O Desejo Proibido II

Capítulo 8 — O Eco da Ausência

por Camila Costa

Capítulo 8 — O Eco da Ausência

Os dias que se seguiram em Angra dos Reis foram um interlúdio de calma forçada. Helena se agarrava à rotina simples e tranquila da casa de Clara, buscando no som das ondas e na brisa salgada um alívio para a sua alma atormentada. A mansão em São Paulo, com sua opulência e seus fantasmas, parecia um mundo distante, um sonho sombrio do qual ela havia acordado.

Ricardo tentara contato diversas vezes. Mensagens de texto, e-mails, ligações que Helena se recusava a atender. A necessidade de distância era visceral, um instinto de sobrevivência. Ela precisava processar a magnitude da traição, a dor aguda de saber que o pilar de sua vida havia ruído. As crianças, Sofia e Pedro, eram a única ponte que a ligava à sua antiga realidade, e a preocupação com elas a consumia. Ela ligava diariamente, forçando um tom de voz alegre para tranquilizá-los, mas o aperto no peito ao ouvir suas vozes infantis era constante.

Clara, com sua sensibilidade aguçada, percebia a angústia contida de Helena. Observava a amiga passar horas sentada na varanda, o olhar perdido no horizonte azul, a melancolia pintando seu rosto. Uma tarde, enquanto preparavam o almoço, Clara tocou no assunto que pairava no ar.

"Você vai ter que conversar com ele em algum momento, Helena. Pelo bem das crianças, e pelo seu próprio bem."

Helena suspirou, pegando uma faca e começando a picar os legumes com uma precisão quase robótica. "Eu sei. Mas eu não sinto que estou pronta. Cada vez que penso nele, a raiva me consome. E a dor... a dor é como um buraco negro. Eu tenho medo de ser sugada por ele."

"Eu entendo", Clara disse, sua voz suave. "Mas a raiva, por mais justa que seja, não te levará a lugar nenhum. E a dor, você precisa enfrentá-la para poder curá-la. Não dá para fugir para sempre."

"Não é fugir, Clara. É me proteger." Helena parou o que estava fazendo, o olhar fixo na faca que segurava. "Eu me sinto como se tivesse sido atravessada por uma lança. Cada lembrança dele, cada toque, cada palavra de amor... tudo isso virou veneno."

"E esse veneno vai te consumir se você não encontrar um antídoto", Clara rebateu gentilmente. "O antídoto não é perdoar agora, se você não se sente capaz. O antídoto é se dar a chance de entender, de separar o homem que te machucou do homem que você um dia amou. E de encontrar a força para seguir em frente, com ou sem ele."

A conversa ficou suspensa no ar enquanto o aroma do peixe grelhado e do arroz perfumado preenchia a cozinha. Helena sabia que Clara estava certa. Ficar ali, escondida em Angra, não resolveria nada. A vida continuava, implacável, e ela precisava enfrentá-la.

Naquela noite, Helena pegou o celular novamente. Dessa vez, não para ignorar, mas para responder. A mensagem era curta, direta. "Ricardo, precisamos conversar. Mas não aqui. E não agora. Preciso de mais tempo."

A resposta de Ricardo foi quase imediata. "Helena, por favor. Eu entendo. Apenas me diga quando e onde. Eu irei. Estarei esperando."

A troca de mensagens, por mais dolorosa que fosse, trouxe uma ponta de alívio. Era um passo na direção certa, um reconhecimento de que a distância física não era suficiente para apagar a realidade.

Enquanto Helena tentava encontrar seu caminho em Angra, a vida em São Paulo seguia um curso tumultuado. Ricardo, consumido pela culpa e pela saudade, sentia a ausência de Helena como um vazio insuportável. A mansão, outrora palco de suas alegrias e cumplicidade, agora era um eco silencioso de sua perda. Ele se afogava no trabalho, tentando preencher as horas vazias, mas a imagem de Helena, seu sorriso, seu olhar, o assombravam em cada canto.

Ele ligou para a casa das crianças, em um momento de desespero, apenas para ouvir suas vozes. Sofia, a mais velha, com seus dez anos, já demonstrava uma maturidade precoce, percebendo a tensão que pairava no ar, a ausência materna frequente. Pedro, o caçula, com seus sete anos, sentia falta da mãe, mas sua inocência ainda o protegia da gravidade da situação.

"Papai, quando a mamãe volta?", Pedro perguntou, com a voz doce e inocente.

Ricardo sentiu um nó na garganta. "Ela vai voltar, meu filho. Logo."

"Mas ela está com você?", Pedro insistiu, confuso.

"Não, meu amor. Ela está... viajando." Ricardo sentiu a mentira arranhar sua garganta. A verdade era muito mais cruel.

Sofia, no entanto, percebeu a hesitação do pai. "Onde ela está, papai? Ela está chateada com a gente?"

"Não, meu amor, de jeito nenhum!", Ricardo apressou-se em dizer. "Ela não está chateada com vocês. Ela só precisa de um tempo. Um tempo para pensar." Ele ouvia a preocupação na voz da filha e a culpa o corroía ainda mais. O que ele havia feito? Ele havia destruído não apenas seu casamento, mas também a paz de espírito de seus filhos.

Naquela noite, Ricardo se sentou em seu escritório, o copo de uísque na mão, olhando para uma foto antiga de Helena e ele em uma viagem à Toscana. O sol dourado, os sorrisos largos, a promessa de um futuro eterno. Era uma outra vida, um outro homem. Ele era um homem que havia arriscado tudo por um momento de fraqueza, e agora estava colhendo os frutos amargos de sua imprudência.

Ele sabia que precisava fazer algo. Não apenas por Helena, mas por ele mesmo, e principalmente, por Sofia e Pedro. A ausência de Helena não era apenas um vazio em sua vida, era um buraco em suas vidas, e ele era o responsável por cavá-lo. Ele não podia mais se esconder na culpa. Precisava agir. Precisava consertar o que havia quebrado, mesmo que isso significasse enfrentar a dor e a raiva de Helena, e a incerteza do futuro.

Ele pegou o celular e enviou uma nova mensagem para Helena. "Helena, eu entendo que você precise de tempo. Mas não podemos deixar que essa situação se arraste indefinidamente. Pelas crianças. Por nós. Eu proponho nos encontrarmos em um local neutro, na próxima semana. Um lugar onde possamos conversar sem a pressão da nossa casa, sem os fantasmas do passado. O que você acha?"

Ele esperou, o coração batendo forte a cada toque da notificação. A resposta de Helena veio minutos depois. "Eu vou pensar nisso, Ricardo."

Era um começo. Um pequeno, doloroso, mas necessário começo. A ausência de Helena era um eco constante em sua vida, um lembrete de tudo o que ele havia perdido. E agora, era hora de tentar preencher esse eco, não com palavras vazias, mas com ações concretas, por mais difíceis que fossem.

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