O Amor Verdadeiro III

Capítulo 18 — O Labirinto das Mentiras

por Isabela Santos

Capítulo 18 — O Labirinto das Mentiras

A estrada de terra batida rangia sob os pneus do carro de Lucas, levantando uma nuvem de poeira que pintava de marrom a paisagem bucólica do interior. O sol do meio-dia castigava, mas a sensação de urgência em seus corações os impedia de se importar com o calor. A pequena cidade de Santa Clara, com suas casas coloniais e a igreja de arquitetura antiga, parecia parada no tempo, um contraste gritante com a turbulência que Sofia e Lucas traziam consigo.

“Tem certeza que é aqui, Lucas?”, Sofia perguntou, olhando para as poucas construções que compunham o centro da cidade. A mansão de Mariana, que ela mencionou em sua conversa com André, era provavelmente uma das propriedades mais afastadas.

“De acordo com as informações que consegui, a família de Mariana tem raízes profundas por aqui. Essa casa, que ela usa para ‘descansar’, como ela diz, é a antiga propriedade da avó dela. E se houver alguma prova, algum registro, é lá que estará”, Lucas explicou, consultando um mapa desatualizado em seu celular.

Eles estacionaram em frente a um portão de ferro forjado, imponente e enferrujado, que dava acesso a uma alameda ladeada por árvores frondosas. Ao final da alameda, erguia-se a mansão. Não era tão luxuosa quanto as de São Paulo, mas possuía uma grandiosidade decadente, com varandas amplas, janelas escuras e um ar de mistério que pairava no ar.

Enquanto se aproximavam, notaram um movimento na varanda. Era André, sozinho, observando o horizonte com um olhar perdido. Sofia sentiu o coração disparar. Ele estava ali, preso naquele lugar, e ela estava a poucos metros de distância.

“André!”, ela gritou, correndo em sua direção, ignorando qualquer cautela.

André se virou, o choque estampado em seus olhos. A esperança, misturada com a tristeza, surgiu em seu rosto. “Sofia? Como…?”

Antes que pudessem se abraçar, uma voz fria e autoritária soou da porta da mansão. “O que a senhorita está fazendo aqui?”

Mariana surgiu, elegante em um vestido de seda azul, o sorriso de escárnio nos lábios. Ela estava acompanhada por dois homens robustos, que se postaram em silêncio, imponentes.

“Mariana! O que você fez com ele?”, Sofia exigiu, a voz carregada de raiva e mágoa.

“Eu o salvei, querida Sofia. Eu o trouxe de volta para onde ele pertence. E agora, vocês dois, por favor, vão embora. Esta propriedade não é para visitas desavisadas.” Mariana respondeu, com uma falsidade que chegava a ser ofensiva.

Lucas interveio, colocando-se entre Sofia e Mariana. “Nós sabemos o que você fez, Mariana. Sabemos da chantagem. E viemos buscar o André.”

Mariana soltou uma gargalhada sarcástica. “Chantagem? Que absurdo! André é meu convidado. Ele está aqui porque quer, porque ele me ama. Não é, meu amor?” Ela virou-se para André, que permanecia imóvel, os olhos fixos em Sofia.

André hesitou por um instante, a angústia visível em seu rosto. Ele olhou para Sofia, para Lucas, e depois para Mariana. “Eu… eu preciso explicar.”

“Não há nada a explicar, André”, Mariana o interrompeu, a voz se tornando mais dura. “A senhorita Sofia está apenas atrapalhando. E se vocês não se retirarem pacificamente, terei que tomar outras medidas.” Os dois seguranças deram um passo à frente.

Sofia não se intimidou. “Eu não saio daqui sem o André. E você, Mariana, vai me contar a verdade. O que aconteceu naquela época? O que você fez para forçá-lo a vir para cá?”

Desafiada, Mariana decidiu jogar as cartas na mesa, acreditando que poderia manipulá-los com a verdade distorcida. “Muito bem. Já que insistem em saber, vou lhes contar a história. Dez anos atrás, o André, em um acesso de imprudência e embriaguez, causou um acidente terrível. Ele atropelou e matou uma jovem família. Ele fugiu, deixando para trás apenas a destruição. Eu descobri tudo isso, e sei que o nome dele está manchado para sempre.”

Sofia sentiu o chão sumir sob seus pés. Era verdade? André, o homem gentil e honrado que ela conhecia, era capaz de algo assim? O olhar de André, cheio de dor e culpa, parecia confirmar a história de Mariana.

“Ele nunca se arrependeu de verdade”, Mariana continuou, cravando as unhas na ferida aberta. “Ele sempre fugiu de suas responsabilidades. Mas eu, eu o fiz pagar. Paguei para que a família dele mantivesse o segredo, e agora ele me deve. Ele está aqui para cumprir o que prometeu. E você, Sofia, nunca mais o terá.”

Enquanto Mariana falava, Lucas, de forma discreta, observava o interior da mansão. Ele notou um escritório, com a porta entreaberta, e deduziu que ali poderia haver documentos, provas. A mentira de Mariana era convincente, mas a forma como ela jogava com a culpa de André o incomodava profundamente.

“Isso é mentira!”, Lucas exclamou, tentando ganhar tempo. “O André jamais faria isso! Ele é um homem de bem!”

“Um homem de bem? Ele é um assassino que se esconde nas sombras!”, Mariana retrucou, com um sorriso cruel. “E agora, se me dão licença, tenho assuntos mais importantes a tratar.” Ela se virou para André. “Vamos, meu amor. Entre. Não se exponha ao sol.”

André olhou uma última vez para Sofia, um olhar de súplica silenciosa. Ele queria dizer que a amava, que tudo aquilo era uma armadilha, mas as palavras não saíam. A culpa que Mariana plantara nele era profunda.

Sofia sentiu a desesperança tomar conta de si. Se aquilo era verdade, como ela poderia sequer olhar para André da mesma forma? A dor da traição se misturava ao horror da descoberta.

Lucas, vendo a fragilidade de Sofia, agiu. “Sofia, vamos conversar lá fora. Calma.” Ele a puxou gentilmente para longe da porta da mansão, mas mantendo-a dentro do campo de visão.

Enquanto Mariana levava André para dentro, Lucas, com a agilidade de um ladrão, correu em direção ao escritório. Ele sabia que precisava encontrar a verdade, a única coisa que poderia salvar o amor de Sofia e André. A porta estava destrancada. Lá dentro, o cheiro de poeira e papel antigo pairava no ar. Ele começou a revirar gavetas, armários, procurando por qualquer pista.

Em uma gaveta secreta de uma escrivaninha antiga, Lucas encontrou o que procurava. Uma caixa de documentos. Dentro dela, cartas, fotos e um jornal antigo com a manchete sobre o acidente. Mas havia algo mais. Uma carta escrita por uma mão diferente, detalhando o acidente. O motorista não era André. Era um jovem chamado Roberto, um colega de trabalho de André na época, que estava embriagado e dirigindo o carro de André, que era mais seguro e conhecido. Roberto havia morrido no acidente. A jovem família também. E o sobrevivente, o filho pequeno do casal, havia ficado gravemente ferido.

A carta explicava que André, sentindo-se responsável por ter emprestado o carro e por não ter impedido Roberto de dirigir embriagado, havia se comprometido a cuidar do menino, a pagar por todo o tratamento médico e a garantir o seu futuro. Era um pacto de silêncio com os poucos parentes que restavam da família da jovem esposa, parentes que, mais tarde, teriam se aliado a Mariana.

Lucas saiu do escritório com a caixa nas mãos, o coração acelerado. A verdade era devastadora, mas era a verdade. André não era o assassino, mas carregava o fardo da culpa e do silêncio. E Mariana estava explorando isso.

Ele correu de volta para Sofia, que ainda estava ali, parada, o olhar perdido. “Sofia, eu encontrei. A história da Mariana é uma mentira distorcida!”

Sofia olhou para Lucas, a esperança renovada em seus olhos. “O quê? Como?”

Lucas abriu a caixa e mostrou as cartas, o jornal. “André não matou ninguém. O motorista era outra pessoa. Ele apenas emprestou o carro. Mas ele se sentiu responsável e prometeu cuidar do filho do casal que morreu. A Mariana descobriu isso e está usando a culpa dele, a necessidade dele de honrar essa promessa, para manipulá-lo.”

Sofia pegou uma das cartas, lendo as palavras de gratidão dos parentes pela ajuda de André com o menino. A imagem de André como um assassino desmoronou, sendo substituída pela de um homem atormentado pela culpa, mas que, de alguma forma, tentava fazer o certo.

“Ele não me traiu… ele está sendo forçado”, Sofia murmurou, a compreensão e o amor inundando seu peito.

“Exatamente”, Lucas confirmou. “E agora, nós vamos tirar ele de lá. A mentira da Mariana está prestes a desmoronar.”

Enquanto Sofia e Lucas reuniam as provas, André, dentro da mansão, enfrentava o olhar frio de Mariana. “Você não vai mais fugir, André. Você é meu. E Sofia jamais saberá a verdade sobre você.”

Mas Mariana não contava com a resiliência do amor verdadeiro, nem com a inteligência de Lucas. A verdade, por mais sombria que fosse, estava prestes a vir à tona, e o labirinto de mentiras de Mariana não seria suficiente para conter o que estava por vir.

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