O Desejo Proibido II

Capítulo 14 — O Covil do Dragão

por Camila Costa

Capítulo 14 — O Covil do Dragão

A noite era densa e silenciosa, o ar frio cortando a pele de Helena e Ricardo enquanto eles se embrenhavam na trilha sinuosa indicada pela senhora Clara. A vegetação era espessa e os galhos arranhavam seus rostos e roupas, mas a adrenalina e a urgência os impulsionavam para frente. A cada passo, Helena sentia uma mistura de medo e excitação. Medo do que poderiam encontrar, e excitação pela possibilidade de, finalmente, trazer à tona as verdades ocultas.

"Tem certeza que é por aqui, senhora Clara?", Ricardo perguntou, a voz baixa, iluminando o caminho com a lanterna.

"Tenho, meu filho. Essa é a antiga rota de caça dos Vilela. Poucos a conhecem hoje em dia. E é a única maneira de chegar àquelas terras sem ser visto pelos olhares mais atentos. Salles deve ter usado esse caminho para esconder seus segredos", a senhora Clara respondeu, sua voz firme, apesar da idade. Ela estava ao lado deles, um farol de conhecimento e determinação.

Após o que pareceram horas de caminhada árdua, a vegetação começou a se abrir, revelando uma clareira escura. No centro, imponente e ameaçador, erguia-se um antigo galpão de pedra, quase camuflado pela escuridão. Era rústico, mas emanava uma aura de poder e segredo.

"É aqui", disse a senhora Clara, apontando para o local. "Ouvi boatos de atividades estranhas nesse lugar anos atrás. Pessoas entrando e saindo em horários incomuns. Mas nunca soube ao certo o que se passava."

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Aquele era o covil do dragão. A mente de Eduardo, tão brilhante e atormentada, havia previsto que Salles usaria um local como este. Agora, a tarefa era invadi-lo e encontrar as provas.

Ricardo se aproximou da porta de metal pesado, examinando a fechadura. "É uma tranca antiga, mas reforçada. Salles não queria que ninguém entrasse facilmente." Ele tirou um kit de ferramentas de sua bolsa e começou a trabalhar com habilidade. O som do metal rangendo ecoava no silêncio, cada clique e raspagem aumentando a tensão.

Helena observava, o coração batendo descompassado. Ela imaginava Eduardo, sua inteligência, seu desespero, traçando esse plano. Ela sentia a presença dele com ela, a força que ele a inspirava.

Com um último clique, a fechadura cedeu. Ricardo empurrou a porta, revelando um interior escuro e empoeirado. O cheiro de mofo e umidade pairava no ar. A luz da lanterna de Ricardo varreu o local, revelando caixas empilhadas, móveis antigos cobertos por lonas e, no centro, uma grande mesa de madeira maciça.

"Cuidado onde pisa", Ricardo alertou, sua voz tensa. "Não sabemos o que podemos encontrar."

Eles entraram cautelosamente. Helena sentia a energia do lugar, carregada de segredos e transações ilícitas. Ela sabia que estava ali onde Salles guardava suas mais preciosas confissões, seus planos mais sombrios.

Enquanto Ricardo examinava as caixas, procurando por documentos, Helena se aproximou da mesa central. Havia um laptop antigo, ainda conectado a uma fonte de energia, e uma pilha de papéis cuidadosamente organizados. Seus dedos tremiam ao tocar os papéis. Eram contratos, notas fiscais, recibos e correspondências. Tudo relacionado à construtora "Global Dynamics".

"Ricardo, venha ver isso!", ela chamou, a voz embargada de emoção. "É tudo aqui. Os acordos, os pagamentos ilegais, tudo!"

Ricardo se apressou até ela. Juntos, eles começaram a analisar os documentos. Eram mais incriminadores do que imaginavam. Os papéis detalhavam a negociação de Salles com a "Global Dynamics", os subornos pagos, as manipulações para contornar as leis ambientais. Havia também cartas pessoais de Salles, expressando sua satisfação com o progresso e sua confiança em sua capacidade de manter tudo em segredo.

"Ele era descuidado", Ricardo murmurou, folheando um dos contratos. "Ou arrogante demais para acreditar que alguém o encontraria aqui."

Enquanto Helena se debruçava sobre os papéis, seus olhos pousaram em um envelope lacrado no fundo da pilha. Estava endereçado a "Eduardo". Seu coração gelou. Com as mãos trêmulas, ela o abriu. Dentro, havia uma carta escrita na caligrafia inconfundível de Salles, e uma fotografia.

A carta era uma confissão. Salles detalhava como ele chantageou Eduardo, como explorou seus segredos familiares para forçá-lo a cooperar. Ele se gabava de sua inteligência e de como ele havia manipulado todos, incluindo Helena, para atingir seus objetivos. Ele descrevia, com detalhes perturbadores, o plano para desestabilizar a família Vilela e assumir o controle de seus negócios.

A fotografia era chocante. Nela, uma jovem Helena, sorrindo, estava ao lado de um homem que Helena não reconheceu. Mas o que a chocou foram as anotações na parte de trás da foto. Era sobre a origem do dinheiro da família Vilela, um segredo que, segundo Salles, era o que o tornava tão poderoso e o que ele usaria para destruir Helena se ela tentasse interferir.

"Ricardo...", Helena sussurrou, entregando-lhe a carta e a foto. Seus olhos estavam marejados, mas sua voz era firme. "Ele sabia. Ele sabia sobre a origem do dinheiro da minha família. Ele usou isso para chantagear Eduardo."

Ricardo leu a carta, o rosto se contraindo de raiva. "Esse desgraçado. Ele não parou em nada para atingir seus objetivos." Ele olhou para a foto e para as anotações. "Isso explica a vulnerabilidade de Eduardo. Ele estava protegendo você, e estava tentando proteger um segredo que poderia arruinar tudo."

De repente, um barulho vindo do exterior os fez congelar. O som de um carro se aproximando.

"Alguém está vindo", Ricardo sussurrou, fechando o laptop rapidamente. "Temos que sair daqui. Agora!"

Eles juntaram o máximo de documentos que puderam, o tempo se tornando um inimigo implacável. Helena pegou a carta de Salles e a fotografia, sentindo o peso da verdade e da vingança em suas mãos.

Enquanto eles se apressavam para a porta, luzes fortes invadiram o local, cegando-os momentaneamente. Figuras começaram a emergir das sombras, armadas. Era Salles e seus capangas.

"Ora, ora, o que temos aqui?", a voz fria e calculista de Armando Salles ecoou no galpão. Seus olhos, cheios de uma malícia fria, fixaram-se em Helena e Ricardo. "Vocês se tornaram curiosos demais, não acham?"

Helena sentiu o pânico subir, mas a imagem de Eduardo a impulsionou. Ela não fugiria. "Você não pode mais esconder a verdade, Salles. Nós sabemos de tudo."

Salles riu, um som seco e desagradável. "Sabe? Você não sabe nada, minha cara. E agora, vocês dois vão se juntar ao seu amado Eduardo. No esquecimento."

A tensão no galpão era palpável. Helena e Ricardo estavam encurralados, mas a coragem que emanava de Helena era uma força a ser reconhecida. O covil do dragão havia se revelado, e a batalha final estava prestes a começar.

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