O Amor Verdadeiro III

Capítulo 14 — A Fenda no Cristal

por Isabela Santos

Capítulo 14 — A Fenda no Cristal

De volta à cidade, a atmosfera parecia ainda mais sufocante. A revelação sobre a ligação de Marcos com a mãe de Lucas havia acendido uma nova chama em seu peito, uma mistura de raiva antiga e a necessidade imperativa de proteger o legado de sua família. A sensação de estar em uma guerra geracional amplificava a urgência de suas ações.

Ele tentou compartilhar a descoberta com Helena, mas ela parecia cada vez mais retraída, presa em sua própria teia de culpa e medo. A confissão de Marcos sobre ter usado a memória do filho deles para manipulá-la havia quebrado algo em Helena. O cristal de seu amor por Lucas, antes reluzente, agora apresentava uma fenda profunda.

"Lucas, eu não sei se consigo mais," ela disse em um encontro tenso em um parque isolado, a voz mal audível. "Essa culpa, esse medo... está me consumindo. Eu te amo, mas não sei se sou capaz de ser a mulher que você merece."

Lucas a segurou pelos braços, seus olhos buscando os dela com intensidade. "Helena, você não tem culpa. Ele a forçou. E agora eu sei que ele tem feito isso há muito tempo. Ele destruiu a paz da minha mãe também. Nós temos que lutar contra isso. Juntos."

Ela balançou a cabeça, lágrimas silenciosas escorrendo. "Juntos? Lucas, eu sou um fardo. Eu te trouxe para essa confusão, e agora eu te levo para mais perto do perigo. Eu não quero ser a causa da sua ruína."

"Você não é um fardo, Helena. Você é a razão," ele disse, com a voz carregada de emoção. "Você é a razão pela qual eu preciso vencer. Eu te amo. E eu não vou deixar ele tirar isso de nós."

Mas Helena parecia inatingível, envolta em um véu de desespero. A fenda em seu coração era mais profunda do que Lucas imaginava. Ele via a mulher que amava, mas ela parecia estar desaparecendo em meio às sombras do passado.

Paralelamente, Marcos, sentindo a pressão aumentar, intensificou seus ataques. Ele começou a minar a reputação de Lucas no mercado, espalhando boatos de instabilidade financeira e de negócios duvidosos. A guerra fria se transformara em uma batalha aberta, travada nos bastidores do mundo corporativo.

Rafael, leal e incansável, trabalhava ao lado de Lucas, tentando neutralizar as artimanhas de Marcos. "Ele está jogando sujo, Lucas. Ele não tem limites."

"Ele nunca teve," Lucas respondeu, examinando relatórios financeiros que indicavam a manipulação de Marcos. "Mas nós temos as provas. E vamos usá-las."

Lucas sabia que a divulgação dos documentos era o próximo passo lógico. Mas ele hesitava. Expor Marcos significaria expor Helena a um escrutínio público brutal. Ele temia a forma como o mundo reagiria, o julgamento, a dor que ela poderia sentir. O amor verdadeiro, ele percebeu, não era apenas sobre paixão, mas também sobre proteção.

Ele decidiu confrontar Marcos diretamente. Não com violência, mas com a verdade. Ele marcou um encontro em um local neutro, um restaurante discreto, longe dos olhos curiosos.

Quando Marcos chegou, seu sorriso era o de sempre, confiante e altivo. "Lucas. Que surpresa agradável. Pensei que você estaria ocupado tentando me arruinar."

"Eu estou," Lucas respondeu, a voz calma, mas carregada de uma ameaça velada. "E eu tenho as provas, Marcos. Sei tudo sobre você. Sobre sua mãe. Sobre como você arruinou a vida dela. E sobre como você está tentando arruinar a minha."

O sorriso de Marcos vacilou por um instante, mas ele rapidamente recuperou a compostura. "Você está delirando, meu caro. Eu não tenho ideia do que você está falando."

"Não minta para mim, Marcos. A sua máscara caiu. Eu sei o monstro que você é. E eu vou expô-lo para o mundo." Lucas colocou os documentos sobre a mesa. "Isso é o fim para você."

Marcos pegou os papéis, seus olhos percorrendo-os rapidamente. A raiva começou a transparecer em seu rosto. "Você não pode fazer isso. Você não tem ideia do que está fazendo."

"Eu tenho. E eu vou fazer," Lucas declarou, levantando-se. "Você tirou muito de mim. Da minha mãe, de Helena. Agora é a minha vez de tirar tudo de você."

Enquanto Lucas saía do restaurante, ele sentiu um alívio estranho. A decisão estava tomada. O confronto estava marcado. Agora, era hora de agir.

No dia seguinte, Lucas, com o apoio de Rafael e de um advogado de confiança, tomou a decisão final. Os documentos seriam entregues às autoridades e divulgados à imprensa. Era a única maneira de garantir a justiça que ele buscava, mesmo que isso significasse um turbilhão de consequências.

A notícia explodiu como uma bomba. Os jornais estampavam manchetes sobre as fraudes de Marcos, sua manipulação e sua crueldade. O império construído sobre mentiras começou a desmoronar. A imagem pública de Marcos foi destruída.

O impacto em Helena foi devastador. A exposição de Marcos, e de como ele a usara, a deixou exposta e vulnerável. Ela se sentiu envergonhada, com medo do julgamento. A fenda em seu coração se aprofundou, ameaçando separá-la de Lucas para sempre.

Lucas a encontrou em seu apartamento, pálida e tremendo. "Lucas, eu não aguento mais. Eu não quero mais isso. Eu não quero ser o motivo de toda essa destruição."

"Helena, olhe para mim," ele disse, segurando seu rosto entre as mãos. "Você não é a destruição. Você é a vítima. E eu estou aqui para te proteger. Para reconstruir tudo. Juntos."

Ele lhe mostrou os documentos, a prova de que Marcos a havia manipulado cruelmente. "Ele te usou, Helena. Ele a fez sofrer. Mas agora acabou. Ele não tem mais poder sobre nós."

Ela o olhou, a dor em seus olhos profunda, mas havia um brilho de esperança. A fenda no cristal ainda estava lá, mas talvez, com tempo e cuidado, pudesse ser reparada.

"Eu te amo, Lucas," ela sussurrou, as lágrimas finalmente escorrendo livremente. "Eu sempre te amei."

"Eu também te amo, Helena," ele respondeu, abraçando-a com força. "E nós vamos superar isso. Juntos."

O caminho para a cura seria longo e árduo. A fenda no cristal do amor deles era um lembrete das batalhas travadas. Mas, pela primeira vez em muito tempo, Lucas sentiu que estavam no caminho certo. A escuridão estava recuando, e um raio de luz, tênue mas persistente, começava a iluminar o futuro.

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