O Ladrão do meu Coração

Capítulo 19 — Os Fantasmas do Passado na Poeira Ancestral

por Valentina Oliveira

Capítulo 19 — Os Fantasmas do Passado na Poeira Ancestral

A caverna secreta oferecia um refúgio bem-vindo, mas a quietude era apenas uma pausa temporária. A realidade da perseguição de Rodrigo pairava no ar como uma névoa fria. Elisa e Gabriel passaram horas conversando à luz dos cristais, explorando as anotações antigas que Elisa havia trazido consigo, desvendando fragmentos de uma história esquecida que se entrelaçava com o destino de Maré Alta.

"Minha avó escreveu sobre os 'Guardiões da Ilha'," Elisa disse, sua voz um sussurro na quietude da caverna. Ela acariciava as páginas amareladas de um dos diários de sua avó, o cheiro de papel velho e tinta desbotada evocando uma era distante. "Ela mencionava um grupo de pessoas que juraram proteger a ilha e seus segredos. E que Rodrigo, de alguma forma, se opôs a eles há muito tempo."

Gabriel observou as anotações com atenção. "Parece que a ilha tem um propósito maior do que apenas ser um paraíso. Há uma energia aqui, Elisa. Uma força que Rodrigo quer controlar, e que sua avó e os Guardiões queriam proteger."

"Mas quem eram esses Guardiões? E por que minha avó não me contou tudo antes?" Elisa se perguntava em voz alta, a frustração se misturando à curiosidade. As peças do quebra-cabeça eram intrigantes, mas ainda faltavam muitas.

"Talvez ela quisesse que você descobrisse por si mesma," Gabriel sugeriu gentilmente. "Que sentisse a ilha, que se conectasse com ela antes de entender a magnitude de sua responsabilidade."

Eles decidiram que era hora de se aventurar novamente. A chuva havia diminuído para uma garoa fina, e o sol começava a romper as nuvens. A capela esquecida, o refúgio temporário, parecia agora um ponto de partida para uma nova busca. Eles precisavam encontrar mais informações, talvez descobrir algo sobre o paradeiro exato de Rodrigo e seus planos.

Ao saírem do túnel e retornarem à capela, um cheiro estranho pairava no ar. Não era o cheiro usual de mofo e poeira. Era algo mais pungente, um odor metálico misturado com um leve aroma de queimado.

"O que é isso?" Elisa perguntou, franzindo o nariz.

Gabriel, sempre mais atento aos perigos, pegou um pedaço de metal enferrujado do chão. "Parece que alguém esteve aqui. E não foram os fantasmas."

Eles vasculharam a capela com mais cuidado. No altar, onde antes havia um relevo desgastado, agora havia um arranhão recente, profundo, como se algo tivesse sido removido.

"Eles procuraram algo," Gabriel disse, examinando o altar. "Rodrigo sabia que este lugar poderia ter sido um refúgio. E talvez ele estivesse procurando por pistas sobre os Guardiões."

Elisa sentiu um arrepio. A presença de Rodrigo em um lugar tão sagrado era perturbadora. Ela olhou para o crucifixo de madeira que escondia a passagem para o túnel. Estava intacto. Eles haviam escapado por pouco.

"Precisamos ir para a casa do Seu Juca," Elisa decidiu. "Ele é o mais antigo da ilha. Talvez ele saiba mais sobre os Guardiões e sobre o que Rodrigo pode estar procurando."

O caminho até a vila de pescadores foi silencioso, o peso da incerteza pairando entre eles. Ao chegarem à humilde moradia de Seu Juca, encontraram o velho pescador sentado em sua varanda, consertando uma rede com suas mãos calejadas. Ele os recebeu com um aceno de cabeça, seus olhos azuis penetrantes parecendo ler em suas almas.

"Sei por que vieram," Seu Juca disse, sem levantar os olhos de seu trabalho. "O mar me conta muitas coisas. E a terra. E o vento. E o silêncio que Rodrigo deixa para trás."

"Seu Juca, precisamos de sua ajuda," Elisa começou, a voz hesitante. "Estamos procurando informações sobre os Guardiões da Ilha. E sobre Rodrigo. Ele sabe de algo importante."

O velho pescador finalmente levantou a cabeça, seus olhos fixos em Elisa. "Rodrigo… ele sempre foi um homem que cobiça o que não lhe pertence. E a ilha tem segredos que ele nunca deveria ter tocado." Ele suspirou, um som profundo e cansado. "Os Guardiões eram uma irmandade antiga. Eles cuidavam do equilíbrio de Maré Alta, protegiam a energia que flui através dela. Sua avó, Elisa, era uma delas. A mais forte."

"E o que aconteceu com eles?" Elisa perguntou, o coração apertado.

"Rodrigo. Ele era um deles, no início. Mas a ganância o corrompeu. Ele quis usar a energia da ilha para si mesmo, para obter poder e riqueza. Houve uma luta. Muitos Guardiões morreram. Sua avó conseguiu detê-lo, mas não sem um grande sacrifício." Seu Juca olhou para o mar, a memória dolorosa em seus olhos. "Ela selou a energia, escondeu-a. Mas Rodrigo nunca desistiu de procurá-la. E agora que você está aqui, Elisa, ele acredita que você é a chave."

Elisa sentiu um calafrio percorrer seu corpo. O legado de sua avó era mais pesado do que ela imaginava. Ela não era apenas uma descendente, mas a provável sucessora de uma responsabilidade ancestral.

"O que Rodrigo está procurando especificamente?" Gabriel perguntou, sua voz séria.

"Um artefato," Seu Juca respondeu. "Uma pedra que concentra a energia da ilha. Minha avó a escondeu bem. Dizem que está em um lugar onde o sol beija a terra e a terra beija o mar. Um lugar de convergência."

Elisa pensou nas anotações de sua avó, nas referências a um "farol esquecido" e a "raios de sol ancestrais". Poderia ser ali?

"O farol abandonado?" Elisa perguntou, a ideia começando a tomar forma em sua mente.

Seu Juca assentiu. "O farol que foi desativado há muitos anos. Construído em um local especial. Rodrigo sabe disso. Ele esteve lá muitas vezes, procurando. Mas o segredo de como acessá-lo… apenas os Guardiões conheciam."

A informação era preciosa, mas perigosa. Rodrigo também sabia do farol. Eles precisavam chegar lá antes dele.

"Precisamos ir ao farol," Elisa disse, olhando para Gabriel. "Se a pedra estiver lá, precisamos protegê-la."

Gabriel assentiu, a determinação em seus olhos espelhando a dela. "Estaremos com você."

Seu Juca os observou partir, um olhar de preocupação em seu rosto enrugado. Ele sabia que a jornada deles estava longe de terminar. Os fantasmas do passado estavam ressurgindo, e a poeira ancestral que cobria os segredos de Maré Alta estava prestes a ser soprada, revelando um confronto épico entre a luz e as sombras.

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