O Desejo Proibido II

Capítulo 4 — A Visita Inesperada e a Crise de Consciência

por Camila Costa

Capítulo 4 — A Visita Inesperada e a Crise de Consciência

Os dias seguintes ao jantar foram marcados por uma ansiedade silenciosa. Helena se sentia observada, não apenas por Arthur, mas por si mesma. A proximidade de Rafael, a intensidade de seu olhar, as palavras que ele quase proferiu, tudo a deixava em um estado de alerta constante. Ela evitava cruzar seu caminho, mas sabia que era uma questão de tempo até que a situação chegasse ao ponto de ebulição.

Arthur, alheio à tempestade que se formava em sua própria casa, continuava imerso em seus negócios e em sua dedicação a Helena. Ele a mimava com presentes, planejava viagens românticas, expressava seu amor de mil maneiras sutis e constantes. E cada gesto de carinho dele era como um punhal em sua consciência. Como ela poderia retribuir toda aquela devoção com a traição que se avizinhava em seu coração?

Uma tarde, enquanto Arthur estava em uma reunião importante no escritório, Helena recebeu uma visita inesperada. A campainha tocou, e quando ela atendeu, encontrou Rafael parado na porta, com um buquê de rosas vermelhas nas mãos.

“Rafael? O que você está fazendo aqui?” A surpresa em sua voz era genuína, misturada com um receio crescente.

“Precisamos conversar, Helena. Não posso mais esperar”, disse ele, a voz séria. Ele estendeu as rosas. “Para você. Espero que ainda se lembre de como você ama estas rosas.”

Helena hesitou, mas aceitou as flores. O perfume intenso das rosas vermelhas a envolveu, um lembrete pungente da paixão que ela tentava reprimir. Ela o convidou a entrar, sentindo o coração acelerado.

Eles se sentaram na sala de estar, o silêncio tenso preenchendo o espaço. Helena ofereceu um café, mas Rafael recusou, seus olhos fixos nela.

“Helena, eu não venho aqui para te perturbar ou para te colocar em uma situação difícil”, começou ele, a voz baixa e intensa. “Mas a verdade é que não consigo mais viver sem pensar em você. Desde o momento em que nossos lábios se tocaram, eu soube que algo em mim havia mudado para sempre.”

Helena fechou os olhos por um instante, a dor da confissão dele ecoando a dor em sua própria alma. “Rafael, você sabe que isso é impossível. Eu sou casada.”

“Eu sei. E eu não estou pedindo para você abandonar Arthur. Pelo menos, não agora. Eu só preciso que você me diga que o que sentimos não é real. Que o que tivemos foi um delírio passageiro.” A esperança em seus olhos era quase dolorosa de se ver.

Helena lutou para encontrar as palavras. Era impossível negar a realidade do que sentia. A atração por Rafael era avassaladora, um fogo que a consumia por dentro. Mas a culpa por Arthur era igualmente forte.

“Eu não posso mentir para você, Rafael”, disse ela, a voz embargada. “O que eu sinto por você… é real. É confuso, é perigoso, mas é real.”

Uma onda de alívio percorreu o rosto de Rafael, mas logo foi substituída pela preocupação. “E o que você vai fazer a respeito?”

Helena balançou a cabeça, as lágrimas começando a se formar em seus olhos. “Eu não sei. Eu estou perdida. Eu amo Arthur, mas… mas você despertou algo em mim que eu não sabia que existia.”

Rafael se aproximou, segurando suas mãos. As rosas em sua mesa pareciam um símbolo cruel da paixão que os unia. “Nós podemos ser cuidadosos, Helena. Podemos encontrar um jeito. Eu não quero te perder.”

O toque dele, o calor de suas mãos, a proximidade de seu corpo… tudo a empurrava para a beira do abismo. Ela podia sentir o desejo crescendo dentro dela, a necessidade de se entregar a ele, de esquecer tudo e todos.

“Mas e Arthur?”, sussurrou Helena, a crise de consciência a atingindo com força total. “Ele confia em mim. Ele me ama. Eu não posso destruí-lo.”

“E você?”, perguntou Rafael, seus olhos escuros fixos nos dela. “Você vai destruir a si mesma vivendo uma vida sem paixão? Sem o amor verdadeiro?”

A pergunta ecoou em sua alma. Era essa a vida que ela queria? Uma vida de aparências, de sentimentos reprimidos, de um amor seguro, mas sem fogo?

“Eu não sei mais o que eu quero, Rafael”, confessou Helena, a voz fraca. “Eu só sei que estou quebrada.”

Naquele momento, a porta da frente se abriu. Arthur havia retornado mais cedo do que o esperado. Ele parou no hall de entrada, o olhar fixo em Helena e Rafael sentados tão próximos, as mãos entrelaçadas. A expressão em seu rosto passou da surpresa à incredulidade, e, por fim, à dor profunda.

“Helena?”, ele chamou, a voz carregada de uma mágoa que fez o sangue de Helena gelar.

Rafael soltou as mãos dela abruptamente, levantando-se. Helena sentiu o rosto queimar de vergonha e pânico.

“Arthur, eu…”, ela começou, mas as palavras morreram em sua garganta.

Arthur deu um passo à frente, o olhar fixo em Rafael. Havia uma frieza em seus olhos que Helena nunca vira antes. “Rafael? O que você está fazendo aqui?”

Rafael permaneceu em silêncio por um momento, a postura tensa. “Eu… vim falar com a Helena sobre um assunto pessoal.”

Arthur deu uma risada seca, desprovida de qualquer humor. “Um assunto pessoal? No meio da tarde, com a minha esposa, enquanto eu estou fora?” Ele olhou para Helena, a decepção evidente em seu rosto. “Você não tem nada a me dizer, Helena?”

Helena sentiu o peso do mundo cair sobre seus ombros. A mentira que ela tanto tentara sustentar finalmente desmoronara. A visita inesperada de Rafael, que ela esperava que pudesse trazer algum tipo de clareza, havia se tornado a faísca que incendiou o inferno.

“Arthur, eu…”, ela tentou de novo, mas a voz falhou.

Arthur a observou por um longo momento, a dor em seus olhos dando lugar a uma resignação fria. Ele se virou para Rafael. “Eu pensei que éramos amigos. Mais do que amigos. Eu confiei em você, Rafael. Confiei em você com tudo o que eu tinha.”

Rafael baixou a cabeça. “Eu sinto muito, Arthur.”

“Sente muito?”, Arthur repetiu, a voz carregada de amargura. “Sente muito pelo quê? Por ter vindo aqui? Ou por ter cruzado aquela linha com a minha esposa?”

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Helena sentiu as lágrimas rolarem livremente pelo seu rosto. Ela havia quebrado a confiança de Arthur, a confiança de um homem que a amava incondicionalmente. A paixão que ela sentia por Rafael, antes um desejo proibido, agora se transformara em uma arma que destruía tudo em seu caminho. A crise de consciência a havia alcançado, e o preço a pagar era mais alto do que ela jamais imaginara.

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