Cap. 8 / 25

Rendida a ele

Capítulo 8 — A Armadilha de Veludo e o Coração Dividido

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 8 — A Armadilha de Veludo e o Coração Dividido

A noite desceu sobre a casa do rio, trazendo consigo um manto estrelado e um silêncio profundo. A luz suave das lamparinas a óleo que Rafael acendeu criava um ambiente acolhedor, contrastando com a poeira e as sombras que antes dominavam o lugar. Sentados na sala de estar, diante de uma lareira que crepitava preguiçosamente, Helena e Rafael continuaram sua conversa. O peso do passado de Rafael se dissipava um pouco com a partilha, e uma cumplicidade sutil, mas poderosa, florescia entre eles.

"E depois do acidente...", começou Rafael, sua voz baixa e introspectiva, "minha avó ficou muito doente. Ela se fechou em si mesma. E eu… eu fui mandado para um internato. Fiquei distante daqui por muitos anos. Quando voltei, depois de tudo, encontrei essa casa como você vê. Um reflexo do que aconteceu comigo e com a minha família."

Helena observava o fogo, o calor irradiando em seu rosto. As histórias de Rafael a tocavam profundamente. Ela via nele não apenas o empresário de sucesso que dominava o mercado, mas um homem marcado pela perda, pela solidão, mas que, apesar de tudo, lutava por algo maior.

"E por que a galeria de arte?", Helena perguntou, curiosa. "Por que investir em arte, quando o seu mundo parecia tão distante disso?"

Rafael sorriu, um sorriso melancólico. "Minha mãe sempre amou arte. Ela dizia que era onde a alma encontrava refúgio. Depois que ela se foi, eu me distanciei de tudo que me lembrava dela. Mas, com o tempo, percebi que fugir não era a resposta. Era preciso honrar a memória dela, de alguma forma. E a arte… a arte foi a ponte. E você, Helena, foi a faísca que reacendeu essa ponte."

Ele olhou para ela, e seus olhos azuis, à luz da lareira, pareciam ainda mais intensos. "Quando eu vi o seu trabalho, a paixão com que você molda a madeira, a alma que você coloca em cada peça… eu soube que precisava de você. Precisava da sua visão para o meu projeto. Mas eu não sabia que… que você seria tudo isso."

O coração de Helena disparou com a confissão dele. Ela também sentia algo crescendo dentro de si, algo que ia além da admiração profissional. Era uma atração forte, um desejo de se conectar com esse homem que revelava tantas facetas.

"Rafael...", ela sussurrou, sem saber o que dizer.

Ele estendeu a mão e tocou suavemente o rosto dela. O toque era leve, mas arrebatador. Helena fechou os olhos por um instante, saboreando a sensação.

"Eu não posso mais negar o que sinto, Helena", ele disse, sua voz embargada pela emoção. "Desde que te conheci, você tem sido um raio de luz na minha vida. Uma inspiração. E eu… eu me apaixonei por você."

As palavras dele a atingiram como um raio. Apaixonado. Aquele homem reservado, que parecia ter tantos muros ao redor de si, estava se declarando. Helena sentiu uma mistura avassaladora de alegria e medo. Alegria pela reciprocidade de seus sentimentos, e medo do turbilhão que aquilo poderia desencadear em sua vida.

"Rafael, eu… eu também sinto algo forte por você", ela confessou, sua voz trêmula. "Mas… há tantos mistérios ao seu redor. Tanta coisa que eu ainda não entendo."

"Eu sei", ele disse, sua testa se franzindo levemente. "E eu prometo que vou te contar tudo. Cada detalhe. Mas preciso que você confie em mim. Que me dê uma chance."

O momento era carregado de promessas, de anseios, de uma eletricidade palpável. Rafael se inclinou para ela, seus olhos fixos nos dela. Helena sentiu que estava prestes a cruzar uma linha, a se render completamente a ele. E naquele instante, o medo deu lugar à coragem, à certeza de que, apesar dos riscos, era isso que ela queria.

Seus lábios se encontraram em um beijo suave, hesitante no início, mas que rapidamente se aprofundou, carregado de toda a paixão contida. Era um beijo que falava de saudade, de desejo, de uma conexão que transcendia as palavras. As mãos de Rafael a envolveram, puxando-a para mais perto, enquanto Helena se entregava àquele momento, sentindo seu coração bater em uníssono com o dele.

O tempo pareceu parar. Naquela casa antiga, sob o olhar das estrelas, eles se encontraram em um abraço que selava a promessa de um amor que lutava para desabrochar em meio às sombras.

No entanto, no meio daquele êxtase, um ruído distante, um farfalhar de folhas que não parecia natural, chamou a atenção de Rafael. Ele se afastou de Helena, sua expressão mudando de paixão para alerta.

"Você ouviu isso?", ele sussurrou.

Helena também tinha ouvido. Um pressentimento ruim a invadiu. "O quê foi?"

Rafael se levantou, seus olhos perscrutando a escuridão do lado de fora. "Fique aqui."

Ele saiu para a varanda, tentando identificar a origem do som. Helena o seguiu de perto, o coração batendo forte. De repente, um vulto surgiu das sombras, movendo-se com agilidade impressionante. Era um homem, vestindo roupas escuras, seu rosto oculto pela penumbra.

"Quem está aí?", Rafael gritou, sua voz firme, mas carregada de tensão.

O vulto não respondeu. Em vez disso, ele avançou em direção a Rafael, com algo brilhando em sua mão. Helena gritou. Rafael reagiu rapidamente, desviando do ataque e empurrando o agressor. Uma luta começou, brutal e silenciosa, travada nas sombras do jardim.

Helena observava, paralisada pelo medo, o coração na garganta. Ela sabia que Rafael estava se arriscando por ela, por eles. O homem que ela acabara de receber em seu coração estava lutando contra um inimigo invisível.

"Rafael!", ela gritou, sua voz embargada pelo pânico.

Em um movimento rápido, Rafael conseguiu desarmar o agressor e, com um golpe certeiro, o derrubou no chão. O homem, atordoado, fugiu rapidamente para a escuridão, desaparecendo tão misteriosamente quanto havia surgido.

Rafael se virou para Helena, ofegante. Seus olhos, antes cheios de amor, agora transbordavam preocupação e uma nova determinação. Ele a abraçou com força.

"Você está bem?", ele perguntou, sua voz rouca.

Helena assentiu, ainda tremendo. "Sim. Mas quem era ele? O que ele queria?"

Rafael a segurou pelos ombros, seus olhos fixos nos dela. "Ele queria me impedir. Ele sabe que eu estou perto da verdade." Ele fez uma pausa, sua expressão sombria. "Isso não é mais apenas sobre o passado, Helena. Isso se tornou perigoso."

A noite que prometia ser de amor e revelações se transformou em um alerta sombrio. A armadilha de veludo que parecia envolver Helena se dissipou, revelando uma realidade mais cruel e perigosa do que ela imaginava. Seu coração estava dividido entre o amor que florescia e o medo do que estava por vir.

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