O Desejo Proibido II

Capítulo 7 — O Refúgio em Meio ao Caos

por Camila Costa

Capítulo 7 — O Refúgio em Meio ao Caos

Helena dirigia sem rumo, as lágrimas turvando sua visão, o volante escorregadio em suas mãos trêmulas. A chuva implacável lavava o para-brisa, mas não conseguia limpar a dor que a sufocava. Cada gota que caía parecia um lembrete da traição, da quebra de confiança que desmoronava seu mundo. A mansão de Ricardo, com suas paredes outrora acolhedoras, agora parecia uma prisão de memórias dolorosas. O ar pesado com as confissões, com o arrependimento tardio dele, com a sua própria incredulidade, era insuportável.

Ela não sabia para onde ir. A casa de sua mãe estava longe, e a ideia de reviver as mágoas passadas com ela, em seu estado atual, era impensável. O apartamento em São Paulo? Demasiado longe, demasiado cheio de lembranças de uma vida que parecia pertencer a outra pessoa. Um hotel? A ideia de estar sozinha em um quarto estranho, com a mente fervilhando, era ainda mais assustadora.

Foi então que um nome surgiu em sua mente, um refúgio inesperado, um porto seguro em meio à tempestade que a assolava. Clara. Sua amiga de infância, sua confidente de tantos anos, que vivia em uma pequena cidade litorânea a algumas horas de distância. Clara sempre soube ouvir, sempre soube acalmar as tempestades internas de Helena com sua sabedoria serena e seu abraço sincero.

Com um suspiro trêmulo, Helena virou o carro na direção daquela cidade esquecida pelo tempo, onde as ondas cantavam canções antigas e o sal no ar parecia purificar a alma. Ela pegou o celular, os dedos hesitantes sobre o contato de Clara. A culpa a corroía por estar se refugindo, por estar abandonando a luta, mas a necessidade de respirar, de se afastar do epicentro do furacão, era mais forte.

"Alô?", a voz de Clara soou sonolenta do outro lado da linha. "Helena? Meu Deus, o que aconteceu? Você está bem?"

"Clara...", Helena tentou manter a voz firme, mas ela falhou. "Eu preciso... eu preciso ir para aí." As lágrimas voltaram a jorrar. "Eu não estou bem, Clara. Nada está bem."

Houve um silêncio carregado do outro lado. Clara conhecia Helena o suficiente para saber que algo grave havia acontecido. "O que houve, amiga? Pode me contar."

Helena sentiu o peito apertar. Como começar a explicar a teia de mentiras e traições que a cercava? Como colocar em palavras a dor lancinante de saber que o homem que ela amava a havia enganado, destruindo anos de cumplicidade e afeto? Ela tentou. Contou sobre a visita inesperada, sobre a crise de consciência de Ricardo, sobre as palavras duras e as confissões devastadoras. Contou sobre a tempestade lá fora e a tempestade ainda maior dentro de si.

Clara ouviu atentamente, sem interromper, sua respiração calma e presente do outro lado da linha. Quando Helena terminou, um soluço escapou de seus lábios.

"Oh, Helena...", Clara sussurrou, a voz embargada pela emoção. "Sinto muito, meu amor. Sinto muito que você esteja passando por isso." Um momento de silêncio se seguiu, e então Clara disse com firmeza: "Você vai vir para cá. Agora mesmo. Eu te espero. Deixe o carro aqui, peça um táxi, o que for. Venha. Você não precisa passar por isso sozinha."

O alívio inundou Helena. Saber que havia um lugar para onde ir, alguém que a esperava com os braços abertos, era um bálsamo para sua alma ferida. "Eu estou indo, Clara. Obrigada. Obrigada por tudo."

A viagem pareceu durar uma eternidade. O céu continuava a chorar, mas Helena sentia uma pequena luz se acender em seu peito. A cidade de Clara era pequena, um refúgio tranquilo longe do luxo opressor e das aparências da vida que ela havia deixado para trás. Ao chegar, Clara a esperava na varanda de sua casa simples e charmosa, iluminada por uma luz amarela que irradiava calor.

O abraço de Clara foi um reencontro de almas. Helena se deixou envolver, sentindo a força e o carinho da amiga. O cheiro de maresia e das flores do jardim de Clara a envolveram, um aroma familiar e reconfortante.

"Entra, meu amor", Clara a guiou para dentro. "Você deve estar exausta. Vou te preparar um chá. E depois você pode me contar tudo. Sem pressa. Apenas... desabafe."

Na sala aconchegante, decorada com objetos de arte popular e conchas do mar, Helena se sentiu um pouco mais leve. Clara preparou um chá de camomila fumegante, o aroma calmante preenchendo o ar. Sentadas em poltronas confortáveis, com a chuva batendo suavemente na vidraça, Helena começou a falar. Desta vez, não com a fúria e a dor cega de antes, mas com a vulnerabilidade de quem busca um pouco de paz.

Ela contou sobre a sua infância, sobre como Ricardo era o seu primeiro amor, o menino tímido que se transformou no homem que ela admirava. Contou sobre os sonhos que construíram juntos, sobre a felicidade que parecia inabalável. E contou sobre o momento em que descobriu a verdade, a sensação de queda livre, o chão desaparecendo sob seus pés.

Clara ouvia, assentindo de tempos em tempos, seus olhos refletindo a dor da amiga. Ela não oferecia conselhos fáceis, nem julgamentos. Apenas a sua presença atenta e o seu amor incondicional. "É duro, Helena. É incrivelmente duro. Mas você é forte. Você é mais forte do que pensa."

"Eu não sei, Clara", Helena murmurou, a voz embargada. "Eu me sinto tão... quebrada. Tão perdida."

"Você não está perdida", Clara disse, segurando a mão de Helena. "Você só precisa de tempo para se encontrar novamente. E eu estarei aqui para te ajudar a cada passo. Por enquanto, descanse. Deixe a tempestade passar. O sol sempre volta a brilhar, Helena. Sempre."

Naquela noite, Helena dormiu em um quarto emprestado, o som do mar embalando seus sonhos. Pela primeira vez em dias, ela sentiu um vislumbre de paz, um pequeno oásis de calma em meio ao turbilhão de sua vida. Ela sabia que o caminho seria longo e doloroso, mas ali, nos braços da amizade verdadeira, ela sentiu que talvez, apenas talvez, ela pudesse encontrar a força para reconstruir os pedaços de seu coração partido.

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