O Desejo Proibido II
Capítulo 17 — As Sombras do Passado e a Promessa do Futuro
por Camila Costa
Capítulo 17 — As Sombras do Passado e a Promessa do Futuro
Os dias que se seguiram à revelação da traição de Lucas foram um borrão de dor e determinação para Isabella. Ela se refugiou em sua casa de campo, longe do burburinho da cidade, onde o cheiro de terra molhada e o canto dos pássaros pareciam ser os únicos sons puros em meio à tempestade que assolava sua alma. Marcos a visitava quase diariamente, não com a urgência do passado, mas com a calma e a firmeza de quem oferece um porto seguro.
Em uma tarde nublada, enquanto observavam a chuva fina cair sobre o gramado, Isabella finalmente conseguiu verbalizar a profundidade de sua ferida. "Eu me sinto como uma tola, Marcos. Uma idiota que acreditou em cada palavra dele. Em cada promessa. Em cada beijo." Ela suspirou, o peso da autocrítica esmagando-a. "Como ele conseguiu me enganar tão facilmente?"
Marcos sentou-se ao lado dela no sofá, o calor de sua presença um consolo silencioso. "Bella, você não foi tola. Você foi apaixonada. Você amou. E ele… ele é um mestre em disfarces. Ele soube explorar suas vulnerabilidades, seus desejos mais profundos. Ele se apresentou como o salvador, o homem que te amava de verdade e que queria te proteger. Quem não acreditaria em algo assim, quando o mundo ao redor parecia desabar?"
Ele pegou uma xícara de chá quente e a ofereceu a ela. "Ele jogou com seus medos, com a sua solidão. Ele se infiltrou em sua vida quando você mais precisava de alguém. Isso não é culpa sua. É a malícia dele."
Isabella pegou a xícara, o calor das mãos irradiando para seus dedos frios. "E o meu pai… ele sabia? Ele imaginava que Lucas era capaz de algo assim?"
Marcos balançou a cabeça. "Seu pai era um homem íntegro, Bella. Ele confiava nas pessoas. Talvez ele visse algo em Lucas que a gente não viu, uma ambição disfarçada. Mas ele jamais imaginaria que ele seria capaz de trair a própria família, a mulher que ele jurou amar. A vingança dele era contra o seu pai, mas ele usou você como arma."
Ela fechou os olhos, revivendo os momentos finais com seu pai. O orgulho em seus olhos quando ela apresentou Lucas, o alívio quando ele acreditou que a filha finalmente encontrara um porto seguro. A ironia era cruel. O homem que ela mais amava no mundo havia, sem saber, aberto as portas para o seu algoz.
"Eu preciso fazer alguma coisa, Marcos. Eu não posso ficar aqui sentada, lamentando. Eu preciso agir." A fúria, que antes era apenas um sussurro, agora gritava em sua alma.
"E você vai, Bella. Vamos. Mas com inteligência. Lucas é perigoso. Ele tem poder, recursos. Se agirmos precipitadamente, ele pode se defender, pode nos destruir ainda mais. Precisamos montar um plano sólido, com provas irrefutáveis para expô-lo ao mundo. Para que ninguém mais seja vítima dele."
"O que exatamente ele planejava fazer com a empresa? Com tudo que era nosso?"
"Ele queria controlá-la completamente. Vender alguns ativos para cobrir suas dívidas obscuras, e usar o restante para financiar seus esquemas. Ele já estava vendendo informações sigilosas para concorrentes. Era uma operação em larga escala de destruição e roubo." Marcos explicou pacientemente, detalhando cada etapa do plano de Lucas, mostrando a frieza e a precisão com que ele operava.
Isabella ouvia atentamente, absorvendo cada palavra. A imagem de Lucas, outrora um amante apaixonado, agora era a de um predador calculista. Ela sentia nojo de si mesma por ter sido tão cega. Mas a dor estava se transformando em força. A força de quem tem um propósito claro.
"Precisamos de mais provas, certo? Algo que o incrimine diretamente, que não possa ser contestado."
"Exatamente. Ele acredita que suas comunicações são seguras. Se conseguirmos acessar seus arquivos digitais, seus contatos… podemos ter tudo o que precisamos. Mas é arriscado. Ele tem segurança, tem pessoas leais a ele."
Isabella sorriu, um sorriso sombrio que não alcançou seus olhos. "Arriscado? Eu já vivi o risco, Marcos. Eu já fui traída pelo homem que eu amava. O que mais ele pode tirar de mim?"
Marcos a olhou com admiração e preocupação. Ele via nela uma força que ele não sabia que ela possuía. "Então, qual é o seu plano, Bella? Porque eu sei que você já tem um."
Ela se levantou e caminhou até a janela, observando a paisagem cinzenta. "Ele cometeu um erro. Ele subestimou a minha inteligência. Ele achou que eu era apenas um objeto em seu jogo. Mas eu sou a filha do homem que ele tentou destruir. Eu sou herdeira deste império. E eu não vou deixar que ele me roube isso, nem a honra da minha família."
Ela se virou para Marcos, seus olhos brilhando com uma determinação feroz. "Eu vou voltar para a cidade. Vou me infiltrar na empresa. Eu preciso ter acesso aos arquivos dele. Preciso encontrar o que você não conseguiu. Eu preciso ser a isca, se for preciso."
Marcos franziu a testa. "Isabella, isso é perigoso demais. Você não pode ir sozinha."
"Eu não vou. Você vai comigo. Você é o único em quem confio. Você é quem me trouxe as provas. Você é quem entende o jogo dele." Ela estendeu a mão para ele, um convite para uma aliança ainda mais forte, forjada na dor e na necessidade. "Precisamos trabalhar juntos. Para limpar o nome do meu pai. Para punir Lucas. Para reconstruir o que ele tentou destruir."
Marcos pegou a mão dela, apertando-a com firmeza. A promessa de vingança e reconstrução pairava no ar entre eles. A verdade havia sido dolorosa, mas reveladora. As sombras do passado, representadas pela traição de Lucas e a perda de seu pai, ainda pairavam, mas a promessa do futuro, de justiça e renascimento, começava a clarear o horizonte.