O Ladrão do meu Coração

O Ladrão do meu Coração

por Valentina Oliveira

O Ladrão do meu Coração

Autor: Valentina Oliveira

---

Capítulo 6 — A Tempestade Inesperada

O céu sobre o Rio de Janeiro, outrora um azul límpido e promissor, desdobrou-se em tons ameaçadores de chumbo e roxo. Nuvens pesadas, como um manto presságio, cobriam o sol, anunciando uma tempestade que parecia espelhar a turbulência que se instalara na vida de Isabella. A brisa, que antes acariciava seus cabelos ondulados, agora soprava com a força de um prenúncio, eriçando os pelos de seus braços. Ela estava na varanda do apartamento, o vento gelado chicoteando seu vestido de seda, os olhos fixos no horizonte onde o mar e o céu se fundiam numa linha indistinta e carregada.

Desde a noite anterior, desde o encontro inesperado com a figura enigmática de Rafael em meio à galeria de arte, uma onda de sensações conflitantes a assombrava. O beijo, roubado e inebriante, ainda ecoava em seus lábios, uma memória vívida que ela tentava desesperadamente apagar. As palavras de Carlos, seu noivo, ressoavam em sua mente como um eco distante, um lembrete constante de sua promessa, de seu futuro planejado. Mas o olhar intenso de Rafael, a corrente elétrica que percorreu seu corpo quando ele a tocou, eram realidades cruas e pulsantes que se recusavam a ser ignoradas.

Carlos, alheio à tempestade interna que se formava em Isabella, preparava-se para a viagem de negócios a São Paulo. Ele a envolvia em seus planos, falava de um futuro próspero, de uma vida de conforto e segurança. E Isabella, presa em sua teia de lealdade e desejo, sentia-se cada vez mais sufocada.

"Isabella, meu amor, você está aí fora? Onde está esse sorriso que ilumina meus dias?", a voz grave e melódica de Carlos a trouxe de volta à realidade. Ele a abraçou por trás, os braços fortes envolvendo sua cintura, o hálito quente em seu pescoço. Isabella estremeceu, não de prazer, mas de uma súbita e avassaladora apreensão.

"Estava apenas admirando a vista, Carlos", ela respondeu, tentando manter a voz firme. Ela se afastou um pouco, o suficiente para que ele pudesse ver seu rosto, mas não o bastante para que ele sentisse a distância que ela impunha.

Carlos a encarou, seus olhos azuis, antes cheios de um afeto genuíno, agora tingidos por uma sombra de preocupação. "Você parece distante ultimamente, querida. Aconteceu algo?"

O momento era crucial. Uma porta se abria para a confissão, para a busca por alívio. Mas o medo a paralisou. O medo de magoá-lo, o medo de desmantelar a vida que eles cuidadosamente construíram, o medo de enfrentar as consequências de seus próprios desejos.

"Não, Carlos, nada. Apenas um pouco cansada", ela mentiu, a voz um pouco mais trêmula do que pretendia. Ela forçou um sorriso, um gesto que não alcançou seus olhos.

Carlos apertou seu abraço, um gesto possessivo que, em outros tempos, a faria sentir-se protegida. Agora, parecia uma jaula. "Não se preocupe, meu amor. Em alguns dias estarei de volta. E então, poderemos planejar nosso casamento com mais calma. Tenho uma surpresa para você quando retornar."

A surpresa. Isabella sabia que Carlos tinha uma predileção por gestos grandiosos e caros. Ele amava demonstrar seu amor através de presentes materiais, como se pudesse comprar a felicidade dela. E ela, em sua ingenuidade, sempre aceitou, acreditando que era a única forma de afeto que conhecia.

"Mal posso esperar", ela disse, sem convicção. Enquanto Carlos falava sobre seus planos para a viagem, sobre os detalhes do casamento, Isabella sentia uma angústia crescente. A imagem de Rafael, com seus olhos escuros e penetrantes, com o calor de seu toque, invadia sua mente, tornando as palavras de Carlos insuportáveis.

Mais tarde naquela noite, enquanto Carlos a acompanhava até o quarto, ele a beijou com a paixão habitual. Mas para Isabella, o beijo era um fardo. Ela sentiu a diferença gritante entre o amor seguro e previsível de Carlos e a eletricidade perigosa que Rafael despertara nela. Ela se afastou, o coração batendo descompassado.

"Carlos, eu… eu preciso de um tempo", ela disse, a voz embargada. A tempestade lá fora começou a rugir, os trovões ecoando a tempestade que se formava em seu interior.

Carlos a olhou, surpreso e magoado. "Um tempo? Isabella, o que você quer dizer com isso?"

"Eu… eu não sei mais o que eu quero, Carlos", ela confessou, as lágrimas começando a rolar por seu rosto. "Aquele beijo… não foi um erro. Algo aconteceu dentro de mim."

Carlos a segurou pelos ombros, a expressão confusa e desapontada. "Que beijo, Isabella? Do que você está falando?"

Isabella hesitou. Revelar a verdade sobre Rafael significaria desvendar um segredo que ela mesma ainda não compreendia. Significaria trair a confiança de Carlos de uma forma irreversível. Mas o peso da mentira era insuportável.

"Na galeria, ontem à noite. Rafael. Ele… ele me beijou", ela sussurrou, as palavras saindo com dificuldade.

O rosto de Carlos empalideceu. Ele a soltou como se tivesse levado um choque. A decepção em seus olhos era palpável, substituída por uma raiva fria e contida. "Rafael? O mesmo Rafael que… que você me disse ter sido apenas um conhecido distante?"

"Eu pensei que fosse, Carlos. Mas… algo aconteceu. Eu sinto algo por ele. Algo que não deveria sentir."

"Algo que não deveria sentir?", Carlos repetiu, a voz baixa e perigosa. "Isabella, você está prometida a mim! Você vai se casar comigo! Como você pôde permitir isso?"

A acusação feriu Isabella mais do que as palavras cruas. Ela se sentiu encurralada, culpada, mas também… ressentida. "Eu não planejei, Carlos! Aconteceu! E eu não posso simplesmente apagar o que sinto!"

A tempestade lá fora atingiu seu ápice. Um raio iluminou o quarto, seguido por um trovão ensurdecedor. Isabella sentiu que o mundo desabava ao seu redor.

Carlos se afastou, a mandíbula cerrada. "Seus sentimentos, Isabella? E o meu amor? E a nossa família? Isso tudo não conta para você?"

"Conta, Carlos! É por isso que eu estou confusa! É por isso que eu estou sofrendo!"

"Sofrer?", ele riu, um som amargo e sem alegria. "Você está sofrendo porque a sua vida perfeita está um pouco bagunçada? Você tem ideia do que está fazendo? Você está brincando com a minha vida, Isabella!"

"Não estou brincando, Carlos! Pelo contrário! Estou tentando entender o que está acontecendo comigo!" Ela o encarou, a voz firme, mesmo que seu corpo tremesse. "Eu preciso de espaço. Preciso pensar. Eu não posso me casar com você assim."

As palavras pairaram no ar, pesadas como as gotas de chuva que agora batiam furiosamente contra as janelas. Carlos a encarou, a decepção dando lugar a uma fúria contida. "Espaço? Você quer espaço? Vá para onde quiser. Mas saiba que esta noite, você acabou de destruir o nosso futuro."

Ele se virou e saiu do quarto, batendo a porta com força. Isabella ficou sozinha, o eco da porta batendo misturando-se ao rugido da tempestade. As lágrimas agora corriam livremente, não apenas de dor e confusão, mas de uma estranha sensação de libertação. A tempestade de Carlos havia se dissipado, mas a tempestade dentro dela apenas começara. O ladrão do seu coração, como ela agora o chamava mentalmente, havia invadido seu mundo, e ela sabia, com uma certeza assustadora, que nada seria como antes. O futuro, antes tão claro, agora era uma névoa densa e incerta, repleta de perigos e desejos proibidos.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%