O Amor Verdadeiro III

Capítulo 12 — As Profundezas da Vingança

por Isabela Santos

Capítulo 12 — As Profundezas da Vingança

A saída do apartamento de Helena deixou Lucas em um estado de torpor. As palavras dela ecoavam em sua mente, um turbilhão de desculpas e confissões que, por mais sinceras que parecessem, não apagavam a mágoa. Ele vagou pelas ruas, um autômato em meio à multidão, cada rosto desconhecido um lembrete da solidão que o consumia. A sensação de ter sido enganado por duas das pessoas que mais confiara – Helena e Marcos – era um veneno que corroía sua alma.

O ódio por Marcos era uma brasa viva, aquecendo-o por dentro. Não era apenas a traição, mas a manipulação cruel, o desprezo pela dor alheia, a forma como ele se deleitava com o sofrimento. Lucas se lembrou dos momentos em que Marcos o consolava, que lhe dava conselhos sobre como lidar com Helena, tudo isso enquanto tramava nas sombras. A hipocrisia era repugnante.

Ele não conseguia mais voltar para casa. A casa que antes era um refúgio, agora parecia um lugar vazio, impregnado de lembranças de um amor que se revelara uma ilusão. Precisava de um lugar para pensar, para digerir toda aquela confusão. Sem perceber, seus pés o levaram em direção a um lugar que ele evitava há meses: o estúdio de arte de seu pai.

O estúdio estava como ele o deixara. Poeira cobria as telas inacabadas, os pincéis secos em seus potes. O cheiro de tinta a óleo e terebintina pairava no ar, um aroma melancólico que o transportou de volta a tempos mais simples, antes de todas as complicações. Ele caminhou entre as obras, tocando as superfícies ásperas, sentindo a energia criativa que um dia emanara dali.

Seu pai. A imagem do homem forte e gentil, agora silenciado pela doença, surgiu em sua mente. Uma dor diferente, mais profunda e constante, que se misturava à raiva atual. Marcos também o enganara. Ele fingira preocupação, fingira amizade, enquanto planejava destruir a família que ele amava.

Lucas sentou-se em uma cadeira velha, observando uma tela grande, ainda em branco, que seu pai planejara pintar. A tela em branco, antes um convite à criação, agora parecia um abismo. O que ele criaria a partir de tanta dor e decepção?

De repente, um impulso o tomou. Uma necessidade urgente de agir, de fazer algo para contrapor toda a escuridão que o cercava. A vingança. A ideia, antes apenas um murmúrio em sua mente, agora se tornava um plano concreto, vívido. Ele não podia permitir que Marcos saísse impune.

Ele se levantou, uma determinação fria substituindo o desespero. Precisava de provas. Precisava desmascarar Marcos para o mundo, expor a podridão que ele escondia sob uma fachada de respeitabilidade. Ele sabia que Marcos possuía documentos, e-mails, qualquer coisa que provasse suas manipulações. E ele sabia onde procurar.

Os próximos dias foram um borrão de ação calculada. Lucas usou todo o seu conhecimento sobre Marcos, cada detalhe que ele aprendera ao longo dos anos de convivência, para traçar um plano. Ele sabia que Marcos mantinha um escritório secreto em uma filial menos conhecida de sua empresa, um lugar onde ele guardava seus segredos mais sombrios.

Com a ajuda de alguns contatos que ele mantinha no submundo do mercado financeiro – contatos que Marcos não sabia que ele possuía – Lucas conseguiu informações sobre a segurança do escritório. Era complexa, mas não impenetrável para alguém com o conhecimento certo e a determinação necessária.

Ele também buscou o apoio de Rafael. A mágoa entre eles ainda era palpável, mas a necessidade de justiça, de ver Marcos pagar pelo que fez a todos eles, uniu-os em um objetivo comum.

"Você tem certeza disso, Lucas?", Rafael perguntou, a voz tensa, enquanto eles planejavam os detalhes em um local discreto. "Isso pode ser perigoso. Marcos não é um homem que recua."

"Ele precisa pagar, Rafael. Por tudo. Por você, por Helena, por meu pai," Lucas respondeu, os olhos fixos em um mapa do local. "Eu não vou descansar até que ele esteja arruinado. Eu quero que ele sinta a mesma dor, a mesma impotência que ele causou a todos nós."

Rafael suspirou, o peso da responsabilidade visível em seu rosto. "Eu não posso deixar você fazer isso sozinho."

A operação foi arriscada. Sob o manto da noite, Lucas e Rafael se infiltraram no prédio. Cada sombra parecia esconder um perigo, cada barulho era um alerta. O coração de Lucas batia forte no peito, não de medo, mas de uma adrenalina intensa, alimentada pela promessa de vingança.

Eles conseguiram chegar ao escritório secreto. O ar ali era pesado, carregado de segredos. Lucas sabia exatamente o que procurar. Dispositivos de armazenamento, documentos, qualquer coisa que pudesse servir como prova. Ele trabalhou com uma eficiência fria, enquanto Rafael ficava de vigia, a tensão em seus ombros quase palpável.

Eles encontraram. Uma pasta cheia de documentos incriminatórios, gravações de áudio onde Marcos detalhava seus planos, e-mails que provavam a extensão de sua manipulação. Era tudo o que Lucas precisava. A prova irrefutável da crueldade de Marcos.

Enquanto recolhia os documentos, Lucas sentiu um arrepio. Uma sensação de que algo estava errado. Ele olhou para Rafael, que fez um sinal de silêncio, ouvindo atentamente.

De repente, luzes se acenderam no corredor. Guardas de segurança invadiram o escritório. Uma armadilha. Marcos sabia.

"Droga!", Rafael exclamou. "Ele sabia que viríamos!"

"Como?", Lucas rosnou, o ódio fervendo.

A luta foi inevitável. Lucas e Rafael lutaram com a ferocidade dos desesperados, mas estavam em desvantagem numérica. Eles conseguiram escapar por pouco, com os documentos em mãos, mas a adrenalina da fuga logo deu lugar à apreensão. Marcos agora sabia que eles estavam atrás dele. A guerra estava declarada.

De volta ao estúdio de seu pai, sob a luz fraca de uma luminária, Lucas espalhou os documentos sobre a mesa. Ele sentiu uma satisfação sombria ao ver as provas da ruína iminente de Marcos. Mas a satisfação era tingida pela consciência do perigo em que se encontravam.

"Ele vai vir atrás de nós," Rafael disse, observando os papéis. "Ele não vai deixar isso barato."

"Que venha," Lucas respondeu, um sorriso frio em seus lábios. "Eu estou pronto."

Ele olhou para a tela em branco de seu pai. Não era mais um abismo, mas uma tela para pintar a sua própria história, uma história de justiça, de redenção, e, se necessário, de vingança. A vingança era um caminho perigoso, ele sabia. Podia consumi-lo, transformá-lo em algo que ele não queria ser. Mas, naquele momento, era a única coisa que o impulsionava. Ele precisava ver Marcos cair. Precisava ver a máscara cair e o monstro ser exposto. E ele estava disposto a fazer o que fosse preciso para que isso acontecesse.

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