“Eu sei”, Marcos respondeu, seus olhos focados na estrada. “Mas agora, mais do que nunca, precisamos ser rápidos. Precisamos expô-lo antes que ele possa fazer algo pior.”

Dirigimos em silêncio por um longo tempo, a chuva batendo no para-brisa, as gotas distorcendo a paisagem urbana. A sensação de ser perseguido era constante, cada farol que se aproximava, cada carro que passava, era uma ameaça potencial.

Chegamos a um hotel discreto na zona sul, onde Marcos havia reservado um quarto. A segurança era reforçada, e por um momento, senti um alívio. Estávamos longe de Roberto, por ora.

No quarto, exaustos e tensos, nos sentamos. Eu segurava o caderno com as mãos trêmulas. Era hora de tomar uma decisão drástica.

“Não podemos mais arriscar. Precisamos entregar isso para a polícia imediatamente”, eu disse.

Marcos concordou. “Sim. Mas de forma segura. Ele tem contatos na polícia também. Precisamos ter certeza de que a informação chegará às mãos certas.”

Decidimos contatar o jornalista novamente, e dessa vez, combinamos um encontro em um local público e movimentado, com a polícia já ciente da situação e pronta para intervir. Era um risco, mas era a única maneira de garantir que as provas fossem entregues e que Roberto fosse confrontado.

A manhã seguinte foi um turbilhão de preparativos. O jornalista, um homem experiente e cauteloso, se manteve em contato constante. Ele nos garantiu que estava tomando todas as precauções necessárias.

O local escolhido foi a Praça da Sé, um ponto de encontro icônico da cidade, cheio de gente o tempo todo. A ideia era que, em meio à multidão, seria mais difícil para os homens de Roberto nos identificarem e nos atacarem.

Chegamos à praça em horários diferentes, cada um por conta própria, para evitar levantar suspeitas. Eu me sentei em um banco, observando a movimentação, meu coração batendo forte no peito. Marcos apareceu alguns minutos depois, sentando-se em um banco próximo. Nossos olhares se cruzaram, e por um instante, vi nele a mesma apreensão que sentia.

O jornalista, um homem de meia-idade com um olhar penetrante, se aproximou de nós, disfarçado como um turista. Ele nos cumprimentou com um aceno discreto e sentou-se em um banco adjacente.

“Tenho os seus documentos”, ele disse, com a voz baixa, sem se virar para nós. “Estou pronto para fazer a minha parte.”

Eu entreguei o caderno a ele, minhas mãos ainda tremendo. Marcos me entregou uma pasta com as outras evidências que havíamos reunido.

“Roberto sabe que temos isso”, eu disse. “Ele vai tentar nos impedir.”

O jornalista assentiu, um sorriso confiante em seus lábios. “Não se preocupem. A polícia já está a caminho. E minha matéria será publicada amanhã. A verdade virá à tona.”

No momento em que ele falava, um carro preto parou bruscamente perto da praça. Vários homens desceram, seus olhares varrendo a multidão. Eram os homens de Roberto.

“Merda!”, Marcos praguejou, levantando-se. “Eles nos encontraram!”

O caos se instalou. Os homens de Roberto começaram a avançar em nossa direção, empurrando as pessoas no caminho. A polícia, alerta, também se aproximou.

Foi então que ele apareceu. Roberto. De terno impecável, com um sorriso arrogante no rosto, ele caminhava calmamente em nossa direção, como se estivesse em um desfile.

“Ora, ora”, ele disse, sua voz alta e clara, atraindo a atenção de todos. “Sofia, minha querida sobrinha. Que surpresa desagradável te encontrar aqui com esse… rabisquinho.” Ele apontou para o caderno em mãos do jornalista.

“Você é um monstro, Roberto”, eu respondi, a voz embargada pela raiva. “Você destruiu a minha família. Você matou o meu pai.”

Ele riu, um som cruel e desdenhoso. “Bobagem. Seu pai era um incompetente. Eu apenas corrigi um erro do destino. E quanto a você… você não passa de uma criança mimada querendo atenção.”

Nesse momento, o jornalista interveio. “Senhor Roberto, eu sou o jornalista João Silva, do Jornal da Manhã. E tenho provas irrefutáveis de que o senhor orquestrou o incêndio que matou o pai de Sofia.”

O rosto de Roberto empalideceu por um instante, mas ele rapidamente recuperou a compostura. “Isso é um absurdo! Uma calúnia!”

Mas a polícia já estava se aproximando, os policiais cercando Roberto e seus capangas. Ele tentou fugir, mas foi detido.

“Você não vai escapar desta vez, Roberto”, eu disse, sentindo uma onda de alívio misturada à dor da lembrança. “A verdade veio à tona.”

Enquanto Roberto era levado, ele me lançou um olhar de puro ódio. Eu sabia que a luta ainda não tinha acabado completamente, mas naquele momento, eu me senti livre. Livre da sombra do passado, livre da mentira.

Marcos se aproximou de mim, seus olhos cheios de orgulho e algo mais, algo que me fez sentir um calor no peito.

“Você fez isso, Sofia”, ele disse, sua voz suave. “Você foi incrivelmente corajosa.”

Eu sorri para ele, um sorriso genuíno, livre do peso que me oprimia. A vingança estava completa, mas o caminho que nos trouxe até aqui havia nos unido de uma forma que eu não podia mais ignorar. O confronto final havia acontecido, e eu saí vitoriosa, com a verdade ao meu lado e um sentimento novo e poderoso em meu coração.

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