O Ladrão do meu Coração

Capítulo 20 — O Sussurro do Farol Abandonado

por Valentina Oliveira

Capítulo 20 — O Sussurro do Farol Abandonado

O sol já começava a se pôr, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados, quando Elisa e Gabriel chegaram à base do farol abandonado. A estrutura imponente, uma relíquia de uma era passada, erguia-se solitária em um penhasco rochoso, desafiando o vento incessante do mar. Era um esqueleto de ferro e pedra, com a lanterna outrora brilhante agora escura e empoeirada, um espectro de sua antiga glória.

"É aqui," Elisa murmurou, sentindo a energia peculiar que emanava do local. As palavras de Seu Juca ecoavam em sua mente: "Um lugar de convergência, onde o sol beija a terra e a terra beija o mar." O farol estava posicionado de forma a capturar os últimos raios do sol poente, e as ondas quebravam violentamente nas rochas abaixo, como se a própria terra estivesse falando com o oceano.

A entrada principal estava bloqueada por escombros, resultado de anos de abandono e tempestades violentas. Gabriel, com sua força e determinação, conseguiu remover o suficiente para que pudessem se espremer por uma abertura estreita. O interior do farol era escuro, úmido e cheio de teias de aranha grossas como véus. O cheiro de sal e metal enferrujado era avassalador.

"Parece que ninguém esteve aqui recentemente," Gabriel observou, acendendo a lanterna. "A poeira está intacta em muitos lugares."

"Mas Rodrigo pode ter estado aqui antes," Elisa respondeu, olhando para as paredes em espiral que levavam ao topo. "Ele sabe que este lugar é importante."

Eles começaram a subir a escada em caracol. Cada degrau rangia sob seus pés, e o vento uivava pelas frestas das janelas quebradas, criando uma atmosfera sinistra. Elisa sentia um nervosismo crescente, uma sensação de que estavam sendo observados. As anotações de sua avó falavam de um mecanismo oculto, ativado pela luz do sol em um momento específico do dia.

"Precisamos chegar ao topo antes que o sol se ponha completamente," Elisa apressou, sentindo a urgência de cada minuto que passava. "A hora é crucial."

Ao alcançarem o topo, uma visão deslumbrante se abriu diante deles. A plataforma circular que abrigava a antiga lanterna oferecia uma vista panorâmica de 360 graus da ilha e do oceano. O sol, em seu último esplendor, pintava o céu com cores vibrantes, e a luz dourada banhava a estrutura do farol.

No centro da plataforma, havia um círculo de pedras, cada uma com um símbolo gravado. E no meio do círculo, uma depressão na pedra, como se estivesse esperando por algo.

"É aqui," Elisa sussurrou, reconhecendo os símbolos das anotações de sua avó. "O círculo de convergência."

Eles observaram atentamente enquanto o sol descia no horizonte. Os últimos raios dourados começaram a atingir as pedras, e os símbolos gravados nelas pareceram ganhar vida, emitindo um brilho fraco. A luz concentrou-se no centro do círculo, iluminando a depressão na pedra.

"Precisamos colocar algo ali," Gabriel disse, olhando em volta. "Algo que capture a essência da ilha."

Elisa pensou no que tinha consigo. O medalhão que sua avó lhe dera, aquele que ela sempre usava. Ela o tirou do pescoço, sentindo o calor da pedra contra sua pele. Era um pequeno fragmento da ilha, um símbolo de sua conexão com sua herança.

Hesitante, ela colocou o medalhão na depressão. No instante em que a pedra tocou o local, um raio de luz intensa emanou da base do farol, projetando-se no mar. Era um feixe de luz dourada, poderoso e puro, que parecia perfurar as águas escuras.

E então, uma voz suave, quase um sussurro, ecoou pelo ar, como se viesse do próprio farol. "A Guardiã retornou. O segredo será revelado."

Elisa e Gabriel se entreolharam, maravilhados e assustados. A voz era feminina, antiga, cheia de sabedoria. Era a voz da ilha, ou talvez a voz de sua avó, ecoando através dos tempos.

De repente, um som de passos apressados ressoou da escada em espiral. Eles se viraram, o medo voltando a invadir seus corações.

Rodrigo surgiu na plataforma, seguido por seus capangas. Seu rosto estava contraído em uma expressão de triunfo e ganância. Ele viera para reclamar o que acreditava ser seu.

"Ora, Elisa," Rodrigo disse, com um sorriso cruel. "Vejo que você encontrou o caminho. Tão previsível. Mas você cometeu um erro ao ativar isso." Ele apontou para o feixe de luz que ainda se projetava no mar. "Agora todos podem ver."

"Você não vai pegar isso, Rodrigo," Elisa disse, sua voz firme, protegendo o feixe de luz com seu corpo.

"Não se iluda, garota. Essa energia é minha por direito," Rodrigo sibilou, dando um passo à frente. Seus capangas se posicionaram, prontos para avançar.

Mas antes que eles pudessem fazer qualquer coisa, algo inesperado aconteceu. O feixe de luz dourada que emanava do farol começou a se intensificar, envolvendo a plataforma em um brilho ofuscante. A voz sussurrante voltou, agora mais forte, mais clara.

"A energia não é para ser controlada. É para ser protegida. O verdadeiro poder reside em seu coração, Guardiã."

E então, a luz explodiu, envolvendo todos na plataforma em um clarão branco. Elisa fechou os olhos, sentindo uma energia poderosa percorrer seu corpo, uma força ancestral que ela nunca havia sentido antes.

Quando a luz diminuiu, ela abriu os olhos. Rodrigo e seus capangas estavam caídos no chão, seus rostos pálidos, como se tivessem sido drenados de sua força. Eles pareciam derrotados, humilhados pela própria energia que cobiçavam.

Elisa olhou para suas mãos. O medalhão de sua avó agora brilhava com uma luz própria, e ela sentia uma conexão profunda com a ilha, com a energia que ela protegia. Ela era a Guardiã. A verdade finalmente se revelara.

Gabriel a abraçou, o alívio em seus olhos misturado com admiração. "Você conseguiu, Elisa. Você os deteve."

Elisa olhou para o horizonte, onde as últimas luzes do dia se apagavam. A ilha estava segura, por enquanto. Mas ela sabia que a luta não havia terminado. Rodrigo poderia retornar, e o segredo da energia de Maré Alta agora era sua responsabilidade. A Guardiã estava pronta para cumprir seu dever, com o amor de Gabriel ao seu lado e a força ancestral de sua linhagem fluindo em suas veias. O sussurro do farol abandonado havia se tornado um chamado, e Elisa, a ladra de corações, agora era a protetora da verdade.

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