O Desejo Proibido II
Capítulo 3 — Um Jantar em Família e a Tensão Crescente
por Camila Costa
Capítulo 3 — Um Jantar em Família e a Tensão Crescente
A semana transcorreu em um turbilhão de ansiedade para Helena. Ela se esforçava para manter a normalidade, para não deixar que a culpa e a paixão reprimida transparecessem em seu comportamento. Arthur parecia ter aceitado suas explicações, mas um leve véu de preocupação ainda pairava em seus olhos quando a observava. O dia do jantar em família se aproximava, e a perspectiva de ver Rafael novamente a enchia de um misto de pavor e uma estranha, perigosa, expectativa.
Era um evento tradicional na mansão Drummond. Arthur adorava reunir os pais, a irmã mais nova, Clara, e, é claro, Rafael, o amigo de longa data que se tornara praticamente um membro da família. Helena sempre se sentiu confortável nesses encontros, cercada pelo calor familiar e pela familiaridade. Agora, porém, a mera ideia de compartilhar uma mesa com Rafael a deixava apreensiva.
Na noite do jantar, a mansão estava impecavelmente decorada. Velas perfumadas iluminavam os corredores, e o burburinho das conversas prenunciava a chegada dos convidados. Helena, vestida em um elegante vestido azul-marinho, tentava manter um sorriso sereno enquanto recebia os pais de Arthur, um casal distinto e afável.
O primeiro a chegar foi Rafael. Ele entrou na sala de estar com seu sorriso característico, a mesma energia contagiante que sempre o acompanhava. Seus olhos encontraram os de Helena por um instante, e ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Havia algo diferente naquele olhar, uma intensidade velada, um reconhecimento silencioso do que havia acontecido entre eles.
“Helena, querida!”, exclamou Clara, a irmã de Arthur, abraçando-a calorosamente. Clara era uma alma vibrante, cheia de vida, e Helena a adorava. “Você está deslumbrante como sempre!”
“Obrigada, Clara. Você também está linda”, respondeu Helena, grata pela distração.
Os pais de Arthur se aproximaram, cumprimentando-a com afeto. A conversa fluiu, leve e descontraída, até que Arthur anunciou a chegada de Rafael.
“Rafael, que bom que você veio! Achei que a sua viagem de negócios te atrasaria.” A voz de Arthur era genuína, desprovida de qualquer suspeita.
“O negócio terminou mais cedo do que o esperado, Arthur. E não perderia este jantar por nada. É sempre bom estar em casa”, respondeu Rafael, seu olhar pousando novamente em Helena por um breve segundo.
Durante o jantar, a tensão era palpável, pelo menos para Helena. Ela se sentava entre Arthur e Clara, tentando manter a compostura, mas cada vez que seus olhos cruzavam com os de Rafael, uma onda de calor a percorria. Ele parecia ter uma habilidade especial em manter seus olhares, em criar um universo particular entre eles, mesmo no meio de uma sala cheia de gente.
“Tenho acompanhado o progresso da nossa nova empreitada”, disse Arthur a Rafael, animado. “A expansão está se mostrando muito promissora. Você realmente tem um talento para identificar novas oportunidades.”
“É o que eu faço de melhor”, respondeu Rafael, um leve sorriso brincando em seus lábios. Ele direcionou o olhar para Helena. “E é sempre mais fácil quando se tem parceiros confiáveis e um ambiente inspirador.”
Helena sentiu o rosto corar. Ela sabia que ele estava se referindo a algo mais do que apenas os negócios.
Clara, alheia à tensão subjacente, ria de alguma piada de seu pai. “Vocês dois parecem que vão dominar o mundo com essa imobiliária. Tomara que me deem um bom desconto quando eu for comprar meu primeiro apartamento!”
Todos riram, e por um momento, a atmosfera pareceu se dissipar. Mas logo a corrente elétrica entre Helena e Rafael ressurgiu. Ele a observava com uma intensidade que a deixava sem fôlego. Era como se ele pudesse ler seus pensamentos, sentir suas dúvidas e desejos.
Mais tarde, enquanto Arthur e os pais de Clara discutiam política, Helena se afastou para a varanda, buscando um pouco de ar fresco. A noite estava agradável, com uma brisa suave vinda do lago. Ela se sentou em um banco de pedra, observando as estrelas.
“Você está bem, Helena?”
A voz dele, baixa e profunda, a fez sobressaltar. Rafael estava parado na entrada da varanda, a silhueta escura contra a luz suave do interior da casa.
Ela se virou para ele, o coração acelerado. “Sim, Rafael. Só precisava de um momento.”
Ele se aproximou lentamente, parando a poucos passos dela. O silêncio se instalou entre eles, um silêncio carregado de palavras não ditas, de sentimentos reprimidos.
“Aquela noite…”, ele começou, a voz embargada.
Helena o interrompeu, o medo a dominando. “Não, Rafael. Não podemos falar sobre isso. Não aqui. Não agora.”
“Mas eu preciso, Helena”, ele insistiu, a urgência em sua voz era inconfundível. “Eu não aguento mais fingir que nada aconteceu.”
Seus olhos se encontraram, e Helena pôde ver a mesma angústia que sentia refletida ali. A tentação de se entregar, de confessar tudo, era avassaladora.
“Eu estou casada, Rafael”, disse ela, a voz trêmula. “Com Arthur. Ele é um homem bom. Ele me ama.”
“E você o ama?”, perguntou ele, a voz quase um sussurro.
A pergunta a atingiu como um raio. Ela hesitou. Amava Arthur? Sim, o amava. Mas era o mesmo amor? Era o mesmo fogo que ardia em seu peito quando olhava para Rafael?
“Eu… eu o respeito. Eu o admiro”, respondeu Helena, lutando para encontrar as palavras certas. “Mas o que aconteceu entre nós… foi um erro.”
“Um erro que mudou tudo”, disse Rafael, dando mais um passo em sua direção. Agora, ele estava perto o suficiente para que ela pudesse sentir o calor que emanava dele. “Um erro que me fez perceber o quanto eu também te amo, Helena. Mais do que eu jamais imaginei ser possível.”
Helena sentiu um arrepio percorrer seu corpo. O desejo, antes contido, ameaçava explodir. A proximidade dele, a sinceridade em seus olhos, a fragilidade de sua própria resistência… tudo a empurrava para um precipício perigoso.
“Por favor, Rafael”, ela sussurrou, fechando os olhos por um momento. “Vá embora.”
Ele não se moveu. Em vez disso, levou uma mão à sua bochecha, o toque suave e hesitante. Helena sentiu a pele queimar sob seus dedos.
“Não posso mais fingir, Helena. Não posso mais te ver nos braços dele e fingir que meu coração não dói. Eu te quero. Mais do que tudo.”
As palavras dele eram um veneno doce, um convite para a perdição. Helena abriu os olhos, encontrando os dele. A noite, a lua, as estrelas… tudo parecia conspirar para aquele momento. A tensão entre eles era quase insuportável.
“Eu… eu não posso”, ela murmurou, mas sua voz não tinha convicção.
Rafael se inclinou, seus lábios roçando os dela. Helena sentiu seu corpo tremer. A luta interna era feroz. O dever contra o desejo, a lealdade contra a paixão.
De repente, a porta da varanda se abriu novamente. Era Clara, sorrindo.
“Helena? Achei que estivesse aqui fora. Arthur está te chamando.”
O momento se quebrou. Rafael afastou-se abruptamente, o olhar dele encontrando o dela por um instante, carregado de uma promessa silenciosa. Helena sentiu o alívio misturado à decepção.
“Já vou, Clara”, disse Helena, a voz ainda trêmula. Ela se levantou, tentando recompor a compostura.
Rafael se virou para Clara com um sorriso forçado. “Fico feliz que a noite esteja sendo agradável para todos.”
Helena evitou o olhar dele, sentindo o peso do que quase acontecera. A tensão do jantar havia se tornado um preâmbulo para um confronto inevitável. As sombras do passado e os sussurros da tentação haviam se materializado, e Helena sabia que não poderia mais fugir. O desejo proibido estava apenas começando a se desdobrar.