O Desejo Proibido II

Capítulo 9 — O Encontro nas Ruínas

por Camila Costa

Capítulo 9 — O Encontro nas Ruínas

A decisão de se encontrar com Ricardo em um lugar neutro foi tomada com relutância e apreensão. Helena escolheu um pequeno café em uma cidade vizinha a Angra, um lugar discreto, longe dos olhares curiosos e das memórias da mansão. Ela sabia que esse encontro era inevitável, um passo crucial para definir o futuro, mas a ideia a deixava apreensiva. A ferida ainda estava aberta, e a possibilidade de reabrir a dor era real.

Clara a acompanhou, oferecendo um apoio silencioso e reconfortante. Elas chegaram cedo, sentaram-se em uma mesa discreta perto da janela, o aroma de café fresco e pães quentes pairando no ar. Helena observava o movimento da rua, seu estômago revirando de ansiedade.

Quando Ricardo apareceu, Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele parecia mais magro, com olheiras profundas sob os olhos, a barba por fazer acentuando a expressão de cansaço e preocupação. O peso do remorso era visível em sua postura. Ele parou por um instante, a encarando, o olhar carregado de uma mistura de súplica e tristeza.

Ele se aproximou da mesa, a voz baixa. "Helena."

"Ricardo." A voz dela saiu quase como um sussurro.

Ele sentou-se à sua frente, o silêncio entre eles pesado, denso, carregado de tudo o que não fora dito. Clara, percebendo a tensão, discretamente se levantou. "Vou pegar mais um café. Se precisarem de algo, é só me chamar."

Ricardo observou Clara se afastar, o que lhe deu um respiro. Ele olhou para Helena, os olhos fixos nos dela. "Obrigado por vir."

"Eu precisava. Por nós. Pelas crianças", Helena respondeu, a voz firme, mas com uma vulnerabilidade subjacente. "Mas eu quero que você saiba, Ricardo, que isso não significa que eu te perdoei. Ou que as coisas vão voltar a ser como antes."

"Eu sei", Ricardo disse, a voz embargada. "E eu não espero isso. Eu só espero que a gente consiga conversar. Como adultos. Como pais. E que a gente encontre uma maneira de seguir em frente, com o mínimo de dor possível para todos."

A conversa começou lenta, hesitante. Helena expôs sua dor, a sensação de ter sido traída em seu santuário mais íntimo, a confiança destruída. Ela falou sobre a dificuldade de olhar para os filhos e não ver o reflexo da mentira. "Eu me sinto como se tivesse falhado com eles, Ricardo. Por não ter percebido, por ter acreditado em você. Por ter permitido que isso acontecesse."

Ricardo ouviu em silêncio, a cabeça baixa, o rosto pálido. Ele não a interrompeu, não se defendeu. Apenas absorveu cada palavra, cada acusação, cada lágrima que rolava pelo rosto de Helena. Quando ela terminou, ele levantou o olhar, a dor em seus olhos quase palpável.

"Helena, eu sou o único culpado por tudo isso. Não há desculpas. Eu destruí o que tínhamos. E a pior parte é saber que eu destruí a sua confiança em mim. Eu te amo, e esse amor, em vez de me fortalecer, me cegou e me fez cometer o pior erro da minha vida." Ele respirou fundo, o peito subindo e descendo. "Eu fui um covarde. Um egoísta. Eu não pensei nas consequências. Eu só pensei em satisfazer uma necessidade momentânea, uma vaidade barata, e agora estou pagando o preço. E o pior é que você, e as crianças, estão pagando junto comigo."

Ele estendeu a mão sobre a mesa, mas parou antes de tocá-la. "Eu não estou pedindo o seu perdão. Eu não o mereço. Eu só peço que a gente encontre uma maneira de cuidar das crianças. Que a gente seja capaz de se comunicar por eles. Que a gente não permita que a nossa dor destrua o futuro deles."

Helena o encarou, tentando ler em seus olhos a sinceridade de suas palavras. Era difícil. A raiva e a mágoa ainda eram fortes, mas a visão do homem diante dela, quebrado pela culpa, a fez sentir um vislumbre de compaixão. Ele era o pai de seus filhos, e essa conexão era inquebrável.

"Eu não sei se consigo, Ricardo", ela admitiu, a voz embargada. "Eu me sinto tão ferida. Tão decepcionada. Como eu posso confiar em você novamente? Como eu posso sequer olhar para você sem sentir a dor da traição?"

"Você não precisa confiar em mim. Pelo menos não agora", Ricardo disse, a voz firme. "Eu só preciso que a gente chegue a um acordo. Sobre as crianças. Sobre a divisão dos bens. Sobre como vamos seguir em frente. Eu não quero brigar, Helena. Eu só quero paz. Para nós, e para eles."

Eles conversaram por horas. A conversa, que começou tensa e carregada de mágoa, gradualmente se transformou em um diálogo pragmático. Falavam sobre os filhos, sobre a escola, sobre as rotinas, sobre a necessidade de manter uma frente unida para eles. Discutiram sobre a divisão dos bens, sobre a casa, sobre os investimentos. Cada palavra era um pedaço de vidro afiado, mas eles as pronunciaram, com a determinação de quem precisa limpar as ruínas antes que tudo desabe completamente.

Clara voltou com os cafés, encontrando-os em um silêncio mais ameno, um silêncio de resignação e compreensão mútua, não de reconciliação. Helena pegou sua xícara, o calor reconfortante nas mãos.

"Precisamos ser civilizados, Ricardo", ela disse, o olhar firme. "Por Sofia e Pedro. Eles não merecem o nosso drama."

"Eu concordo plenamente", ele respondeu, a voz tensa. "Eu te ligarei em breve para combinarmos os próximos passos. E eu prometo que serei o mais justo possível."

Ao final do encontro, a sensação de Helena era de exaustão total. Ela havia exposto sua dor, confrontado o homem que a feriu, e discutido o fim de seu casamento. Não havia reconciliação, não havia abraços, apenas a fria realidade da separação. Mas havia um acordo, uma promessa de civilidade.

Quando Ricardo se despediu, com um aceno de cabeça e um olhar carregado de dor, Helena sentiu um alívio misturado com uma tristeza profunda. Aquele encontro, aquele confronto nas ruínas de seu casamento, havia sido necessário. Mas também havia selado o fim de uma era, a morte de um sonho. Ela sabia que o caminho pela frente seria árduo, mas pela primeira vez, sentiu que estava começando a encontrar a força para trilhá-lo.

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