O Ladrão do meu Coração

Capítulo 14 — A Armadilha na Costa Rochedosa

por Valentina Oliveira

Capítulo 14 — A Armadilha na Costa Rochedosa

O vento uivava com ferocidade, chicoteando a costa rochosa com a força de um gigante furioso. As ondas se quebravam contra os penhascos com um rugido ensurdecedor, lançando espuma branca em direção ao céu escuro e tempestuoso. Isabella, envolta em um casaco grosso, sentia a umidade penetrar em sua pele, mas o frio que a atingia era mais profundo, um arrepio que emanava da incerteza e do perigo que a cercavam. Ao seu lado, Leonardo, com o rosto tenso e determinado, guiava-a por um caminho traiçoeiro, seus olhos vasculhando a paisagem em busca do sinal que Aurora mencionara.

"A águia… o olhar da águia", Leonardo repetia, a voz quase inaudível sobre o rugido do mar. "Aurora escreveu que estaria sob o olhar de uma formação rochosa que se assemelha a uma águia."

Isabella apertava a pequena chave de ferro em sua mão, sentindo o metal frio e áspero, um lembrete constante de sua conexão com o legado e do perigo iminente. A confiança em Leonardo ainda era uma flor frágil, tentando desabrochar em meio à tempestade de suas dúvidas. Ele havia revelado ser o guardião, a outra metade da chave, mas a sombra de suas mentiras passadas ainda pairava sobre eles.

Eles caminhavam por uma trilha estreita, a cada passo o risco de um escorregão nas pedras molhadas era iminente. A visibilidade era precária, a neblina que se misturava à chuva criava um véu fantasmagórico sobre a paisagem. O medo de "O Colecionador" e de seus capangas era um companheiro constante, cada ruído mais alto que o vento os fazia sobressaltar.

"Temos que ser rápidos", Leonardo disse, puxando-a suavemente. "O Colecionador também está procurando por isso. Ele sabe que a segunda parte da chave está aqui."

Isabella assentiu, sem conseguir emitir uma palavra. A magnitude da situação a oprimia. Ela, Isabella, a jovem mulher que sempre buscara uma vida tranquila, agora se via no centro de uma saga ancestral, envolvida em uma caçada por um artefato de poder inimaginável.

Após o que pareceram horas de caminhada árdua, eles chegaram a uma saliência rochosa que se projetava sobre o mar revolto. A formação, com suas linhas irregulares e curvas, realmente se assemelhava à cabeça e ao bico de uma águia gigante, com os olhos de pedra voltados para o horizonte. Era um espetáculo grandioso e assustador, um lugar de beleza selvagem e perigo latente.

"É aqui", Leonardo declarou, seus olhos fixos na base da formação rochosa, onde as ondas pareciam bater com mais força. "O diário diz que está escondido na caverna sob o olhar da águia."

Eles desceram com cuidado, a água salgada espirrando em seus rostos. A entrada da caverna era estreita e escura, um portal para o desconhecido. O som das ondas ecoava lá dentro, amplificando a sensação de isolamento e mistério. Leonardo acendeu uma pequena lanterna, projetando um feixe de luz trêmula nas paredes úmidas e escorregadias.

"Fique atrás de mim", ele disse, a voz firme.

À medida que avançavam, a caverna se alargava, revelando um espaço surpreendente. No centro, um pedestal natural de rocha, e sobre ele, um objeto envolto em um pano escuro e desbotado. A segunda parte da chave.

O coração de Isabella deu um salto. Eles estavam tão perto. Mas a tensão no ar era palpável, como se a própria caverna estivesse prendendo a respiração.

Leonardo se aproximou do pedestal, sua mão estendida para o objeto. Mas antes que pudesse tocá-lo, um grito ecoou do lado de fora, um grito de dor e surpresa, seguido por um estrondo metálico.

"Silas!", Leonardo exclamou, virando-se abruptamente.

Um homem emergiu da escuridão da entrada da caverna, sua figura alta e esguia, com um sorriso que não alcançava seus olhos frios e calculistas. Ele usava um terno impecável, contrastando com a selvageria do local. Ao seu lado, dois homens musculosos, com expressões sombrias e armas em punho.

"Ora, ora, Leonardo. Vejo que você fez alguns amigos inesperados", disse Silas, sua voz suave e melódica, mas carregada de ameaça. "Mas parece que você está prestes a me entregar o que eu quero."

Leonardo se colocou entre Silas e Isabella, protegendo-a com seu corpo. "Você não vai conseguir, Silas. Eu não vou deixar."

"Ah, mas você não tem escolha, meu caro pupilo", Silas riu friamente. "Você se deixou levar por sentimentos. Sentimentos são fraquezas. E eu, ao contrário de você, sou um homem de lógica e ambição." Ele fez um gesto para seus homens. "Tragam a segunda chave."

Os dois capangas avançaram, mas Leonardo foi mais rápido. Ele empurrou Isabella para trás e se lançou contra um dos homens, um turbilhão de movimentos precisos e rápidos. A luta era intensa, os sons de golpes e grunhidos ecoando pela caverna. Isabella observava, o medo paralisando-a, mas a coragem de Leonardo a inspirava.

Enquanto Leonardo lutava, o segundo capanga se virou para Isabella. Ela recuou instintivamente, mas seu pé escorregou em uma poça d'água. Ela caiu, batendo as costas na rocha. O homem se aproximou, um sorriso cruel no rosto.

"A herdeira", ele sibilou. "Vamos ver se você é tão valiosa quanto dizem."

Mas antes que ele pudesse alcançá-la, um estrondo ensurdecedor ecoou. A entrada da caverna foi bloqueada por uma avalanche de pedras, um barulho colossal que sacudiu toda a estrutura. Silas e seus homens congelaram, surpresos.

"O que foi isso?", Silas gritou, a voz tensa.

Leonardo aproveitou a distração. Ele desarmou o capanga com quem lutava e, com um golpe rápido, o imobilizou. O outro capanga, vendo a situação, tentou fugir pela entrada bloqueada, mas era tarde demais.

Silas, percebendo que estava em desvantagem, olhou para o pedestal. "Não importa. Eu pegarei a chave de você mais tarde." Ele fez um sinal para o capanga restante, que se preparou para atacar Leonardo.

Mas então, algo aconteceu. A água do mar, impulsionada pela tempestade, começou a invadir a caverna com uma força avassaladora. As ondas, antes contidas, agora se chocavam contra as rochas, inundando o espaço rapidamente.

"Temos que sair daqui!", Leonardo gritou, o desespero em sua voz.

Silas e seu capanga estavam presos entre a avalanche de pedras e a maré crescente. O rosto de Silas se contorceu em fúria e pânico.

Leonardo agarrou a mão de Isabella, puxando-a para longe do pedestal. "A chave!", ele gritou, apontando para o objeto. "Peguem a chave!"

Isabella, apesar do medo, correu até o pedestal e agarrou o pano escuro. Por baixo, havia uma segunda chave de ferro, idêntica à sua. Ela a apertou em sua mão, sentindo a conexão com a outra.

"Vamos!", Leonardo a puxou, navegando pela água que subia rapidamente.

Eles se viraram para a entrada, mas Silas e seu capanga estavam sendo arrastados pelas ondas violentas. Isabella deu um grito de horror, mas Leonardo a puxou para longe, a força da correnteza ameaçando engoli-los.

Eles nadaram em direção a uma abertura na parte de trás da caverna, uma passagem estreita que levava para o exterior. A água os empurrava com violência, mas eles lutavam, a adrenalina e o instinto de sobrevivência os impulsionando. Finalmente, emergiram em uma pequena enseada isolada, a chuva e o vento ainda furiosos, mas a segurança momentânea os envolveu.

Ofegantes, molhados e exaustos, eles se olharam. As duas chaves de ferro repousavam nas mãos de Isabella. A ameaça de Silas e seus capangas parecia ter sido momentaneamente contida pela fúria do mar.

"Você está bem?", Leonardo perguntou, a voz rouca de preocupação.

Isabella assentiu, ainda tremendo. Ela olhou para as chaves em suas mãos. A segunda parte da missão estava completa. Mas o preço havia sido alto.

"E Silas…?", ela perguntou, com a voz embargada.

Leonardo olhou para a entrada da caverna, agora submersa pelas ondas. "O mar… ele levou o que o mar decidiu. Mas o Colecionador não vai desistir. Ele sempre encontra um jeito."

Ele a abraçou com força, um abraço que transmitia alívio, mas também a compreensão do perigo que ainda os aguardava. A armadilha na costa rochosa havia sido evitada, mas a verdadeira batalha estava apenas começando. O legado ancestral exigia mais deles, e o caminho à frente era incerto e perigoso.

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