O Amor Verdadeiro III

Capítulo 13 — O Eco do Passado

por Isabela Santos

Capítulo 13 — O Eco do Passado

Os dias que se seguiram à operação no escritório de Marcos foram de uma tensão palpável. Lucas sentia a presença dele como um fantasma inquietante, uma ameaça latente que pairava sobre cada um de seus movimentos. Ele sabia que Marcos era perigoso, capaz de qualquer coisa para proteger seus segredos. A busca pela vingança, antes um impulso avassalador, agora se misturava a uma preocupação crescente com sua própria segurança e a de Rafael.

Ele tentara falar com Helena, explicar que estava tomando as providências para expor Marcos. Mas ela parecia distante, atormentada pela culpa e pelo medo. A confissão de que Marcos usara a memória do filho deles para controlá-la havia deixado Lucas ainda mais furioso com o homem, mas também trouxera à tona uma nova camada de dor.

"Helena, você precisa entender," ele disse a ela em uma ligação tensa. "Eu não vou deixar ele se safar. Eu tenho as provas."

"Lucas, eu tenho medo," ela sussurrou, a voz embargada. "Eu não quero que você se coloque em perigo. Ele é implacável."

"E você acha que eu estou seguro agora? Ele sabe que eu sei. Ele vai vir atrás de mim de qualquer forma," Lucas respondeu, a frustração tomando conta. "Eu só quero justiça. Para nós dois. Para o nosso filho."

A menção do filho era um ponto sensível. Helena soluçou, a dor em sua voz genuína. "Eu sei. Eu também quero. Mas... e se ele te machucar? Eu não suportaria."

"Eu vou tomar cuidado. Você precisa confiar em mim," ele disse, tentando soar mais confiante do que realmente se sentia. "Eu vou resolver isso."

Mas resolver isso não seria simples. Marcos, sentindo o cerco se apertar, reagiu. Ele começou a usar sua influência para criar obstáculos para Lucas, dificultando seus negócios, espalhando rumores maliciosos. A guerra fria estava se intensificando.

Em meio a essa turbulência, um evento inesperado trouxe Lucas de volta a um passado que ele tentara esquecer. Ele recebeu uma carta, escrita à mão, com um remetente desconhecido. Ao abri-la, sentiu um aperto no peito. A caligrafia era inconfundível. Era de sua tia Clara, a irmã de sua mãe, com quem ele não falava há anos.

A carta era curta, mas carregada de um tom de urgência. Tia Clara o chamava para voltar à cidade natal da família, um pequeno vilarejo no interior, onde ele passara parte de sua infância. Ela dizia que havia algo importante que precisava lhe contar, algo que ele precisava saber sobre o passado de sua família, e sobre sua mãe.

Lucas ficou confuso. Sua mãe havia falecido há muitos anos, e ele sempre acreditou que sabia tudo o que precisava sobre ela. Por que tia Clara estaria falando sobre segredos agora? A curiosidade, misturada a uma inquietação crescente, o impulsionou. Talvez, em meio à escuridão que o cercava, houvesse uma resposta em suas raízes.

Ele decidiu ir. Precisava de um tempo longe da cidade, longe da ameaça iminente de Marcos. E, talvez, encontrar suas origens pudesse trazer clareza. Ele contou a Rafael sobre a carta, e seu amigo, preocupado, insistiu em acompanhá-lo.

A viagem para o interior foi longa e introspectiva. A paisagem urbana deu lugar a campos verdes, montanhas serenas e um céu azul infinito. O ar parecia mais puro, o ritmo da vida mais lento. O estúdio de seu pai, com suas telas e seus cheiros, parecia um portal para um passado mais simples.

Ao chegarem ao vilarejo, Lucas sentiu uma onda de nostalgia. As ruas de paralelepípedos, as casas antigas, as pessoas que o conheciam desde criança. Tudo parecia o mesmo, e ao mesmo tempo, diferente.

Tia Clara o esperava na varanda de sua casa modesta, mas acolhedora. Era uma mulher franzina, com os cabelos grisalhos presos em um coque e um olhar penetrante que guardava muitas histórias. Ela o abraçou com uma força surpreendente.

"Lucas, meu querido. Que bom que você veio," ela disse, a voz trêmula de emoção.

"Tia Clara. Você está bem?", ele perguntou, retribuindo o abraço.

"Estou bem, meu filho. Mas há coisas que você precisa saber. Coisas que eu guardei por tempo demais," ela respondeu, conduzindo-o para dentro.

A casa de tia Clara era um museu de memórias. Fotos antigas emolduradas nas paredes, objetos que contavam a história de gerações. Enquanto tomavam um café, tia Clara começou a falar. Ela contou sobre sua mãe, sobre a juventude dela, sobre um amor que ela escondeu.

"Sua mãe era uma alma livre, Lucas. Apaixonada, mas também cheia de medos," ela começou. "Quando ela te conheceu, ela estava fugindo. Fugindo de um passado complicado. Um passado que a assombrava."

Lucas a ouvia atentamente, o coração acelerado. O que sua mãe estava escondendo?

"Ela era apaixonada por um homem. Um homem que não era bem visto na nossa família. Um homem com ambições perigosas," tia Clara continuou, a voz ficando mais baixa. "Ele se chamava... Marcos."

Um arrepio percorreu a espinha de Lucas. Marcos. O mesmo nome. Impossível.

"Marcos?", ele repetiu, a voz um sussurro incrédulo. "O Marcos que eu conheço?"

Tia Clara assentiu, os olhos marejados. "O mesmo. Ele era mais jovem na época, mas já era... calculista. Manipulador. Sua mãe se apaixonou por ele, mas ele a controlava. Ele queria tudo. E quando ela decidiu fugir, para ter você em paz, ele jurou que nunca a deixaria esquecê-lo."

A revelação caiu sobre Lucas como um raio. Sua mãe. O homem que ele mais odiava. O passado deles estava intrinsecamente ligado. Marcos não era apenas um inimigo em sua vida atual, mas uma sombra que assombrava sua família há gerações.

"Ele... ele a ameaçou?", Lucas perguntou, a voz embargada pela raiva.

"Ele a usou. Ele a chantageou. Ele sempre soube onde ela estava. Sua mãe viveu com medo por anos, Lucas. O medo de que ele tirasse você dela. Ela decidiu se afastar de mim, de todos nós, para te proteger. Para tentar criar uma vida nova, longe dele."

Lucas se levantou, o corpo tremendo. A raiva que sentia por Marcos agora era monumental. Ele não era apenas um inimigo pessoal, mas alguém que destruiu a paz de sua mãe, que a fez viver sob constante ameaça.

"Por que você não me contou antes, tia Clara?", ele perguntou, a voz carregada de dor.

"Sua mãe me pediu. Ela me fez jurar que nunca contaria nada, para te proteger. Mas agora, vendo o que ele está fazendo com você, com Helena... eu não posso mais guardar esse segredo. Você precisa saber quem ele realmente é. Você precisa entender que essa luta é antiga."

Rafael, que estivera em silêncio, ouvindo tudo com atenção, colocou a mão no ombro de Lucas. "Lucas, isso... isso muda tudo."

Lucas olhou para Rafael, depois para sua tia Clara, e finalmente para as fotos emolduradas nas paredes. Ele viu o rosto de sua mãe, jovem e radiante, e sentiu uma conexão profunda, uma compreensão de sua dor e de seu medo. Ele entendeu a origem de sua própria batalha.

"Eu preciso voltar," Lucas disse, a voz firme, apesar da emoção. "Eu preciso acabar com isso. De uma vez por todas."

Ele sabia agora que sua luta contra Marcos não era apenas por Helena, por seu futuro, mas também por sua mãe, por sua memória, por uma justiça que lhe fora negada por tanto tempo. O eco do passado ressoava em seu presente, e ele estava determinado a silenciá-lo para sempre.

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