Cap. 16 / 25

Rendida a ele

Rendida a Ele

por Ana Clara Ferreira

Rendida a Ele

Autor: Ana Clara Ferreira

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Capítulo 16 — A Sombra do Passado

O sol, que antes parecia banhar a mansão dos Montenegro em ouro líquido, agora lançava sombras longas e frias sobre os jardins impecáveis. A brisa que acariciava os bougainvilles carregava um prenúncio de tempestade, um reflexo do turbilhão que agitava a alma de Helena. A declaração de amor de Miguel, tão pura e avassaladora, ecoava em seus ouvidos como uma melodia agridoce. Ele a amava. Depois de tanta dor, tanta incerteza, ele a amava.

Mas a sombra do passado, essa companheira indesejada, não cedia espaço à luz da felicidade. A imagem de Ricardo, seu ex-noivo, pairava como um espectro em sua mente. A traição, o escândalo que quase a destruiu, a humilhação pública… tudo renascia com uma força cruel. Ela se sentia encurralada entre dois amores, duas vidas, duas versões de si mesma.

Miguel a observava do outro lado da sala de estar, o olhar intenso e preocupado. Cada gesto dela, cada hesitação, parecia dizer mais do que mil palavras. Ele sabia que a ferida deixada por Ricardo era profunda, uma cicatriz que o tempo, por mais que insistisse, ainda não conseguira apagar completamente.

"Helena," ele a chamou, a voz suave, mas firme. "Precisamos conversar."

Ela ergueu os olhos, o reflexo das janelas espelhando a angústia em seu semblante. "Miguel, eu… eu não sei o que dizer."

Ele se aproximou, cada passo calculado, como quem caminha sobre ovos. Parou diante dela, a mão estendida, mas sem tocá-la. O desejo de envolvê-la em seus braços, de protegê-la de tudo e de todos, era quase insuportável.

"Eu te amo, Helena. E eu te quero ao meu lado. Mas vejo que algo te atormenta. É por causa dele, não é?"

O nome "Ricardo" pairou no ar, carregado de veneno. Helena engoliu em seco. Era impossível esconder dele. Miguel era um homem que desvendava segredos com a mesma facilidade com que respirava.

"É difícil, Miguel. Muito difícil. Eu pensei que tinha superado tudo. Que aquela dor era apenas uma memória distante. Mas a sua declaração… ela me fez reviver tudo. A fragilidade, o medo de me entregar novamente…"

Ela desviou o olhar, incapaz de sustentar a intensidade do dele. As lágrimas ameaçavam cair, mas ela as segurou com unhas e dentes. Chorar seria um sinal de fraqueza, e ela não queria que Miguel a visse fraca.

"Não se trata de fraqueza, Helena," Miguel disse, captando seus pensamentos. Ele finalmente tocou seu rosto, os polegares acariciando suas bochechas. "Se trata de cura. E a cura leva tempo. Eu entendo."

"Mas e se eu não for forte o suficiente? E se eu te decepcionar de novo? Ricardo me fez acreditar que eu era incapaz de amar, que eu era um erro. Ele me destruiu, Miguel. E o medo de que isso se repita é… paralisante."

Miguel a puxou para mais perto, o abraço protetor e reconfortante. Ela se permitiu relaxar nos braços dele, sentindo a força e a segurança que emanavam dele. O cheiro dele, uma mistura de sofisticação e algo selvagem, a envolvia, acalmando um pouco a tempestade interior.

"Você não é um erro, Helena. Você é a coisa mais preciosa que já me aconteceu. Ricardo é o erro, não você. Ele era um homem pequeno, incapaz de reconhecer o valor de alguém como você. E eu, Helena, sou o oposto dele. Eu vejo você. Eu te admiro. Eu te amo, com todas as suas cicatrizes e com toda a sua força."

Ele a afastou um pouco, o olhar fixo nos olhos dela. "A vingança que ele planejou não se concretizou, e você está aqui, forte e resiliente. O que ele plantou foi discórdia e dor, mas o que você carrega agora é a capacidade de amar. E é por esse amor que eu lutei, que eu esperei."

Um suspiro escapou dos lábios de Helena. A verdade das palavras dele a atingia em cheio. Miguel não a pressionava, não a julgava. Ele a aceitava. Era isso que a fazia sentir que talvez, apenas talvez, ela pudesse encontrar a cura em seus braços.

"Mas ele ainda está por aí, Miguel. Ele não desistiu." A voz dela era um sussurro. A notícia da fuga de Ricardo, há algumas semanas, ainda trazia um arrepio de medo. A polícia ainda o procurava, mas a incerteza era um fardo pesado.

Miguel apertou o abraço. "Eu sei. E nós vamos lidar com isso. Juntos. Eu não vou deixar que ele te machuque novamente. Você me deu sua promessa de confiança, Helena. Eu te dou a minha proteção."

A mansão parecia se acalmar ao redor deles. O crepúsculo pintava o céu com tons de laranja e roxo, um espetáculo de beleza serena. Helena fechou os olhos por um instante, absorvendo a força das palavras de Miguel. Ela se sentia dilacerada, sim, mas também sentia um fio de esperança se esticar em seu peito.

"Eu quero acreditar em você, Miguel. Mais do que tudo."

"E você vai," ele disse, depositando um beijo suave em sua testa. "Nós vamos superar isso. Eu preciso que você me deixe cuidar de você, Helena. Preciso que você se permita ser amada, sem medo."

O diálogo, embora curto, carregava o peso de anos de dor e a promessa de um futuro. Helena sentiu que estava em uma encruzilhada. De um lado, o medo paralisante do passado. Do outro, a luz incerta, mas brilhante, do amor de Miguel.

Ela levantou o olhar para ele, e pela primeira vez naquela tarde, viu um brilho diferente em seus olhos. Não era apenas amor, era também a determinação de um homem que sabia o que queria e estava disposto a lutar por isso.

"Eu… eu acho que preciso de tempo para processar tudo isso, Miguel."

Ele assentiu, a compreensão pintada em seu rosto. "Eu te dou todo o tempo do mundo, meu amor. Mas saiba que eu estarei aqui, esperando por você. E não importa o que aconteça, eu não vou a lugar nenhum."

Ele a beijou na testa novamente, um gesto de pura ternura. Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A sombra do passado ainda estava lá, mas a luz do amor de Miguel parecia forte o suficiente para começar a dissipá-la. O caminho seria árduo, mas pela primeira vez em muito tempo, ela sentia que não estaria sozinha na jornada. A promessa de Miguel ecoava em sua alma, uma âncora em meio à tempestade. Ela estava rendida a ele, não por fraqueza, mas por uma força que ela estava redescobrindo em si mesma, impulsionada pelo amor que ele lhe oferecia sem reservas. O futuro ainda era incerto, mas a semente da esperança havia sido plantada, e ela esperava que, com o tempo e o amor, pudesse florescer.

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