A Armadilha do Amor

A Armadilha do Amor

por Camila Costa

A Armadilha do Amor

Autor: Camila Costa

Capítulo 11 — O Perfume da Saudade e um Recomeço Incerto

O sol tingia de dourado as ondas que beijavam a areia de Praia das Ondas, um espetáculo que se desdobrava diante dos olhos marejados de Helena. O cheiro salgado do mar, antes um bálsamo para sua alma atormentada, agora parecia carregar o peso da saudade e da incerteza. Cada grão de areia que se agarrava aos seus pés era um lembrete da vida que deixara para trás, das promessas que pareciam desmoronar a cada passo. Ela observava o horizonte, um véu de névoa pairando sobre as águas, espelhando a confusão que habitava seu coração.

A pequena pousada, "O Refúgio das Gaivotas", cheirava a maresia e a café fresco, uma combinação que normalmente a reconfortaria. Mas hoje, o aroma parecia amplificar a solidão. O quarto era simples, com uma cama de madeira rústica, uma janela que dava para o mar e um pequeno armário. Era tudo o que ela precisava, teoricamente, para recomeçar. Mas a alma humana, essa criatura complexa, anseia por mais do que apenas abrigo e paz. Anseia por conexão, por pertencimento, por um lugar onde as cicatrizes possam, enfim, começar a cicatrizar.

Enquanto desfazia a mala, as mãos trêmulas, Helena sentiu uma pontada no peito ao encontrar uma foto antiga. Era dela, sorrindo, ao lado de um jovem Ricardo, em uma tarde ensolarada em alguma praia que parecia tão distante quanto um sonho. O sorriso dele, tão genuíno, contrastava dolorosamente com a sombra que agora pairava sobre sua memória. Ela se perguntou se ele a perdoaria. Se algum dia seria capaz de entender a magnitude do erro que ele havia cometido e o motivo pelo qual ela precisou fugir.

"Não chore, Helena", sussurrou para si mesma, a voz embargada. "Você é forte. Você vai superar isso." Mas a força, naquele momento, parecia um luxo distante.

Do lado de fora, o som de passos na areia e vozes alegres quebrando a quietude a trouxeram de volta à realidade. A pousada, ela sabia, não era um ermitão. Era um lugar onde pessoas vinham para viver, para amar, para se encontrar. E ela, Helena, precisava se encontrar novamente.

Decidiu que não podia se entregar à melancolia. Respirou fundo, o ar puro enchendo seus pulmões, e caminhou até a janela. O sol já começava a se pôr, pintando o céu com tons vibrantes de laranja, rosa e roxo. Era um espetáculo de tirar o fôlego, um lembrete de que, mesmo após as tempestades, o sol sempre volta a brilhar.

Com um ímpeto renovado, ela pegou uma saia leve e uma blusa de algodão, sentindo a brisa marítima acariciar sua pele enquanto se arrumava. Precisava de ar. Precisava de movimento. Precisava sentir a terra sob seus pés, mesmo que fosse uma terra desconhecida.

Ao sair da pousada, encontrou Dona Carmem, a proprietária, uma senhora de cabelos brancos como a espuma do mar e um sorriso acolhedor.

"Ah, a senhora já se instalou! Que bom que chegou bem", disse Dona Carmem, os olhos curiosos, mas gentis. "Precisa de alguma coisa? Um chá, um café? O jantar já está quase pronto."

Helena sorriu, um sorriso fraco, mas sincero. "Obrigada, Dona Carmem. Só estou querendo dar uma caminhada pela praia. Sentir o ar."

"Claro, querida. A praia aqui é um presente. Pode ir sem medo, é um lugar tranquilo. E se precisar de algo, é só chamar." Dona Carmem voltou para a cozinha, deixando Helena com um calor reconfortante no coração. Havia gentileza naquele lugar, algo que ela não esperava.

A areia fria sob seus pés descalços era um choque delicioso. A cada passo, ela sentia a tensão se dissipar. A vastidão do oceano a engolia, a fazia se sentir pequena, mas também livre. As ondas quebravam em um ritmo hipnótico, um som primordial que acalmava a turbulência interior.

Enquanto caminhava, avistou uma figura solitária sentada em uma pedra, observando o mar. Era um homem, de costas para ela. A silhueta era alta, os ombros largos. Ele parecia imerso em seus próprios pensamentos, alheio ao mundo ao redor.

Uma curiosidade incontrolável a impeliu a se aproximar. Não era sua natureza ser intrometida, mas algo naquele homem, naquela solidão compartilhada, a atraía. Ao chegar mais perto, ela pôde distinguir seus traços. Um rosto marcado pelo tempo, mas com uma beleza rústica e um olhar profundo, como se carregasse histórias em cada ruga. Ele tinha cabelos escuros, levemente grisalhos nas têmporas, e uma barba por fazer que acentuava sua expressão pensativa.

Ele se virou, como se sentisse sua presença. Seus olhos, de um azul intenso como o próprio oceano em um dia claro, encontraram os dela. Um arrepio percorreu a espinha de Helena. Havia algo familiar naquele olhar, uma profundidade que a fez hesitar.

"Boa noite", disse ele, a voz rouca, mas melodiosa.

"Boa noite", respondeu Helena, a voz um pouco mais firme do que esperava. "É um lugar lindo para se contemplar o pôr do sol."

Um leve sorriso brincou nos lábios dele. "É o meu refúgio. Onde encontro paz." Ele fez uma pausa, o olhar fixo nela. "Você é nova por aqui, não é?"

Helena assentiu, sentindo-se exposta sob aquele olhar penetrante. "Acabei de chegar. Precisei de um... um lugar para pensar."

"Praia das Ondas tem essa capacidade de nos fazer pensar", ele concordou, voltando o olhar para o mar. "Ou de nos fazer esquecer."

"Espero que me ajude a pensar", disse Helena, com um fio de esperança na voz. "E talvez, um dia, a esquecer."

Ele riu suavemente, um som que a fez relaxar um pouco. "O esquecimento nem sempre é o melhor caminho. Às vezes, é preciso enfrentar para seguir em frente." Ele se levantou, estendendo a mão. "Sou Mateus."

Helena hesitou por um instante, mas apertou a mão dele. A pele era áspera, de quem trabalha com as mãos, mas o aperto era firme e seguro. "Helena."

"Prazer em conhecê-la, Helena", disse Mateus, o olhar ainda fixo nos dela. "Espero que encontre aqui o que procura."

Um silêncio confortável se instalou entre eles, quebrado apenas pelo som das ondas. Helena sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo ao sentir a mão dele ainda segurando a sua. Havia uma conexão ali, algo inegável. Uma faísca que ela não esperava, mas que, de alguma forma, a fez sentir um vislumbre de um futuro que não era apenas de solidão.

Enquanto o sol desaparecia completamente no horizonte, pintando o céu com as últimas brasas do dia, Helena sentiu um misto de apreensão e esperança. Mateus a olhava com uma intensidade que a deixava sem fôlego. Seria aquele encontro, no meio da vastidão do mar e da sua própria solidão, o início de algo novo? Ou apenas mais uma armadilha do amor, disfarçada de recomeço? A noite caía sobre Praia das Ondas, e com ela, um turbilhão de sentimentos que Helena ainda precisaria desvendar. Aquele homem, com seus olhos de mar e a promessa de paz em seu olhar, era um mistério que ela não sabia se estava pronta para desvendar.

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