O Ladrão do meu Coração

Capítulo 17 — O Preço da Verdade

por Valentina Oliveira

Capítulo 17 — O Preço da Verdade

O ar na gruta tornou-se denso com a tensão. A risada de Rodrigo pairava no ar como um veneno, e os homens que o acompanhavam pareciam rochas endurecidas, sem emoção em seus rostos. Elisa sentiu o suor frio escorrer por sua testa, mas seus olhos estavam fixos nos de Rodrigo. A coragem, antes um pequeno fio, agora se expandia em seu peito, alimentada pela raiva e pelo instinto de proteção.

Gabriel, firme como uma rocha, mantinha-se entre Elisa e Rodrigo. Sua postura era de desafio, mas ele sabia que a força bruta poderia não ser o suficiente. Ele olhou para Elisa, um pedido silencioso em seus olhos: cautela.

"Você é insaciável, Rodrigo," Elisa disse, sua voz ganhando força a cada palavra. "Não se trata de dinheiro. Minha avó criou este elixir para salvar vidas. Para curar."

"E a cura, minha cara Elisa, tem um preço," Rodrigo respondeu, um brilho predador em seus olhos. "E o preço é sempre maior quando se trata de algo que me interessa. Esse elixir tem o potencial de mudar o mundo. E eu serei aquele a decidir como." Ele fez um gesto com a cabeça para seus capangas. "Peguem o frasco. E tragam-me a moça."

Os dois homens avançaram, seus passos pesados ecoando na caverna. Gabriel se moveu instintivamente, mas antes que pudesse reagir, Elisa o deteve com um toque em seu braço.

"Não, Gabriel," ela disse, sua voz surpreendentemente calma. "Deixe que eu resolva isso."

Antes que Gabriel pudesse protestar, Elisa deu um passo à frente. Ela levantou o frasco de elixir, sua luz dourada capturando a pouca luminosidade do local. "Você quer isso tanto assim, Rodrigo? Quer o poder que ele representa?"

Rodrigo deu um sorriso satisfeito. "É claro. E você, inteligente como é, sabe que não pode me deter."

"Talvez não possa deter você fisicamente," Elisa concordou, sentindo a adrenalina correr em suas veias. Ela olhou para o elixir, para a esperança que ele representava, e tomou uma decisão desesperada. "Mas posso garantir que ninguém mais o terá."

Com um movimento rápido e decidido, Elisa jogou o frasco contra a parede rochosa mais próxima. O vidro se estilhaçou com um som agudo, e o líquido dourado escorreu pelas pedras, desaparecendo nas fendas escuras. Um silêncio chocante se instalou na gruta, quebrado apenas pelo som fraco do líquido escorrendo.

O rosto de Rodrigo se contorceu em uma máscara de fúria. "Sua louca! O que você fez?" Ele se lançou para a frente, seus olhos faiscando de ódio.

Gabriel, vendo a oportunidade, agarrou Elisa e a puxou para trás, empurrando-a para a saída da gruta. Os capangas de Rodrigo hesitaram por um instante, chocados com a ação de Elisa, e isso foi o suficiente.

"Corra, Elisa!" Gabriel gritou, lutando para se manter entre ela e Rodrigo.

A adrenalina impulsionava Elisa. Ela correu pela passagem estreita, o som da confusão atrás dela se misturando com o batimento acelerado de seu coração. Ela não sabia se Gabriel estava bem, se ele conseguiria escapar. O medo a consumia, mas a imagem do rosto de Rodrigo, a ganância em seus olhos, a impulsionava ainda mais.

Ela emergiu da gruta para a luz do sol, ofegante e desorientada. A ilha parecia ter mudado. O ar, antes sereno, agora parecia carregar um peso, um pressentimento de perigo iminente. Ela olhou para trás, para a entrada escura da gruta, seu coração apertado pela angústia.

Rodrigo saiu da gruta, seu rosto vermelho de raiva. Os dois homens estavam atrás dele, um deles com um corte no braço, onde Gabriel claramente havia lutado.

"Você vai pagar por isso, Elisa!" Rodrigo gritou, sua voz ecoando pela costa. "Você destruiu algo que valia mais do que você jamais entenderá!"

Elisa não respondeu. Ela apenas correu, correndo pela trilha sinuosa, em direção à segurança de sua casa. Ela precisava encontrar Gabriel. Precisava saber que ele estava bem. E precisava pensar em um novo plano.

Ela chegou à pequena cabana que chamava de lar, o coração batendo descompassado. O silêncio era perturbador. Gabriel não estava lá. Ela entrou, seus olhos varrendo o interior, procurando por qualquer sinal dele. A cama estava desfeita, como se ele tivesse se levantado às pressas.

De repente, um vulto na janela chamou sua atenção. Era Seu Juca, o velho pescador, com seu olhar perspicaz e um sorriso enigmático. Ele bateu suavemente na vidraça.

Elisa abriu a porta, a esperança florescendo em seu peito. "Seu Juca! Você viu Gabriel?"

O velho pescador assentiu lentamente. "Vi, minha menina. Ele foi esperto. Escapou por um túnel que só os mais antigos conhecem. Disse para você vir logo. Que Rodrigo não vai descansar até pegá-la."

"Onde ele está?" Elisa perguntou, a voz embargada.

"Na antiga capela. Lá é o único lugar que Rodrigo ainda não descobriu. Mas não demore, Elisa. O mar não guarda segredos para sempre, e a fúria de um homem como Rodrigo é uma tempestade que pode destruir tudo."

Elisa sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A destruição do elixir não havia acabado com a ameaça. Pelo contrário, havia apenas atiçado a fúria de Rodrigo. Ela sabia que agora a caçada estava apenas começando. E ela precisava ser mais esperta, mais forte, do que jamais fora. A verdade sobre o legado de sua avó, sobre a força que corria em suas veias, estava sendo testada. E ela não podia falhar.

Ela olhou para o céu, as nuvens começando a se formar no horizonte. Uma tempestade se aproximava, e Elisa sentia que ela mesma era o furacão silencioso, pronto para explodir. O preço da verdade era alto, mas ela estava disposta a pagá-lo. Pelo seu amor, por sua família, por sua ilha.

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