Meu Chefe, Meu Amor II

Capítulo 22 — O Confronto Familiar e a Fúria de Sofia

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 22 — O Confronto Familiar e a Fúria de Sofia

Os dias que se seguiram ao café da manhã em Pinheiros foram um borrão de dor e confusão para Clara. Ela se trancou em seu apartamento, evitando ligações e mensagens, precisando de tempo para processar a avalanche de informações e emoções que a haviam atingido. As palavras de Rodrigo, a imagem de Helena, a traição sentida – tudo isso a consumia. O amor que ela jurara sentir por ele agora parecia frágil, ameaçado pela fragilidade da própria verdade.

Sofia, por outro lado, parecia mais inquieta do que nunca. A revelação de Clara sobre a conversa com Rodrigo havia agitado as águas, e ela sentia que o plano, tão cuidadosamente arquitetado, estava começando a ruir. A ideia de Rodrigo se casar com Clara, e ainda pior, integrar Helena em um novo núcleo familiar, era insuportável para ela. A herança, os negócios, o poder que ela almejava para sua família – tudo isso poderia se perder se Rodrigo permitisse que Clara tomasse um lugar de destaque em sua vida.

Naquela tarde, Sofia decidiu que precisava agir. Ela não podia permitir que Clara, com suas emoções e sua ingenuidade, estragasse tudo. Ela ligou para sua irmã, Mariana, a voz carregada de urgência.

"Mariana, precisamos conversar. É sobre a Clara e o Rodrigo. Ele contou para ela."

Mariana atendeu no primeiro toque, a voz sonolenta. "Contou o quê, Sofia? Não estou entendendo."

"Ele contou a verdade, Mariana! Sobre o acordo, sobre você, sobre a Helena. A Clara sabe de tudo!"

Do outro lado da linha, um silêncio tenso. Mariana, sempre calculista e controladora, parecia ter sido pega de surpresa. "Como assim? Rodrigo não faria isso. Ele prometeu que manteria tudo em segredo."

"Parece que ele não tem mais controle sobre a situação. A Clara é teimosa, e ela o pressionou até conseguir a verdade. Agora, ele está pensando em se casar com ela, e pior, em trazer a Helena para essa nova família."

A voz de Mariana endureceu. "Isso é inaceitável. Rodrigo não pode ser tão tolo. A Helena é nossa, Sofia. A nossa família é quem deve estar ao lado dele, não essa... essa intrusa."

"Eu sei, querida. É por isso que precisamos fazer alguma coisa. Eu estou pensando em ir até a casa dela. Confrontá-la. Mas talvez seja melhor irmos juntas. Você e eu. Mostrar a ela quem nós somos e o que está em jogo."

Mariana hesitou por um momento. Confrontar Clara diretamente não era o seu estilo. Ela preferia agir nas sombras, manipular os outros para que fizessem o trabalho sujo. Mas a ideia de perder a chance de consolidar seu poder através do casamento com Rodrigo era ainda mais assustadora. "Tudo bem", ela disse finalmente. "Quando?"

"Agora mesmo. Nos encontramos no meu apartamento. Precisamos traçar um plano."

O encontro na mansão dos Montenegro foi tenso. Sofia e Mariana, duas mulheres com agendas ocultas e corações frios, se uniram em um propósito comum: destruir a felicidade de Clara. Elas se sentaram na sala de estar luxuosa, cercadas por obras de arte caríssimas e móveis antigos, um cenário que contrastava com a maldade que fervilhava em seus corações.

"Eu não entendo como ele pode ser tão fraco", Mariana disse, a voz cheia de desprezo. "Eu pensei que ele fosse mais inteligente. Ele sabe que nossa união é fundamental para os negócios."

"Ele está cego pelo amor, Mariana. Um amor que não é para ele. Essa Clara é uma oportunista. Ela só quer o dinheiro e o status que o Rodrigo pode oferecer." Sofia estava determinada a manter a narrativa de que Clara era a vilã, a manipuladora.

"Precisamos mostrar a ela que ela não tem chance", Mariana disse, um brilho perverso nos olhos. "Precisamos lembrá-la do seu lugar."

"Eu pensei em ir até a casa dela", Sofia continuou, o plano tomando forma em sua mente. "Mas talvez seja melhor uma abordagem mais... direta. Um confronto. Uma humilhação pública. Algo que a faça desistir de vez."

Mariana sorriu. "Gosto da sua ideia, Sofia. Mas não podemos agir sozinhas. Precisamos de algo que a incrimine, algo que a faça parecer desequilibrada. Algo que Rodrigo não possa ignorar."

Enquanto elas tramavam, Clara, em seu apartamento, tentava colocar ordem em sua vida. Ela sabia que não podia fugir para sempre. Precisava encarar Rodrigo, mas não agora. Precisava de clareza, de tempo para pensar. Ela pegou o celular e discou o número de sua amiga, Beatriz.

"Bea, você está livre? Preciso de ajuda."

Beatriz, sempre leal e compreensiva, não hesitou. "Claro, Clara. O que aconteceu? Você sumiu esses dias."

Clara contou tudo a Beatriz, a voz embargada pela emoção. A descoberta sobre Helena, a mentira de Rodrigo, a sensação de ter sido traída. Beatriz ouviu pacientemente, oferecendo conforto e apoio.

"Clara, eu sinto muito por você estar passando por isso. Mas você precisa ser forte. E você precisa ter certeza do que quer. Você ama o Rodrigo? Ou você ama a ideia dele?"

"Eu não sei mais, Bea. Eu acho que o amo, mas... como eu posso amar alguém que me mentiu de forma tão cruel?"

"Isso é algo que só você pode responder. Mas não deixe que a Sofia e a Mariana te manipulem. Elas sempre foram interesseiras. Se elas estão tão desesperadas para te afastar dele, é porque você representa uma ameaça para os planos delas."

Enquanto Clara desabafava com Beatriz, a campainha de seu apartamento tocou. Ela se assustou. Quem poderia ser? Ela não esperava ninguém. Beatriz a encorajou a atender, dizendo que talvez fosse uma mensagem importante. Com o coração acelerado, Clara caminhou até a porta e espiou pelo olho mágico. Seu sangue gelou. Eram Sofia e Mariana. As duas estavam ali, com sorrisos forçados e olhares calculistas.

Ela se afastou da porta, o pânico tomando conta. "Bea, é a Sofia e a Mariana. Elas estão aqui."

"Não abra, Clara! Não deixe que elas entrem!", Beatriz alertou.

Mas Clara sabia que não podia se esconder para sempre. Elas não iriam embora. Respirando fundo, ela destrancou a porta e a abriu lentamente.

"O que vocês querem?", ela perguntou, a voz firme, mas com um tremor quase imperceptível.

Sofia e Mariana se entreolharam, um sorriso de triunfo brincando em seus lábios. "Viemos conversar, querida", Sofia disse, com um tom meloso que Clara já conhecia bem. "Sobre você e o Rodrigo."

Mariana deu um passo à frente, o olhar fixo em Clara, como um predador observando sua presa. "Rodrigo é um homem destinado a coisas grandes, Clara. E ele precisa de uma parceira que entenda o seu mundo, que possa acompanhá-lo. Uma parceira que não seja uma... distração."

"Eu não sou uma distração", Clara rebateu, o orgulho ferido falando mais alto que o medo. "Eu o amo. E ele me ama."

Sofia riu, um som agudo e desagradável. "Ah, meu bem. Amor? Você realmente acredita nessa baboseira? Rodrigo tem responsabilidades. E a Helena é a prioridade dele. Você é apenas um capricho passageiro."

"Você não sabe do que está falando", Clara disse, a raiva começando a borbulhar. "Rodrigo me contou a verdade. Ele me disse que ele te ama, Mariana, mas que o casamento de vocês era um acordo. E que a Helena é filha dele."

O rosto de Mariana se contorceu em uma máscara de fúria. A menção de Helena, sua filha, tocara em um ponto sensível. "Você se atreve a falar da minha filha? Você não sabe nada sobre ela! Você é uma intrusa, uma interesseira que quer roubar o que é nosso!"

Sofia interveio, tentando controlar a irmã. "Mariana, calma. Deixe-me falar." Ela voltou-se para Clara, um brilho perigoso em seus olhos. "Olha, querida. Nós sabemos que você está confusa. Mas a verdade é que Rodrigo jamais deixaria o seu império por você. Ele tem um nome a zelar, uma família a manter. E nós, a família dele, não vamos permitir que você interfira nisso."

"Interferir?", Clara sentiu uma onda de adrenalina. "Eu amo o Rodrigo! E se ele me ama, nada mais importa!"

"Ah, mas importa sim!", Mariana gritou, perdendo completamente o controle. "Você acha que tem alguma chance? Você acha que pode simplesmente aparecer e arruinar tudo? Eu não vou permitir isso! A Helena é minha filha, e o Rodrigo é meu futuro! E você, sua... sua vagabunda, vai se afastar dele agora mesmo!"

As palavras de Mariana foram um golpe baixo, cruel e inesperado. Clara sentiu seu corpo tremer. A humilhação pública, a raiva, a dor – tudo se misturou.

"Saia da minha casa", Clara disse, a voz baixa e perigosa. "Agora."

Sofia tentou mais uma vez. "Clara, pense bem. Não vale a pena lutar por ele. Ele não é para você."

"Ele pode ser para mim", Clara disse, um vislumbre de determinação em seus olhos. "Mas não para vocês duas."

Com um último olhar de desprezo, Clara bateu a porta na cara delas. O som ecoou pelo corredor, um ponto final abrupto na invasão. Ela encostou-se na porta, o corpo tremendo. A fúria de Sofia e Mariana era palpável, um prenúncio de que a batalha pelo amor de Rodrigo estava apenas começando. E Clara sabia que teria que ser forte, muito forte, para enfrentar as sombras do passado que agora se materializavam em sua frente.

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